DA REDAÇÃO: Demora em compras chinesas pode aumentar pressão sobre preços dos grãos

Grãos: Demanda pela soja norte americana recua e China dá sinais de desaceleração. Pode ser uma estratégia chinesa para forçar um atraso nas vendas da safra americana e consequentemente concorrer com a colheita no Brasil.
Publicado em 09/11/2011 13:27 | Atualizado em 09/11/2011 18:30
Números de produtividade para a soja divulgados hoje pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) pegaram de surpresa o mercado, avalia o analista de mercado da New Edge Consultoria, Daniel D’avilla. No entanto, os estoques finais foram aumentados. Para D’Ávilla o aumentos nos estoques é consequente da menor demanda pela oleaginosa americana e com isso, o mercado é baixista para o grão.

Já para o milho, o cenário é bem diferente, a produtividade e os estoques mundiais foram reduzidos e o mercado tem tendência de alta nos preços.

O analista destaca que no Brasil o USDA aumentou as estimativas de produção. “No mês passado tinha falado em 73,5 mi de toneladas e para esse mês falou em 75 mi de toneladas. Para Argentina reduziu de 56 para 52 milhoes de toneladas.”

No entanto, o que neste momento tem ditado o ritmo dos futuros das commodities agrícolas é o mercado financeiro. “Hoje, o dólar está operando em alta, com o dólar subindo há mais interesse para venda das commodities, que são cotadas no valor da moeda. Já o Euro está caindo, ou seja, a Europa não tem interesse em comprar commodities com a moeda fraca desse jeito”, explica o analista.

Ainda sobre o relatório americano, D’ávilla afirma que o mercado já está precificado e que os dados do boletim não deveriam trazer grandes movimentações. No entanto, a situação macroeconômica devem continuar puxando os preços para baixo.

Para o analista, o produtor brasileiro deve estar atendo as movimentações da China. Segundo ele, América do Sul e do Norte possuem bons estoques e plantio no Brasil vai muito bem. Se os chineses podem adiar suas compras, a oferta de soja será muito maior e o país asiático terá mais opções de compra e o mercado deve ficar pressionado.  “Se a China voltar a comprar logo e EUA tiver boas vendas podemos ver o preço subir. E, se o preço subir, o produtor deve vender por que dificilmente vamos ver preços mais altos do que os já observados no decorrer de 2011”, alerta o analista.

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