Relatório do USDA e declaração da China pressionaram soja em Chicago nesta quinta-feira
Relatório do USDA e declaração da China pressionaram soja em Chicago nesta quinta-feira
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Soja perde os US$ 12 em Chicago e pode cair mais, alerta Pátria Agronegócios; fundos e China pressionam mercado
Cristiano Palavro avalia que liquidação de posições compradas ainda pode ampliar perdas; no Brasil, dólar sustenta parte dos preços, mas produtor precisa observar oportunidades de comercialização
Os preços futuros da soja voltaram a registrar perdas expressivas na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira (5), com os três primeiros vencimentos negociados abaixo dos US$ 12,00 por bushel. O movimento ocorreu em meio à divulgação de novos números de vendas para exportação dos Estados Unidos, às incertezas nas relações comerciais com a China e à pressão sobre o óleo de soja. Para Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, o mercado ainda apresenta espaço para novas desvalorizações, especialmente diante das posições compradas mantidas pelos fundos de investimento.
Nas últimas cotações apresentadas pela Barchart, o contrato novembro/26 era negociado a US$ 11,8100 por bushel, com queda de 12,25 cents. O janeiro/27 recuava 14,00 cents, cotado a US$ 11,8825, enquanto o março/27 também perdia 14,00 cents, para US$ 11,9625. O maio/27 registrava baixa de 13,50 cents, negociado a US$ 12,0625 por bushel.
A soja chegou a iniciar a quinta-feira em alta, tentando interromper a sequência de perdas observada desde o começo de novembro. Entretanto, o movimento perdeu força ao longo da sessão, e o contrato janeiro/27, que alcançou US$ 12,1000 por bushel durante o pregão, acabou retornando para abaixo dos US$ 12,00.
Vendas americanas e queda do óleo de soja pressionam Chicago
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quinta-feira, Cristiano Palavro destacou que o relatório semanal de vendas para exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou números positivos, mas inferiores aos registrados na semana anterior.
Segundo o analista, as vendas americanas de soja superaram 1,4 milhão de toneladas, volume que representa uma redução em relação ao resultado mais expressivo do levantamento anterior. Apesar da desaceleração semanal, ele ressalta que a demanda internacional permanece relevante, com a China mantendo participação nas compras.
O diretor da Pátria Agronegócios avalia, entretanto, que o comportamento da soja nesta quinta-feira também foi influenciado pela queda do óleo de soja, diante da pressão sobre o petróleo e das incertezas relacionadas ao programa de biocombustíveis norte-americano.
"Eu vejo que hoje também pesou muito sobre o mercado essa nova queda que a gente teve para o óleo de soja. O petróleo teve uma derrocada após as eleições norte-americanas, essa perspectiva de que um acordo pode se aproximar lá na guerra entre Estados Unidos e Irã, e essa derrocada do petróleo de ontem ainda está refletindo no mercado de óleo, junto com dúvidas que ainda restam sobre o programa de biocombustíveis nos Estados Unidos", explicou.
Na avaliação de Palavro, a combinação desses fatores mantém as cotações pressionadas, mesmo com a colheita americana se aproximando do encerramento e com a demanda externa ainda presente.
Fundos mantêm posições compradas e podem ampliar pressão
Um dos principais pontos de atenção destacados pelo especialista é o posicionamento dos fundos de investimento na Bolsa de Chicago.
Palavro explicou que, embora esses agentes já tenham realizado parte de suas posições compradas nas últimas semanas, a soja ainda apresenta uma exposição considerável, diferentemente do que aconteceu com o milho.
Segundo ele, os fundos chegaram a sustentar aproximadamente 260 mil contratos líquidos comprados de soja e reduziram essa exposição para algo entre 180 mil e 184 mil contratos, conforme os números utilizados em sua análise.
"Na soja, eles chegaram a sustentar quase 260 mil contratos líquidos comprados, foram liquidando isso ao longo das últimas semanas, só que num ritmo bem mais lento do que foi no milho", destacou.
Para Palavro, essa diferença representa um risco adicional de pressão sobre as cotações caso os investidores continuem reduzindo suas posições.
"A realização de lucros dessas posições, a liquidação dessas posições ainda mostra potencial para Chicago operar um pouco mais baixo, sim", afirmou.
O especialista também considera que o período sazonalmente desfavorável aos preços pode se prolongar por mais algumas semanas. Embora a colheita americana esteja próxima do encerramento, a expectativa de tempo seco em importantes regiões produtoras deve favorecer a conclusão dos trabalhos de campo.
China cobra reciprocidade dos EUA e mantém incertezas sobre acordo comercial
As relações comerciais entre Estados Unidos e China também ganharam destaque nesta quinta-feira.
