Soja acumula 3ª queda seguida em Chicago e janeiro se aproxima dos US$ 12,00 nesta 4ª feira com pressão das expectativas de oferta

Revisões de produção nos EUA e no Brasil e posicionamento dos fundos mantêm mercado pressionado antes do novo USDA
Publicado em 04/11/2026 16:38

Logotipo Notícias Agrícolas

Os preços futuros da soja registraram mais uma sessão de perdas na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quarta-feira (4), prolongando o movimento negativo observado desde o início de novembro. O contrato janeiro/27 voltou a se aproximar dos US$ 12,00 por bushel, em um mercado que continua avaliando as perspectivas de maior produção nos Estados Unidos e no Brasil, o comportamento dos fundos de investimento e a capacidade da demanda internacional de absorver a oferta projetada.

Nas últimas cotações apresentadas pela Barchart, o contrato novembro/26 era negociado a US$ 11,9325 por bushel, com recuo de 9,75 cents, equivalente a 0,81%. O janeiro/27 perdia 11,75 cents, cotado a US$ 12,0225, enquanto o março/27 apresentava baixa de 10,50 cents, para US$ 12,1025. O maio/27 recuava 9,75 cents, negociado a US$ 12,1975 por bushel.

A pressão esteve presente desde a abertura. Durante o pregão, o janeiro/27 chegou a negociar a US$ 11,9975 por bushel, rompendo momentaneamente a marca dos US$ 12,00, antes de recuperar parte das perdas.

O movimento representa a terceira sessão consecutiva de desvalorização dos futuros da oleaginosa. Na segunda-feira (2), o janeiro/27 havia recuado 17,50 cents, enquanto na terça-feira (3) perdeu outros 2,75 cents, encerrando a US$ 12,1400 por bushel.

Projeções de produção ampliam atenção à oferta

As expectativas de disponibilidade internacional continuam entre os principais fundamentos acompanhados pelos operadores, especialmente depois das novas estimativas divulgadas pela StoneX.

Nos Estados Unidos, a consultoria elevou sua projeção de produtividade da soja em 0,9 bushel por acre, para 55 bushels por acre. Com a revisão, a estimativa de produção americana foi ampliada em 77 milhões de bushels, alcançando 4,725 bilhões de bushels para a temporada 2026/27.

No Brasil, a StoneX também aumentou sua projeção para a próxima safra, passando a estimar 184,95 milhões de toneladas, crescimento de 1,59 milhão de toneladas em relação ao levantamento anterior.

As revisões reforçam as expectativas de oferta elevada nas duas principais origens produtoras mundiais, embora os resultados ainda dependam de confirmação. Nos Estados Unidos, a colheita está próxima do encerramento, enquanto no Brasil o desenvolvimento das lavouras permanece condicionado à evolução das condições climáticas.

Segundo o último levantamento da AgRural, o plantio brasileiro alcançou 53% da área prevista para 2026/27, acima dos 47% registrados no mesmo período do ano passado.

Demanda americana continua forte, mas não sustenta Chicago

Apesar das perdas recentes, os Estados Unidos continuam apresentando volumes expressivos de comercialização e embarques de soja.

Na terça-feira (3), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou uma nova venda de 134 mil toneladas para destinos não revelados, com entrega prevista para a temporada comercial 2026/27. A operação ocorreu um dia depois da confirmação de outra venda, de 136 mil toneladas, destinada à China.

Os dados mais recentes de inspeções para exportação também mostraram movimentação elevada. Na semana encerrada em 29 de outubro, os Estados Unidos inspecionaram 2,44 milhões de toneladas de soja, enquanto o volume acumulado da temporada alcançou 12,18 milhões de toneladas, crescimento de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os números mostram que a demanda externa permanece ativa, mas não têm sido suficientes para sustentar uma recuperação dos preços diante das expectativas de oferta.

A atenção dos operadores também se volta ao posicionamento dos fundos de investimento. Segundo análises recentes de mercado, os gestores de recursos mantêm exposição comprada expressiva na soja, o que pode ampliar a volatilidade caso decidam reduzir essas posições diante das revisões de produção e das perspectivas de preços.

Novo relatório do USDA entra no radar

O mercado também se prepara para a próxima atualização de oferta e demanda do USDA, prevista para 10 de novembro.

O levantamento deverá apresentar novas estimativas oficiais para a produção norte-americana e para os estoques, permitindo avaliar as diferenças em relação às projeções divulgadas pelas consultorias privadas.

A proximidade da publicação aumenta a atenção sobre possíveis revisões de produtividade e produção, especialmente depois das estimativas mais elevadas apresentadas pela StoneX.

No Brasil, a formação dos preços continua dependendo da combinação entre Chicago, câmbio e prêmios de exportação.

A valorização recente do dólar frente ao real oferece um elemento de sustentação às referências domésticas, mas o comportamento dos compradores e as expectativas de uma safra brasileira volumosa também influenciam as oportunidades de comercialização.

Para os produtores brasileiros, a continuidade das perdas internacionais reforça a importância de acompanhar as condições de venda e as perspectivas climáticas. O desenvolvimento das lavouras durante novembro e os próximos números do USDA deverão acrescentar informações importantes ao balanço de oferta e demanda da soja.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário