Milhares tomam as ruas e protestam pelo país, manifestações em 11 Estados

Publicado em 18/06/2013 07:15 e atualizado em 18/06/2013 12:15 760 exibições
Manifestantes realizaram passeatas em diversas capitais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte

Milhares tomam as ruas e protestam pelo país

 

00:30 - Data de uma das mais massivas manifestações públicas dos últimos trinta anos, esta segunda-feira, 17 de junho de 2013, entra para os livros de história e deixa um rastro de interrogações. Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas. No Rio, 100 mil; em São Paulo, 65.000; em Brasília, 10.000. E multidões em Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Vitória, Curitiba, Maceió, Fortaleza, Belém e diversas outras cidades do país. Seu cardápio de reivindicações era amplo e variegado: mais investimentos na saúde, mais dinheiro na educação, transporte público barato, fim da corrupção, rejeição do projeto de emenda constitucional que retira poderes de investigação do Ministério Público – e ainda questões locais. Elas se organizaram espontaneamente, sobretudo por meio da internet, e rejeitaram a tutela de qualquer grupo político – em contraponto com as marchas que lhes serviram de estopim, orquestradas nos dez dias anteriores em São Paulo por radicais de esquerda que criaram uma atmosfera de conflito na cidade.

O protesto na capital paulista na quinta-feira passada, em que a polícia usou a força contra os manifestantes, foi um ponto de inflexão. Nesta segunda-feira, as passeatas nas principais capitais do país começaram pacíficas e irreverentes. Os próprios participantes cuidaram de reprimir quem tentava estragar o patrimônio público. Nem todos tiveram sucesso. Barricadas foram erguidas em Belo Horizonte, ônibus foram depredados em Porto Alegre e, no Rio de Janeiro, 72 policiais passaram mais de quatro horas no interior da Assembleia Legislativa, cercados por uma turba que vandalizava o prédio, sem que fosse determinado o envio de uma tropa de choque. No final, vinte policiais saíram feridos. Nessas praças – talvez um outro reflexo das passeatas de quinta-feira em São Paulo –, as autoridades hesitaram em reagir mesmo quando a reação era absolutamente legítima.

Ser houve um traço comum em todas as passeatas foi o repúdio à política tradicional. Ele se mostrou nas palavras de ordem gritadas diante do Congresso Nacional - que mais tarde teve a Chapelaria e a cobertura invadidos - e na veto à presença de bandeiras e camisetas de partidos políticos no meio da multidão - algo que os repórteres do site de VEJA flagraram em diversas cidades e momentos de cada marcha. E os políticos se reconheceram alvos dos manifestantes. Passaram a segunda-feira perplexos, quando não acuados. A presidente Dilma produziu uma platitude ao dizer que “as manifestações pacíficas são legítimas e são próprias da democracia”, ao passo que o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, confessou: “Não sei a motivação dessas pessoas, não sei que pleitos têm, não sei os objetivos. Assim não há como iniciar uma negociação”. Tampouco sabem governadores e prefeitos, que preferiram guardar distância dos protestos. Todos têm uma esfinge para decifrar.

Nova manifestação está marcada para esta terça-feira em São Paulo, na Praça da Sé, às 17 horas. 

 

No Rio, vândalos estragam a nova passeata dos cem mil

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Rio de Janeiro Depois de uma marcha pacífica pela avenida Rio Branco, grupo de radicais atirou morteiros em direção aos policiais e trans...

 

 

00:00 – Rio de Janeiro – Está encerrado o protesto no Centro do Rio de Janeiro. A manifestação, que começou pacífica por volta das 17 horas, precisou da interferência do Batalhão de Choque no fim da noite. Uma perícia será realizada no entorno da Assembleia Legislativa. O Palácio Tiradentes e outros prédios históricos, como o da Igreja São José, foram depredados.

23:59 - São Paulo - Os manifestantes se dispersaram. Um pequeno grupo segue na porta do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, mas o clima de tensão foi amenizado. 

23:55 - Rio de Janeiro - O Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, vai passar por uma perícia ainda na madrugada desta terça-feira. O objetivo é contabilizar prejuízos e arrecadar provas do vandalismo do protesto de segunda-feira. Equipes da polícia técnica já foram mobilizadas para passar a madrugada no prédio.

23:50 - Brasília - Está encerrado o protesto em Brasília. Os manifestantes deixaram alguns prejuízos no Congresso Nacional, como carros danificados, pichações em paredes e cercas derrubadas.

