Tomate longa vida sobe 30% e atinge maior preço da série histórica na Ceasa/RS

Quilo chega a R$ 15 no atacado gaúcho diante da oferta restrita em diferentes regiões do país; temperaturas amenas atrasaram a maturação e a colheita dos frutos
Publicado em 06/11/2026 14:21

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O tomate longa vida atingiu o maior preço da série histórica de levantamentos da Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa/RS), chegando a R$ 15,00 por quilo na cotação de terça-feira (3). O valor representa uma alta de 30,43% em relação à semana anterior, quando o produto era negociado a R$ 11,50, refletindo a redução da oferta em diferentes regiões produtoras do Brasil.

Os dados foram apresentados no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (5). Segundo a entidade, o cenário atual é considerado atípico para a comercialização do tomate longa vida, com dificuldades de abastecimento associadas à transição entre ciclos produtivos e aos efeitos das condições climáticas sobre o desenvolvimento das lavouras.

A redução da disponibilidade ocorre porque os cultivos mais antigos, principalmente na Região Sudeste, já foram colhidos, enquanto as novas áreas ainda não começaram a fornecer volumes suficientes ao mercado. As temperaturas amenas registradas durante a primavera também dificultaram a maturação dos frutos, adiando parte das colheitas previstas e prolongando o período de menor oferta.

No Rio Grande do Sul, a situação é agravada pela entressafra local. A nova produção estadual ainda não começou a ser colhida, e as temperaturas mais baixas observadas ao longo da primavera retardaram o desenvolvimento das plantas, limitando a disponibilidade de tomate gaúcho neste início de novembro.

A Emater destaca que os preços elevados não estão restritos ao mercado gaúcho. A valorização também é observada em importantes polos de comercialização de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, indicando que a redução da oferta tem abrangência maior do que as dificuldades enfrentadas pelos produtores do Rio Grande do Sul.

As cotações acompanhadas pelo Notícias Agrícolas também mostram preços elevados em outros centros atacadistas. Na quinta-feira (5), o tomate longa vida das variedades Carmem e Débora, classificação Extra, foi negociado a R$ 12,50 por quilo na Ceasa de Campinas (SP). Na Ceagesp, em São Paulo, os tomates Carmem 3A e Débora 3A foram cotados a R$ 13,98 e R$ 13,89 por quilo, respectivamente.

Embora os valores indiquem um cenário de preços elevados, as diferenças de variedades, classificações comerciais e mercados impedem uma comparação direta entre todas as cotações.

## Oferta pode se recuperar nas próximas semanas

Apesar do recorde registrado no Rio Grande do Sul, a análise apresentada pela Ceasa/RS aponta possibilidade de redução dos preços nas próximas semanas, à medida que novas áreas produtoras avancem na maturação e na colheita dos frutos.

A entidade considera pouco provável que a cotação do tomate longa vida ultrapasse o patamar atual de R$ 15,00 por quilo no mercado gaúcho. Essa avaliação leva em conta a possibilidade de recuperação gradual da oferta e os efeitos dos preços elevados sobre o comportamento dos compradores.

O tomate é o produto de maior volume comercializado na Ceasa/RS, segundo o levantamento. Por isso, a valorização pode influenciar os hábitos de consumo, estimulando a procura por alternativas e limitando a sustentação de preços muito elevados por períodos prolongados.

A perspectiva de recuo, entretanto, dependerá da entrada efetiva da nova produção no mercado, especialmente nas regiões onde as temperaturas mais amenas atrasaram o desenvolvimento das lavouras.

Os efeitos das condições climáticas também aparecem no comportamento de outras hortaliças. Enquanto o tomate enfrenta restrição de oferta, as folhosas e brássicas comercializadas na Ceasa/RS apresentaram boa disponibilidade e qualidade, favorecidas pela melhora das condições de desenvolvimento das plantas. Esse cenário contribuiu para a manutenção de preços mais baixos nesses grupos durante a semana.

No balanço geral da central gaúcha, dos 35 principais produtos acompanhados, 14 apresentaram estabilidade nas cotações, nove registraram aumento e 12 tiveram redução. O tomate longa vida foi o único produto a apresentar valorização superior a 25%, critério utilizado pela Ceasa/RS para destacar as principais altas e baixas semanais.

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