Milho inverte perdas e volta a subir em Chicago nesta quarta-feira; B3 opera em direções diferentes

Dezembro recupera os US$ 4,45 por bushel após negociar abaixo de US$ 4,40 pela manhã; vencimentos mais longos recuam na bolsa brasileira
Publicado em 04/11/2026 14:13

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Os preços futuros do milho inverteram as perdas registradas na abertura e passaram a operar em alta na Bolsa de Chicago (CBOT) na tarde desta quarta-feira (4). Depois de dois pregões consecutivos de desvalorização, o contrato dezembro/26 voltou a superar os US$ 4,45 por bushel, recuperando parte do terreno perdido nas últimas sessões. Na B3, entretanto, os vencimentos apresentavam comportamento misto, com valorização apenas no contrato novembro/26 entre os principais contratos acompanhados.

Por volta das 13h59 (horário de Brasília), o dezembro/26 era negociado a US$ 4,4575 por bushel em Chicago, com alta de 3,25 cents, equivalente a 0,73%. O março/27 também avançava 3,25 cents, cotado a US$ 4,5950, enquanto o maio/27 registrava ganho de 3,00 cents, para US$ 4,6800. O julho/27 subia 2,50 cents, negociado a US$ 4,7475 por bushel.

A recuperação representa uma mudança importante em relação à abertura. Durante a manhã, o dezembro/26 chegou a negociar a US$ 4,3850 por bushel, ampliando a pressão observada na terça-feira (3), quando havia encerrado a US$ 4,4250. A reação desta tarde interrompe, até o momento, a sequência de perdas iniciada no primeiro pregão de novembro.

Demanda internacional e oferta americana continuam no radar

O mercado acompanha a recuperação das cotações depois de uma sequência de baixas associadas às expectativas de oferta elevada e à redução das posições compradas dos fundos de investimento.

Nos últimos dias, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou operações expressivas de exportação de milho. Apenas na terça-feira, foram confirmadas vendas de 315 mil toneladas ao México e 136 mil toneladas à Coreia do Sul, ambas destinadas à temporada comercial 2026/27.

As operações ocorreram um dia depois do anúncio de aproximadamente 1,73 milhão de toneladas de milho ao México, com entregas distribuídas entre os anos comerciais 2026/27 e 2027/28.

Apesar das novas contratações, os contratos futuros permaneceram pressionados nos dois primeiros pregões de novembro. A recuperação desta quarta-feira ocorre, portanto, em um cenário de demanda externa ativa, mas ainda marcado por incertezas quanto à capacidade de absorção da oferta disponível.

Nos Estados Unidos, o USDA informou na segunda-feira que a colheita alcançou 74% da área cultivada até 1º de novembro, avanço de 14 pontos percentuais na semana, embora ainda abaixo da média histórica de 77%.

A demanda industrial também permanece em atenção. Segundo o relatório Grain Crushings, o consumo de milho para produção de etanol combustível alcançou 438,42 milhões de bushels em setembro, queda de aproximadamente 8,54% em relação a agosto, mas crescimento de 0,65% na comparação anual.

B3 registra alta no novembro, mas perdas nos vencimentos seguintes

Na B3, os futuros brasileiros apresentavam comportamento diferente daquele observado em Chicago, depois de terem encerrado a terça-feira com ganhos generalizados.

Por volta das 14h07, o contrato novembro/26 era negociado a R$ 67,61 por saca de 60 quilos, com valorização de 0,39%. O janeiro/27, entretanto, recuava 0,26%, cotado a R$ 71,58, enquanto o março/27 apresentava baixa de 0,22%, para R$ 75,73. O maio/27 perdia 0,47%, negociado a R$ 74,85 por saca.

O comportamento mostra que a recuperação de Chicago ainda não se traduzia em ganhos generalizados nos futuros brasileiros.

Além das oscilações internacionais, o mercado doméstico continua acompanhando o câmbio, as condições regionais de comercialização e as perspectivas da produção brasileira para 2027.

Nesta semana, a StoneX elevou em 1,4 milhão de toneladas sua estimativa para a primeira safra brasileira de milho 2026/27, passando a projetar 30,68 milhões de toneladas. Para a segunda safra, a consultoria estima produção de 113,53 milhões de toneladas.

A disponibilidade doméstica e o comportamento dos compradores também permanecem relevantes. Em seu boletim semanal, a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, destacou que os juros elevados limitam a capacidade das indústrias de antecipar compras e formar estoques, mesmo diante de preços mais baixos.

Para os produtores brasileiros, a divergência entre Chicago e B3 nesta quarta-feira reforça a importância de acompanhar as referências internacionais e as condições efetivas de comercialização. A continuidade da recuperação americana dependerá do comportamento dos investidores e da evolução dos fundamentos de oferta e demanda, enquanto o mercado doméstico segue influenciado por fatores próprios.

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