Primeiro corredor de umidade da estação chuvosa deve favorecer plantio da soja no Brasil central
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A formação do primeiro corredor de umidade da estação chuvosa deve favorecer a ocorrência de chuvas mais frequentes em áreas produtoras do Brasil central a partir deste domingo (8). O sistema, associado à passagem de uma frente fria pela costa do Sudeste, deve levar chuva a regiões que ainda enfrentam irregularidade na distribuição das precipitações, contribuindo para a recuperação da umidade do solo e favorecendo o avanço do plantio.
Segundo a meteorologista Amanda Balbino, da Ampere, o corredor deve começar a se organizar no domingo e permanecer ativo até terça-feira (10), quando tende a perder força. Embora não seja um sistema tão robusto, a chuva recorrente ao longo desses dias pode trazer algum alívio para áreas que vinham registrando condições mais secas.
"É o primeiro da estação chuvosa e deve contribuir para fazer uma reposição melhor de umidade dentro dessas áreas mais centro-norte do país, uma região que estava um pouco mais seca, especialmente ali no Matopiba", destacou.
Chuva alcança áreas produtoras
A previsão indica que o corredor de umidade deve favorecer precipitações em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e áreas do Matopiba, incluindo o oeste da Bahia, sul do Piauí, Maranhão e Tocantins.
Para os próximos cinco dias, os acumulados podem ficar entre 30 e 50 milímetros em partes dessas regiões. Também são esperados volumes importantes em áreas de Goiás, noroeste de Minas Gerais e leste de Mato Grosso, onde a chuva deve ser mais volumosa.
Segundo Amanda, a persistência das precipitações durante alguns dias é importante para melhorar as condições hídricas do solo, especialmente nas regiões que enfrentaram períodos de maior irregularidade.
"Isso ajuda na recorrência de chuva ali nessas regiões que estavam mais secas, como a do Matopiba, a ter uma recuperação de umidade melhor do solo. Especialmente a safra da soja ganha ritmo nessas regiões", afirmou.
Corredor perde força, mas chuva não desaparece
Apesar da melhora prevista, Amanda ressalta que o corredor de umidade terá duração limitada. A tendência é de enfraquecimento entre terça e quarta-feira, mas isso não significa o fim das chuvas no Brasil central.
A meteorologista explica que outros sistemas atmosféricos, como a Alta da Bolívia, também contribuem para a formação de instabilidades nesta época do ano. A atuação desse sistema favorece a ocorrência de pancadas de chuva, embora sem a mesma organização de um corredor de umidade.
"Não quer dizer que não vai ter mais chuva ali para essas regiões centrais, regiões do Matopiba. Essa circulação de Alta da Bolívia é bastante importante agora para a estação chuvosa, porque acaba favorecendo também a formação de tempestades dentro dessa região central, norte e partes do Nordeste", explicou.
Chuva ainda ficará abaixo da média em novembro
Mesmo com o avanço das precipitações, o cenário para novembro ainda exige atenção. As projeções da Ampere indicam que o acumulado de chuva deve permanecer abaixo da média histórica em áreas do Matopiba, norte de Mato Grosso, Pará e Amazonas.
A irregularidade das precipitações também aparece no balanço hídrico apresentado pela meteorologista. Em algumas áreas do oeste da Bahia e do Piauí, a umidade do solo ainda está próxima de 10%, enquanto outras localidades já apresentam índices melhores.
Com a chegada do corredor, a expectativa é de recuperação desses níveis em algumas regiões, mas ainda será necessário que as chuvas ocorram com maior frequência e volumes mais expressivos para reverter o déficit hídrico.
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