Trigo abre a sexta-feira com desvalorização de 1,5% em Chicago com diversos fatores negativos pesando

Demanda enfraquecida, maior produção argentina e melhora dos fluxos no Mar Negro pressionam mercado
Publicado em 06/11/2026 09:38

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Os preços futuros do trigo iniciaram a sexta-feira (6) em queda expressiva na Bolsa de Chicago (CBOT), com o contrato dezembro/26 retornando à região dos US$ 5,90 por bushel. O movimento ocorre em um cenário de enfraquecimento das referências internacionais do cereal, depois de a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontar queda dos preços mundiais em outubro, diante da demanda mais fraca, da melhora das perspectivas produtivas e das expectativas de maior disponibilidade para exportação.

Por volta das 9h23 (horário de Brasília), o contrato dezembro/26 era negociado a US$ 5,9025 por bushel, com queda de 9,00 cents, equivalente a 1,50%. O março/27 recuava 8,75 cents, cotado a US$ 6,0100, enquanto o maio/27 perdia 8,50 cents, para US$ 6,0600. O julho/27 apresentava desvalorização de 8,00 cents, negociado a US$ 6,1200 por bushel.

As perdas ocorrem depois de uma quinta-feira (5) de pequenas oscilações em Chicago, quando o dezembro/26 encerrou a US$ 5,9925 por bushel, com valorização de 0,13%. A pressão desta manhã amplia a distância em relação aos US$ 6,00, patamar que o mercado vem tentando recuperar nos últimos pregões.

FAO aponta queda dos preços internacionais após quatro meses de alta

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a FAO informou que seu índice internacional de preços dos cereais apresentou redução de 4,5% em outubro, alcançando 116,8 pontos. Na comparação com o mesmo mês de 2025, o indicador ficou 12,6% menor.

No caso do trigo, os preços internacionais recuaram depois de quatro meses consecutivos de valorização, refletindo principalmente o enfraquecimento da demanda e a melhora das perspectivas de produção em importantes países fornecedores.

A Argentina aparece entre os principais destaques. Segundo a organização, as expectativas mais favoráveis para a produção argentina contribuíram para pressionar as cotações internacionais, diante da possibilidade de maior disponibilidade do cereal para o comércio externo.

Outro fator acompanhado é a situação logística na região do Mar Negro. A FAO destacou que as expectativas de redução das restrições às exportações acrescentaram pressão sobre os preços, embora as dificuldades operacionais ainda presentes na região tenham limitado parte desse movimento.

A combinação entre disponibilidade internacional e concorrência entre fornecedores segue influenciando a formação das cotações nas principais bolsas.

Vendas americanas recuam após resultado expressivo

Do lado da demanda norte-americana, os números mais recentes de vendas para exportação também mostraram desaceleração.

Segundo levantamento divulgado pela U.S. Wheat Associates, com base nos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas semanais de trigo ficaram próximas de 538 mil toneladas na semana encerrada em 29 de outubro.

O resultado representa queda de aproximadamente 36,7% em relação às 849,8 mil toneladas registradas na semana anterior, quando as contratações haviam alcançado o maior volume da temporada comercial 2026/27.

Apesar da redução, os negócios continuam representando demanda efetiva pelo produto norte-americano. Entretanto, a concorrência internacional permanece como um desafio para a competitividade das exportações dos Estados Unidos.

As perspectivas de maior disponibilidade em países como Argentina e Rússia, juntamente com as condições de transporte e os custos logísticos, continuam influenciando as decisões dos compradores internacionais.

Oferta global e novo USDA permanecem no radar

Além dos preços, a FAO divulgou nesta sexta-feira novas estimativas para o balanço mundial de cereais.

A organização projeta produção global de aproximadamente 2,999 bilhões de toneladas em 2026, volume inferior ao recorde de 2025, mas ainda correspondente à segunda maior produção da história.

Para o trigo, a expectativa é de redução da produção mundial em relação ao ciclo anterior. Entretanto, o relatório também aponta perspectivas de enfraquecimento do comércio internacional, com retração estimada em 8,6% para a temporada 2026/27.

Os estoques mundiais de cereais, por sua vez, deverão apresentar crescimento, com destaque para a acumulação de trigo na Rússia e na Ucrânia, em decorrência das dificuldades enfrentadas nos fluxos de exportação.

Os operadores também aguardam o próximo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para terça-feira (10), que poderá apresentar novas referências para a produção e os estoques internacionais.

Mercado brasileiro acompanha qualidade e necessidade de importações

No Brasil, o comportamento das cotações internacionais permanece como uma das referências para a formação dos preços, mas o mercado doméstico também enfrenta questões próprias de oferta e qualidade.

Levantamentos recentes do Cepea apontam que a disponibilidade restrita de trigo de melhor qualidade e a valorização do dólar têm oferecido sustentação às cotações nacionais, mesmo diante das perdas observadas no mercado externo.

As condições da safra brasileira, especialmente nas regiões afetadas pelo excesso de chuvas durante a colheita, continuam influenciando a disponibilidade de produto adequado às necessidades da indústria moageira.

A Argentina também permanece como referência importante para o abastecimento brasileiro. A perspectiva de uma produção maior no país vizinho pode ampliar a disponibilidade de trigo para exportação, mas seus efeitos sobre os preços domésticos dependerão das condições de qualidade, câmbio, logística e negociação.

Para os produtores brasileiros, a queda dos futuros em Chicago reforça a necessidade de acompanhar não apenas as referências internacionais, mas também os diferenciais regionais de qualidade e as condições de demanda dos moinhos.

A evolução do comércio mundial, os fluxos de exportação pelo Mar Negro e as próximas estimativas do USDA continuarão entre os principais fatores acompanhados pelo mercado.

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