Durante a entrevista, Palavro comentou declarações de representantes chineses condicionando a ampliação das compras de produtos americanos à reciprocidade na retirada de tarifas comerciais.
Na avaliação do analista, o posicionamento representa uma resposta às cobranças recentes do governo norte-americano pelo cumprimento dos compromissos comerciais assumidos entre os dois países.
Segundo suas estimativas, a China já teria adquirido pelo menos 18 milhões de toneladas de soja americana, diante de um compromisso de 25 milhões de toneladas. Entretanto, ele considera que a participação chinesa nas compras de outros produtos agrícolas, como milho, sorgo e DDG, ainda estaria abaixo do esperado.
O especialista ressalta que o mercado continua sensível a possíveis mudanças no relacionamento comercial entre as duas potências, especialmente porque eventuais desentendimentos poderiam alterar os fluxos internacionais de soja.
"Se a gente tiver qualquer tipo de desacordo nesse momento, ele pode ser muito penalizado para a ponta Chicago, mas não seria ruim para o Brasil porque a gente teria prêmios mais atrativos por aqui", avaliou.
Nesse cenário, uma eventual intensificação das divergências poderia ampliar a competitividade brasileira no atendimento à demanda chinesa, embora os impactos dependam das condições efetivas de comércio e da reação dos compradores.
Dólar oferece sustentação, mas não consegue compensar perdas de Chicago
No Brasil, Palavro destacou que a valorização recente do dólar frente ao real tem ajudado a sustentar os preços da soja, embora esse movimento não esteja sendo suficiente para compensar integralmente a pressão internacional.
Segundo o analista, Chicago apresentou quedas nas últimas semanas, enquanto os prêmios de exportação brasileiros não registraram uma recuperação expressiva.
A combinação tem limitado a formação dos preços domésticos, mesmo diante de uma taxa de câmbio mais favorável aos exportadores.
O diretor da Pátria Agronegócios também destacou que a soja brasileira permanece competitiva no mercado internacional, inclusive durante um período em que os Estados Unidos concentram a disponibilidade de sua colheita.
Um dos fatores apontados é o custo do transporte marítimo até a China, atualmente mais favorável em determinadas operações realizadas a partir do Brasil do que nas exportações pelo Golfo dos Estados Unidos.
Palavro avalia que essa vantagem pode contribuir para sustentar os embarques brasileiros na reta final de 2026 e no início de 2027.
Segundo suas estimativas, o Brasil já se aproxima de 112 milhões de toneladas de soja comprometidas para embarque da safra anterior, com possibilidade de superar as projeções atuais de exportação, situadas entre 115 milhões e 116 milhões de toneladas.
O especialista ressalta, entretanto, que a chegada antecipada da próxima colheita brasileira será importante para recompor a disponibilidade doméstica.
Comercialização da safra 2027 exige atenção do produtor
Para a próxima safra brasileira, Palavro considera que as perspectivas de produção elevada e o ritmo ainda moderado de comercialização antecipada exigem atenção dos produtores.
Segundo levantamento utilizado pela Pátria Agronegócios, menos de 40% da safra 2026/27 estaria comercializada antecipadamente.
O analista avalia que parte dos compradores ainda trabalha com a expectativa de uma produção brasileira volumosa, o que reduz o senso de urgência nas negociações e limita a reação dos prêmios de exportação.
Caso não ocorram problemas climáticos relevantes, Palavro considera possível uma produção brasileira entre 180 milhões e 182 milhões de toneladas, cenário que tende a manter pressão sobre as referências internacionais e domésticas.
Para os agricultores que já concluíram o plantio e precisam gerar caixa nos primeiros meses de 2027, o especialista recomenda acompanhar as oportunidades disponíveis, sem necessariamente esperar pela recuperação integral das cotações.
"Não é o melhor momento do ano, mas ainda é um preço. É difícil dizer que é remunerador ou não, porque os compromissos de cada um são muito individuais, a gente sabe que tem muito investimento, muita gente tem conta para trás ainda para pagar, mas vejo que ainda assim é um momento para manter a atenção no mercado e ir escalonando essas vendas daqui para frente", orientou.
Na avaliação de Palavro, a comercialização escalonada pode ajudar o produtor a distribuir os riscos em um cenário de volatilidade, especialmente considerando as necessidades financeiras individuais e as incertezas relacionadas ao desenvolvimento da safra.
O comportamento dos fundos em Chicago, as negociações entre China e Estados Unidos, a evolução dos prêmios brasileiros e as condições climáticas nas regiões produtoras continuarão entre os fatores determinantes para as próximas oportunidades de comercialização.
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