DA REDAÇÃO: Início da colheita nos EUA pressiona mercados em Chicago nesta quarta-feira
A instabilidade no mercado financeiro volta a influenciar as cotações do complexo de grãos na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (21). Somado ao início da colheita da safra norte-americana, fundamentos começam a ser baixistas para o curto prazo dos preços no cenário internacional. Por outro lado, especulação de compra por parte da China e a quebra na produtividade nos Estados Unidos sustentam uma tendência de alta para o médio e longo prazo.
Direto de Nova Iorque, o analista de mercado da Newedge Corretora, Daniel D’Avila avalia que mesmo sem a confirmação em números que devem começar a ser divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos na próxima semana, o avanço da colheita no país pressiona o mercado dos grãos. “O mercado fica mais leve, cedendo uma pouco, mas não é baixista”, afirma.
Já é possível calcular perdas na produtividade norte-americana conforme o avanço nos trabalhos e, possivelmente, o levantamento final da temporada pode vir abaixo do volume projetado no último relatório de oferta e demanda do USDA de 41,8 bushel por hectare diante da forte influencia climática que deteriorou as lavouras de soja, milho e trigo no país.
Por outro lado, os fundos que liquidaram muitas posições da última semana para esta chamaram novamente investidores e compradores para o mercado. Especula-se que chineses observam o preço mais baixo do milho para continuar comprando cereal dos Estados Unidos. Para D’Avila, a demanda asiática deve permanecer mais forte no milho do que na soja.
Para esta tarde, os investidores no mercado financeiro aguardam o pronunciamento do presidente do Banco Central americano, Ben Bernanke, sobre um pacote de ajuda à economia do país. Muitos avaliam que este não surpreenda as bolsa, sem movimentar posições até a abertura da sessão de amanhã, 22 de setembro.
Daniel salienta que o problema financeiro na Zona do Euro ainda é grande e que a qualquer momento pode trazer muita (ou mais) instabilidade aos mercados. Com isso, uma diminuição na economia global pode causar retração na demanda por alimentos no mundo e derrubar a sustentação de preços.
No Brasil, a alta do dólar, que hoje ultrapassou R$ 1,80, remunera o produtor mais do que as movimentações e fundamentos do conjunto internacional. O analista avalia que ideal fosse que as cotações da soja subissem no ritmo da moeda americana e completasse a renda de um ano promissor para o agronegócio brasileiro.
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