Argentina: Produção comprometida pela seca e falta de políticas agrícolas

Publicado em 30/04/2012 09:51 860 exibições
A colheita de grãos da América do Sul foi reduzida pela seca causada pelo La Niña nesta safra. Entre os países mais atingidos estão o Brasil e a Argentina, com prejuízos principalmente nas lavouras de soja e milho. A estiagem teve início em meados de outubro, na fase de desenvolvimento das plantações logo após o plantio, um momento determinante para as lavouras. 

Na Argentina, os principais pontos afetados pela falta de chuvas foram o norte de Buenos Aires, o Sul de Santa Fé e Córdoba e parte da província de Entre Rios, províncias que configuram a principal região produtora de grãos do país. 

A mais grave consequência desta estiagem foi a expressiva baixa de produtividade nos campos de soja e milho. Em alguns locais, no caso do cereal, o rendimento foi reduzido de oito mil para quatro mil quilos por hectare. 

“Normalmente, o milho fixa o número de grãos no período de floração. Foi justamente nesse período que mais faltou água. O resultado são espigas menores que o normal”, diz o agrônomo Fernando Musegne, pesquisador do INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina). 

Já na soja, as perdas não foram tão acentuadas. Em importantes regiões produtoras, a produtividade declinou de 3,6 mil para 2,8 mil quilos por hectare em função da seca. Na Argentina, há dois plantios da oleaginosa, um conhecido como a soja de primeira, que é plantada logo após o fim do inverno - entre o final de outubro e o começo de novembro - e a soja de segunda, que é semeada em dezembro depois da colheita do trigo. 

Os últimos números de um levantamento mensal feito pela Bolsa de Comércio de Rosário aponta para severas baixas nas produções de milho e soja. A expectativa inicial para a safra da oleaginosa era de 50 milhões de toneladas, hoje reduzida para 44 milhões. 

No caso do milho, espera-se uma colheita entre 18 e 19 milhões de toneladas. Este ano, a área destinada ao cereal teve um aumento de 10%. Porém, a chegada da seca impediu uma produção maior no país. 

As perdas registradas pela Argentina impactam direta e expressivamente a produção de grãos da América do Sul. “O impacto dessa seca na Argentina é muito forte. A América do Sul, como um todo, iria colher esse ano 136 milhões de toneladas, mas vai colher menos de 116 milhões, registrando uma perda de 20 milhões de toneladas. Isso afetou a geração, produção, consumo e estoques num balanço global. Os preços já subiram. O maior problema na Argentina é o problema político. A agricultura ao redor do mundo tem suporte estratégico de governo. É uma questão de soberania nacional. A Argentina está perdendo espaço”, explica Antônio Sartori, analista de mercado. 

Políticas - Além da seca e dos prejuízos que ela traz, os produtores argentinos ainda sofrem com um outro problema já bem conhecido por eles, o arrendamento de terras. Por ano, o custo de área de 700 hectares, por exemplo, é de US$ 350 mil. Esse valor chega a US$ 750 mil com os custos de implantação, manutenção e colheita da lavoura. 

Atualmente, 70% da produção argentina é oriuna de terras arrendadas. Só com o aluguel da terram os agricultores têm um gasto que varia de R$ 370 a R$ 900 por hectare por ano, e ainda têm de custear as lavouras com recursos próprios. 

Paralelamente, a falta de políticas agrícolas na nação sul-americana também compromete o bom desenvolvimento da atividade agrícola e faz com que os produtores tenham ainda mais gastos. Hoje, exportar grãos na Argentina implica o pagamento de altos impostos. A chamada retenção é de 35% para a soja, 23% para o milho e 20% para o trigo.

“Como na Argentina 70% da produção está na mão daqueles que não são donos da terra, é possível que muitos desses arrendatários tenham dificuldades para a próxima safra. Muitos vão ficar endividados, outros vão conseguir apenas pagar as contas e terão pouco dinheiro pra investir”, explica Raul Ochoa, economista. 

Com informações do Globo Rural. 
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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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