 

Grupo protesta em NY em apoio às passeatas no Brasil

Estados Unidos O protesto foi organizado no Facebook e, até o início da noite, a página na internet apontava em torno de 1,1 mil pessoas ...

 

23:45 - Rio de Janeiro - O Batalhão de Choque lançou bombas de gás lacrimogêneo e conseguiu dispersar os manifestantes que ainda resistiam em frente ao prédio da Alerj. Mais de uma centena de agentes foram acionados para retomar o controle do Centro da cidade.

 

Manifestantes derrubam um portão do Palácio dos Bandeirantes; polícia repele vândalos com bombas de gás. Eles querem mortos e feridos

Às 19h17 chamei aqui a atenção para o fato de que a manifestação em São Paulo haviam se dividido. Uma parte rumava pela Faria Lima e busc...

 

23:33 - Rio de Janeiro - Policiais do Batalhão de Choque chegaram com cães, escudos e capacetes ao Palácio Tiradentes, onde funciona a Assembleia Legislativa do Rio. O grupo estacionou sete viaturas da PM em frente à Alerj e está cercando o prédio

23:20 - Rio de Janeiro - Policiais do Batalhão de Choque (BPChoque) acabaram de deixar a unidade em direção à Alerj, onde cerca de 80 policiais estão entrincheirados, acuados por um grupo radical de manifestantes. A decisão da Secretaria de Segurança de não enviar mais cedo a tropa baseou-se em uma lógica: a de evitar o acirramento do conflito. O objetivo é resgatar os policiais e evitar que, com a invasão do prédios – por janelas e portas laterais – os policiais acuados reajam atirando, o que produziria mais feridos e possivelmente mortos.

23:10 - São Paulo - Após um protesto pacífico de seis horas, um grupo de manifestantes derrubou um dos portões do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo. A PM reagiu com bombas de efeito moral para tentar impedir a invasão.

 

Tropa de Choque do DF está dentro do Congresso; coronel da PM é atacado a tapas, pontapés e cusparadas; diretor-geral da Câmara é chutado

Um grupo tentou entrar no Congresso pela chapelaria. Foi repelido com spray de pimenta. A tropa de choque está do lado de dentro do Congr...

 

23:05 - São Paulo - A manifestação já dura mais de seis horas na capital paulista. As avenidas Paulista e Morumbi estão bloqueadas.

23:03 - São Paulo - Um pequeno grupo de manifestantes tentaram entrar no Palácio dos Bandeirantes, mas a polícia respondeu com bombas de efeito moral. 

22:25 - Rio de Janeiro - A Polícia Militar informou há pouco que subiu para vinte o total de PMs feridos nos confrontos com manifestantes ao redor da Assembleia Legislativa do estado do Rio. A multidão está se dispersando, mas um grupo de jovens com rostos cobertos insiste em atear fogo a móveis e lixo para tumultuar a região. Ainda há a expectativa de que o Batalhão de Choque (BPchoque) seja enviado ao local, pois não há recuo dos radicais. Imagens capturadas pelo helicóptero da TV Globo mostram uma grande fogueira feita pelo grupo, que dança como se participasse de um ritual tribal.

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22:17 – Brasília - Presidente interino da Câmara dos Deputados, o petista André Vargas tenta se aproximar dos manifestantes, mas é vaiado e retorna ao Congresso Nacional.

22:15 - São Paulo - Manifestantes seguem protestando na frente dos portões do Palácio dos Bandeirantes.

22:00 -  São Paulo - Um pequeno grupo, com cerca de vinte pessoas, atirou pedras e garrafas contra o Palácio dos Bandeirantes, hostilizou policiais e tentou forçar a entrada do portão, mas não houve confusão generalizada. 

21:51 – Brasília - Terminou há pouco reunião entre parlamentares e o chefe da Casa Militar do governo do Distrito Federal, coronel Leão. A estratégia é realocar o contingente policial para garantir que as diversas entradas do Congresso sejam protegidas. Na reunião, ficou decidido que, por ora, não é necessário aumentar o efetivo de seguranças.

21:46 - Porto Alegre - A manifestação deixa um rastro de depredação e vandalismo na capital gaúcha, com ônibus apedrejados e focos de incêndio.

21:45 - São Paulo - Neste momento, um grupo de manifestantes protesta em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo.

21:42 - Rio de Janeiro - Começa neste momento um novo levante nas imediações da Alerj. Depois de alguns momentos de tranquilidade, manifestantes lançaram bombas em direção ao Palácio Tiradentes. Há, ao todo, 72 policiais militares dentro da Alerj, cinco deles feridos.

21:36 - São Paulo - De acordo com o instituto Datafolha, 65.000 pessoas participam do ato na capital paulista. A manifestação começou no Largo da Batata, na Zona Oeste, mas se dispersou por vários pontos da cidade.

 

NO ESTADAO:

Protestos reúnem 230 mil em 12 capitais e governantes viram alvo

Ao menos 50 mil marcharam só em São Paulo e grupo tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes; no Rio, 100 mil foram às ruas e, em Brasília, Congresso teve cúpula ocupada

 

O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Uma nova onda de protestos, maior do que as anteriores e com um leque de reivindicações mais amplo, voltou a tomar conta das ruas de importantes cidades, em diferentes regiões, nessa segunda-feira, 17. A maior, em São Paulo, reuniu ao menos 50 mil pessoas, segundo estimativa da PM. Foi a quinta na capital paulista e a primeira sem confrontos abertos com a polícia. No final da noite, um grupo minoritário tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes e foi repelido com bombas de gás. Em todo o País, cerca de 230 mil pessoas foram às ruas. As marchas foram caracterizadas sobretudo por expressões de rejeição da política institucional.

Veja também:
linkVeja a cobertura completa das manifestações pelo País

População aderiu em massa e mudou rosto  do movimento em SP - Tiago Queiroz/AE

Tiago Queiroz/AE

População aderiu em massa e mudou rosto do movimento em SP

 

 

Em Brasília, manifestantes furaram o bloqueio policial e invadiram a área externa do Congresso, aos gritos de "o Congresso é nosso". Cartazes com os dizeres "Fora Renan" e "Fora Feliciano" apareceram no ato, referindo-se ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RN), e ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP).

No Rio, 100 mil pessoas se reuniram nas imediações da Assembleia Legislativa, que virou palco de um violento confronto. Pelo menos cinco PMs e sete manifestantes foram feridos - 1 deles a tiros -, e 77 PMs ficaram sitiados no Palácio Tiradentes.

Transparência e combate à corrupção foram exigências levadas às ruas em Porto Alegre. Em Belém, a cobrança de redução dos índices de criminalidade na cidade, uma das mais violentas do mundo, apareceu com destaque.

Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Maceió também registraram manifestações de rua. Os protestos se estenderam ainda para cidades do interior, como Londrina, no Paraná.

Foram registrados confrontos com a polícia em Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio e São Paulo. De maneira geral, os atos violentos envolveram pequenos grupos e ocorreram no fim dos protestos.

Insatisfeitos. O ponto de ligação entre os manifestantes nas diferentes cidades continuou sendo o protesto contra as tarifas dos transportes urbanos. Os repórteres do Estado verificaram, porém, que aumentou a variedade de grupos de insatisfeitos que aderiram aos protestos, com novas demandas.

A crítica à violência policial foi uma questão frequente. Os gastos do governo federal com a Copa do Mundo também estiveram entre os alvos. A caminhada em Salvador cobrou melhorias nos sistemas de educação e saúde pública.

Os participantes receberam demonstrações de simpatia dos moradores das ruas por onde passavam em diferentes cidades. Em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, pessoas saíram às janelas dos edifícios comerciais para aplaudir e jogar papel picado sobre a passeata. Em Belo Horizonte, motoristas improvisaram um buzinaço de solidariedade.

Defensores do meio ambiente, feministas, organizações de direitos humanos, professores, e pais de manifestantes presos em atos anteriores foram alguns dos grupos que aderiram aos protestos.

A quinta manifestação contra o aumento da tarifa em São Paulo, embora tenha terminado com o confronto na sede do governo, não registrou a mesma violência das anteriores. Um pouco antes da passeata, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia confirmado que a PM dessa vez não usaria balas de borracha.

Bombas de gás lacrimogêneo, comuns nas manifestações anteriores, também foram recolhidas.

Hora de entender. Políticos de diferentes tendências se manifestaram sobre os protestos, defendendo o direito dos manifestantes. A presidente Dilma Rousseff disse que as manifestações são "legítimas e próprias da democracia".

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou os dirigentes públicos que qualificam os manifestantes como baderneiros. "Os governantes e as lideranças do País precisam atuar entendendo o porquê desses acontecimentos", disse. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que manifestações sociais não devem ser encaradas como "coisa de polícia".

Protesto São Paulo 17-06 Avenida Paulista

São Paulo - Manifestantes ocupam a Avenida Paulista em frente ao vão livre do Masp na noite de segunda-feira, 17 - Filipe

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