Dólar recua ante o real após BC manter Selic inalterada
![]()
Por Igor Sodre
SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - O dólar operava em leve queda ante o real nesta quinta-feira, com os agentes reagindo à decisão do Banco Central de interromper o ciclo de cortes nos juros iniciado em março e manter a Selic em 13,75% ao ano.
Às 10h50, o dólar à vista tinha variação negativa de 0,39%, a R$5,4297 na venda.
Na noite de quarta-feira, o BC manteve a Selic inalterada, em sua primeira decisão de política monetária após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que surpreendeu os mercados e derrubou ativos brasileiros.
Prevendo inflação mais alta nos próximos anos, a autarquia deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.
O BC ressaltou que seguirá acompanhando a evolução do cenário “para manter a restrição adequada” com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta. A decisão pela manutenção da taxa em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, foi definida de maneira unânime pela diretoria da autarquia.
Na leitura de analistas da XP, o Comitê sugere que "uma interrupção no ciclo de calibração de juros agora é necessária para conter as pressões inflacionárias, mas ao mesmo tempo não vê necessidade de uma postura monetária ainda mais contracionista neste momento".
Nesse contexto, a instituição financeira projeta que a Selic permanecerá em 13,75% até o final do próximo ano, "em que pese a elevada incerteza global e local".
Na manhã desta quinta, ao ser perguntado sobre a decisão do Copom, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não faria "comentários valorativos" sobre a decisão, mas disse que a taxa de juros no Brasil é alta e que isso prejudica todos os setores da economia.
Além da decisão de juros, localmente, os agentes também avaliam dados econômicos. Mais cedo, foi divulgado que a produção industrial no Brasil teve queda de 0,8% em setembro em comparação com o mês anterior. A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de retração de 0,2% no dado mensal. Esse foi o resultado mais fraco para meses de setembro desde 2022.
O mercado também monitora as sinalizações sobre a condução econômica no novo governo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula vai fazer um pronunciamento televisionado no domingo para reafirmar seu compromisso com a disciplina orçamentária, mas sem fornecer detalhes sobre as políticas, afirmaram duas fontes com conhecimento direto do assunto.
No exterior, o dólar opera em leve alta, próximo da estabilidade, um dia após a forte queda impulsionada pelo resultado das eleições de meio de mandato, que mostraram uma vitória acachapante dos democratas no Senado e na Câmara dos Estados Unidos.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,16%, a 101,630.
Na quarta-feira, o dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,64%, aos R$5,4511.
(Por Igor Sodré; edição de Isabel Versiani)
0 comentário
BC corta Selic em 0,25 ponto, a 14,75%, e defende cautela na calibração dos juros à frente
BC corta Selic em 0,25 ponto, a 14,50%, e prega cautela nos próximos passos de calibração dos juros
Dólar abre em queda no Brasil em linha com o exterior após Copom cortar juros
BC corta Selic em 0,25 ponto, a 14,25%, e deixa próximos passos em aberto
Dólar fecha em leve baixa apesar de reação negativa ao reajuste do Bolsa Família
Dólar opera estável ante o real após BC manter Selic inalterada