Café cai quase 3% nesta terça-feira em Nova York com pressão do câmbio brasileiro, apesar de estoques reduzidos

Trader avalia que oferta restrita ainda sustenta oportunidades para produtores
Publicado em 03/11/2026 15:42

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Os preços futuros do café encerraram a terça-feira (3) com perdas nas bolsas internacionais, devolvendo a recuperação registrada no primeiro pregão de novembro. Em Nova York, o arábica terminou com queda de quase 3%, pressionado pelas preocupações com novas vendas brasileiras diante da desvalorização do real frente ao dólar. O robusta também recuou em Londres, enquanto os estoques reduzidos de café seguem oferecendo um contraponto às expectativas de maior disponibilidade internacional.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato dezembro/26 do arábica encerrou a sessão cotado a 283,95 cents por libra-peso, com desvalorização de 8,15 cents, equivalente a 2,79%. O março/27 perdeu 5,95 cents, fechando a 274,60 cents, enquanto o maio/27 recuou 5,55 cents, para 270,95 cents. O julho/27 terminou negociado a 268,40 cents por libra-peso, com queda de 5,10 cents.

A mudança de direção foi expressiva ao longo do pregão. Durante a manhã, o dezembro/26 chegou a alcançar 297,35 cents por libra-peso, aproximando-se novamente dos 300 cents, mas perdeu força e recuou até a mínima de 282,80 cents. A amplitude entre a máxima e a mínima foi de 14,55 cents por libra-peso.

O movimento interrompeu a recuperação observada na sexta-feira (30) e na segunda-feira (2), quando o contrato dezembro/26 havia acumulado duas sessões consecutivas de valorização. Apesar daqueles ganhos, o mercado ainda carregava perdas expressivas da última semana de outubro, quando o mesmo vencimento recuou 6,59%.

Robusta também encerra em queda em Londres

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), os contratos futuros do café robusta acompanharam o movimento negativo, embora tenham apresentado perdas menos intensas do que as registradas pelo arábica.

O contrato janeiro/27 encerrou a sessão cotado a US$ 3.210 por tonelada, com recuo de US$ 31, equivalente a 0,96%. O março/27 perdeu US$ 37, terminando a US$ 3.190, enquanto o maio/27 apresentou queda de US$ 38, para US$ 3.184 por tonelada. O julho/27 recuou US$ 37 e fechou a US$ 3.175 por tonelada.

Assim como em Nova York, os preços começaram o dia com tentativas de valorização, mas perderam sustentação durante as negociações. O janeiro/27 chegou a alcançar US$ 3.265 por tonelada, antes de recuar até US$ 3.192 e encerrar próximo dos menores níveis registrados na sessão.

Desvalorização do real amplia expectativas de vendas brasileiras

Entre os principais fatores de pressão sobre as cotações nesta terça-feira esteve o comportamento do real frente ao dólar.

Segundo análise divulgada pelo Barchart, a fraqueza da moeda brasileira aumentou as expectativas de comercialização do café nacional no mercado internacional, contribuindo para a desvalorização dos contratos futuros.

Como as negociações externas são denominadas em dólares, a desvalorização do real pode ampliar a receita em moeda nacional recebida pelos exportadores, criando condições para a realização de novos negócios mesmo diante de preços internacionais menores.

Esse efeito, entretanto, depende das condições comerciais, das posições já assumidas pelos agentes e da disponibilidade efetiva do produto.

O movimento cambial também ocorre em um cenário de expectativas distintas para a oferta global. Enquanto as perspectivas de produção brasileira e vietnamita apontam para a possibilidade de maior disponibilidade nos próximos ciclos, as condições dos estoques e os riscos climáticos ainda mantêm incertezas importantes para o mercado.

Estoques baixos ainda representam sustentação, avalia trader

Apesar da forte queda registrada nas bolsas, a disponibilidade restrita de café continua sendo um elemento importante para as perspectivas de preços.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta terça-feira, Fabiano Teixeira Odebrecht, trader de café, avaliou que os estoques certificados em Nova York permanecem em níveis significativamente inferiores aos observados nos últimos anos, enquanto o consumo mundial continua elevado.

Segundo o especialista, os estoques estão próximos de 220 mil sacas, diante de uma referência de aproximadamente 800 mil sacas considerada por ele para os últimos cinco anos. Na avaliação de Odebrecht, essa disponibilidade reduzida aumenta a sensibilidade do mercado a eventuais problemas nas próximas safras.

"Eu acho que qualquer problema que a gente venha a ter nessas safras de café, na produção de café, o mercado tende a reagir para mais", afirmou.

O trader também destacou que, apesar da volatilidade recente, os patamares atuais de preços continuam favoráveis quando comparados aos valores observados durante boa parte das últimas duas décadas.

Em sua avaliação, a possibilidade de uma produção brasileira mais elevada ainda depende de confirmação, especialmente diante das perdas registradas em algumas regiões produtoras.

Odebrecht relatou problemas durante a colheita em áreas como Piraju e Garça, no interior paulista, além de regiões do Paraná. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pelos produtores podem ter reduzido o volume efetivamente aproveitado, exigindo cautela na avaliação dos resultados da safra.

Comercialização escalonada pode ajudar produtor a lidar com volatilidade

Diante das oscilações expressivas das bolsas, Odebrecht defende que os cafeicultores adotem estratégias graduais de comercialização, aproveitando oportunidades de preços sem concentrar todas as vendas em um único momento.

"Eu acredito que um produtor deva escalonar a venda dele. Ele não vai conseguir acertar o preço mais alto do mercado", destacou.

Segundo o especialista, os preços internacionais próximos de US$ 2,80 a US$ 3,00 por libra-peso ainda representam referências interessantes para a negociação, especialmente para produtores que precisam administrar custos, compromissos financeiros e riscos de mercado.

A recomendação também envolve atenção às condições contratuais e à escolha de compradores confiáveis, considerando as obrigações de entrega do produto.

Para os cafeicultores brasileiros, o encerramento desta terça-feira mostra que a desvalorização cambial e as expectativas de oferta podem provocar movimentos expressivos nas bolsas, mesmo em um cenário de estoques reduzidos.

A evolução das condições climáticas no Brasil e no Vietnã, o comportamento do real e a disponibilidade de café certificado na ICE continuarão entre os fatores observados pelos operadores nas próximas sessões.

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