Boa Tarde Agro - Agro da região de Chapecó/SC já contabiliza R$ 13 milhões de prejuízo após tornado

Paraná já contabiliza perda de potencial produtivo para soja, milho e feijão
Publicado em 05/11/2026 16:12
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti

Logotipo Notícias Agrícolas

A quinta-feira foi marcada por fortes impactos climáticos nas lavouras do Sul do Brasil e por movimentações negativas nas principais bolsas de commodities agrícolas internacionais. Entre os destaques, o levantamento preliminar dos estragos causados por tornados em Santa Catarina apontou perdas milionárias para o agronegócio, enquanto o mercado futuro de grãos em Chicago fechou em queda após a divulgação dos dados de vendas para exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Tornados deixam prejuízo de R$ 13 milhões em Chapecó e alertas continuam

Um levantamento preliminar divulgado pela Secretaria de Agricultura e Pesca de Chapecó e pela Epagri revelou que a passagem de um tornado no oeste catarinense gerou ao menos R$ 13 milhões em prejuízos diretos à agropecuária local. As perdas atingiram lavouras de milho, trigo, horticultura, bovinocultura de leite, reflorestamento e granjas avícolas.

O setor de horticultura concentrou a maior fatia dos danos, somando cerca de R$ 6 milhões em infraestruturas danificadas. No milho, a estimativa aponta para a perda de 4 mil toneladas (prejuízo de R$ 3,74 milhões), e no trigo, cerca de 490 toneladas (R$ 653 mil). Na pecuária de leite, as perdas chegam a 150 mil litros devido à tempestade e à interrupção de energia elétrica, totalizando R$ 410 mil. Na avicultura, foram registrados R$ 500 mil em perdas estruturais e a morte de 6.500 perus.

O cenário meteorológico segue em estado de atenção. A formação de uma frente fria ligada a um ciclone extratropical no Oceano Atlântico colocou áreas do Sul e do Sudeste sob alerta para tempestades, vendavais de até 100 km/h e granizo até o final de semana, com avisos do Inmet e da Defesa Civil atingindo Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Ameaça do El Niño e atraso no plantio do Paraná

O impacto do clima adverso já repercute no potencial produtivo do país. Um estudo conduzido pela Serasa Experian apontou que a intensidade severa do fenômeno El Niño pode retirar mais de 17 milhões de toneladas de soja do mercado nacional, o que representaria uma quebra de quase 10% no volume colhido e um prejuízo potencial de R$ 33 bilhões.

No Paraná, o Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP destacou preocupação com o excesso de chuvas e a falta de luminosidade, que já afetam a produtividade das lavouras de feijão e atrasam o plantio da soja. O atraso no ciclo da oleaginosa também ameaça estreitar a janela ideal de semeadura do milho safrinha de 2024.

USDA e óleo derrubam cotações da soja em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços da soja iniciaram o pregão em alta, mas inverteram o sinal e fecharam em queda após o relatório semanal de exportações do USDA. As vendas semanais de soja norte-americana recuaram 44% em relação à semana anterior, apesar de os embarques terem atingido a máxima da temporada. Os contratos futuros recuaram entre 9 e 12,50 pontos, com os vencimentos de novembro, janeiro e março operando abaixo de US$ 12 por bushel.

Em entrevista ao programa, o diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, explicou a dinâmica do dia: "Não foi um número totalmente ruim, tivemos uma confirmação de venda de pouco mais de 1,4 milhão de toneladas, mas foi bem abaixo da semana passada. Além disso, pesou muito a derrocada do óleo de soja e do petróleo, em meio às incertezas sobre o programa de biocombustíveis nos Estados Unidos e as posições compradas dos fundos especulativos que estão sendo liquidadas", ressaltou.

Relações China-EUA e competitividade do produto brasileiro

Outro ponto de pressão foi a declaração de autoridades chinesas condicionando a continuidade da ampliação de compras agrícolas dos EUA à reciprocidade na retirada de tarifas comerciais. Segundo Palavro, embora a China venha cumprindo o ritmo de compras de soja (cerca de 18 milhões de toneladas compradas de 25 milhões prometidas), o valor total em dólares ainda está aquém da meta acordada.

No mercado brasileiro, o analista explicou que o dólar mais alto atuou como suporte parcial, mas foi insuficiente para conter as quedas internas. "A nossa competitividade para a soja disponível ainda é boa porque o frete marítimo do Brasil para a China está mais barato que o do Golfo americano. Já nos aproximamos de 112 milhões de toneladas compromissadas para exportação na safra velha. Contudo, para a safra nova, o produtor brasileiro vendeu menos de 40% e precisa monitorar janelas estratégicas de venda para garantir fluxo de caixa, principalmente diante das incertezas climáticas e das pressões em Chicago", avaliou Palavro.

Implicações para o setor

O momento exige prudência redobrada do produtor rural brasileiro. A combinação de adversidades climáticas no Centro-Sul com a volatilidade cambial e a pressão baixista em Chicago reforça a necessidade de gestão de risco e disciplina na comercialização, aproveitando repiques pontuais de preços ou utilizando ferramentas de proteção nas bolsas para travar custos e proteger a rentabilidade da safra.

* Com auxílio de IA

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário