Chuvas atrasam plantio do arroz e dificultam trabalhos de manejo no Rio Grande do Sul
Chuvas atrasam plantio do arroz e dificultam trabalhos de manejo no Rio Grande do Sul
O excesso de chuvas no Rio Grande do Sul tem dificultado o avanço do plantio do arroz para a safra 2026/27 e comprometido os trabalhos de manejo nas lavouras já estabelecidas. Segundo Alexandre Velho, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o estado se aproxima de 70% da área prevista semeada, justamente quando a janela considerada ideal para a implantação da cultura está chegando ao fim.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas durante o programa Realidades da Safra, Velho explicou que as condições climáticas provocaram diferenças importantes entre as regiões produtoras. Enquanto a Fronteira Oeste conseguiu antecipar parte dos trabalhos, outras áreas enfrentaram interrupções frequentes em função das precipitações, acumulando atrasos no calendário agrícola. A expectativa é de que uma melhora do tempo permita acelerar a semeadura nos próximos dias.
As dificuldades, entretanto, não se restringem às áreas que ainda precisam ser plantadas. Nas lavouras já implantadas, a sequência de dias chuvosos tem limitado a entrada de máquinas para a aplicação de defensivos, a adubação com ureia e o estabelecimento da irrigação. Além disso, as temperaturas mais baixas registradas no estado estão contribuindo para um desenvolvimento mais lento das plantas.
O Irga trabalha atualmente com uma intenção de plantio de aproximadamente 860 mil hectares, área ligeiramente inferior à da temporada anterior. Segundo Velho, a confirmação dessa estimativa ainda dependerá do andamento das operações nas próximas semanas, em um cenário no qual as dificuldades financeiras dos produtores também influenciam as decisões de cultivo.
O presidente da entidade destacou que a baixa rentabilidade das últimas duas safras agravou os problemas de endividamento e acesso ao crédito no setor, levando inclusive alguns produtores a deixar a atividade. Apesar de uma recuperação das cotações ao longo do segundo semestre de 2026, a remuneração permanece próxima dos custos de produção.
Colheita mais tardia pode influenciar preços no início de 2027
De acordo com Velho, o indicador de preços do arroz está atualmente próximo de R$ 82,00 por saca, enquanto o custo médio de produção é estimado em aproximadamente R$ 80,00. A diferença oferece uma condição mais favorável do que a observada em períodos anteriores, mas ainda representa uma margem estreita para os agricultores.
Para os próximos meses, o dirigente espera um mercado relativamente estável até dezembro, período tradicionalmente marcado pela redução das atividades de algumas indústrias beneficiadoras durante as festas de fim de ano. Já em janeiro, existe a possibilidade de uma leve recuperação das cotações, considerando que o atraso no calendário agrícola deverá postergar a entrada da nova produção gaúcha no mercado.
Na avaliação do presidente do Irga, os primeiros volumes da próxima colheita devem chegar apenas no final de fevereiro ou início de março de 2027. Esse deslocamento poderá prolongar o período de comercialização dos estoques da safra anterior, embora a intensidade de uma eventual valorização dependa das condições de oferta e demanda.
No mercado externo, Velho relatou uma redução sazonal do ritmo de compras em função da entrada da safra norte-americana, que concorre com o arroz brasileiro especialmente nos mercados da América Central. Ainda assim, destacou que a menor produção de arroz longo fino nos Estados Unidos ajuda a preservar oportunidades para o produto gaúcho.
A expectativa do Irga é de que o Brasil encerre o ano com saldo positivo na balança comercial do arroz, mantendo exportações superiores às importações. Para Velho, a continuidade dos embarques é importante para equilibrar a disponibilidade interna e contribuir para a sustentação dos preços recebidos pelos produtores.
Diante dos desafios climáticos e econômicos, o dirigente também defendeu o fortalecimento de políticas de crédito e seguro rural, argumentando que a sucessão de períodos de seca e excesso de chuvas no Rio Grande do Sul aumenta a vulnerabilidade da produção. A preocupação é preservar a capacidade produtiva do estado, principal fornecedor de arroz do país, e evitar que novos ciclos de baixa rentabilidade provoquem uma redução mais acentuada da área cultivada.
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