Datafolha indica que Marina empata com Dilma no primeiro turno e ganha por 10 pontos no segundo

Publicado em 29/08/2014 22:50 e atualizado em 01/09/2014 08:41 1115 exibições
no blog de Ricardo Setti, de veja.com

Datafolha indica que Marina empata com Dilma no primeiro turno e ganha por 10 pontos no segundo

Dilma, Marina e Aécio: cenário mudou totalmente (Fotos:  Reuters::EFE::Estadão Conteúdo)

Dilma, Marina e Aécio: cenário mudou totalmente (Fotos: Reuters::EFE::Estadão Conteúdo)

Candidata do PSB à Presidência da República venceria Dilma Rousseff (PT) com vantagem de 10 pontos porcentuais no segundo turno

Não foi uma sexta-feira 13, mas os números não foram nada bons para o PT e para a presidente-candidata Dilma Rousseff.

Pela manhã, a divulgação do encolhimento da economia, colocando o país em recessão técnica, foi um golpe duro para a campanha petista administrar.

Na Bahia, a saída de Dilma foi recorrer a uma nova versão da “marolinha” lulista e dizer que o desempenho pífio da economia é momentâneo. Mas, à noite, o cenário piorou com a divulgação da pesquisa de intenção de votos do instituto Datafolha pela TV Globo.

Pela primeira vez numa corrida presidencial desde que chegou ao poder, o PT não é mais apontado como favorito. Segundo o instituto, nos últimos onze dias, a candidata do PSB, Marina Silva, ganhou 13 pontos porcentuais e empatou com Dilma na liderança da disputa, ambas com 34% das intenções de votos.

Pior: Marina venceria Dilma em um eventual segundo turno por dez pontos de diferença – 50% a 40%. Na sondagem anterior, a diferença entre elas era de quatro pontos.

O candidato do PSDB, Aécio Neves, caiu cinco pontos e agora marca 15%. Pastor Everaldo, do PSC, tem 2% das intenções de voto, um ponto a menos do que na rodada anterior.

a quadroOutros 7% dos entrevistados afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo e 7% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

O instituto ouviu 2.874 eleitores em 178 municípíos brasileiros nesta quinta e sexta-feira. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00438/2014.

A consolidação da candidatura Marina fica evidente na pesquisa espontânea, quando o entrevistador pergunta pelo voto do eleitor sem mostrar a lista de candidatos.

Nesse tipo de apuração, as intenções de voto em Marina subiram de 5% para 22%. Com Dilma, o avanço foi de 24% para 27%.

MUDANÇA

O avanço de Marina ocorre no momento em que o Datafolha também detecta uma taxa recorde de eleitores sedentos por mudanças.

De cada dez entrevistados, oito afirmam preferir que as ações do próximo presidente sejam diferentes das atuais.

A taxa de desejo de mudança (79%) está três pontos acima da identificada na pesquisa anterior, que já era comparável apenas ao número apurado em setembro de 2002, véspera da eleição vencida pelo então oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na análise das intenções de voto por região, o equilíbrio entre Dilma e Marina no primeiro turno desaparece.

Marina vence Dilma com folga nas regiões Sudeste, a mais populosa (35% a 26%), e Centro-oeste (39% a 29%).

Dilma, por sua vez, bate Marina com larga margem no Nordeste, a segunda região mais populosa (47% a 31%), e no Norte (46% a 30%).

As duas ex-ministras do governo Lula estão numericamente empatadas nos três Estados do Sul (32% a 32%).

Dilma continua líder em rejeição, com 35% dispostos a não votar nela de jeito nenhum. Nesse aspecto, a vantagem de Marina é robusta: só 15% do eleitorado a rejeita.

Também há grandes diferenças entre as intenções de voto em Dilma e em Marina nos vários segmentos sociais investigados pelo Datafolha.

Marina vai bem melhor que Dilma entre os eleitores mais jovens, de 16 a 24 anos (42% a 31%); junto aos que têm ensino superior (43% a 22%); no grupo dos que têm renda familiar mensal entre 5 e 10 salários mínimos (44% a 21%); e nas cidades com mais de 200 mil e menos de 500 mil habitantes (38% a 26%).

Já Dilma ostenta vantagem robusta sobre Marina no grupo das pessoas com mais de 60 anos (38% a 25%); entre os que têm ensino fundamental (44% a 25%); no universo dos mais pobres, com renda familiar mensal de até dois salários mínimos (41% a 31%); e nos municípios pequenos, com até 50 mil habitantes (44% a 29%).

Religião também apresenta diferenças significantes. Os católicos, o maior grupo, preferem Dilma (38% a 30%). Mas Marina tem vantagem mais significativa entre evangélicos de igrejas não pentecostais (44% a 29%) e entre pentecostais (41% a 30%).

O Datafolha ouviu 2.874 eleitores nesta sexta e na quinta (28). A margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos. 

  Editoria de Arte/Folhapress  
 

Datafolha: é ruim para Aécio? É! Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior. E o partido está fazendo tudo errado

Pois é… Segundo o Datafolha, e acredito que os números possam estar, quando menos, próximos da realidade, Dilma Rousseff, do PT, e Marina Silva, da Rede (mas aboletada no PSB), tem 34% das intenções de voto no primeiro turno. Aécio Neves, do PSDB, aparece em terceiro lugar, com 15%. Nas simulações de segundo turno, a ex-senadora e ex-petista vence a presidente por 50% a 40%. A diferença entre Dilma e Aécio segue de oito pontos apenas: 47% a 39% em favor de Dilma há duas semanas; 48% a 40% agora.

Vejam que coisa: nem nos melhores sonhos do PSDB, imaginava-se que Aécio pudesse ter, a esta altura, no segundo turno, apenas 8 pontos de diferença em relação a Dilma. Chamo a atenção para esse aspecto por dois motivos:
- oito pontos de diferença, numa disputa binária, entre A e B, podem ser apenas quatro;
- oito pontos de diferença, apesar da máquina oficial e da demonização permanente dos tucanos, seriam uma verdadeira bênção.

Ocorre que existe um primeiro turno no caminho, tanto quanto existia uma pedra à frente do mineiro Carlos Drummond de Andrade. E é evidente que a situação é muito difícil.

Marina se tornou a caudatária dos votos que já tinha — no último Datafolha em que seu nome apareceu, antes da definição do nome de Eduardo Campos, tinha 27% —, da comoção gerada pela morte de Eduardo Campos e da crescente repulsa ao governo Dilma, que, parece-me, é superior ao que captam as pesquisas.

Há um enfaro óbvio com “tudo isso o que está aí”. Em primeiro lugar, rejeita-se é o petismo mesmo, com todas as suas fraudes contra os fatos e contra o óbvio. Em segundo lugar, mas não menos importante, temos a rejeição à política.

Há, acrescente-se, a estupidez petista e o desastre da ideia fixa. O petismo está preparado para enfrentar os tucanos; para satanizá-los; para desqualificá-los; para transformá-los na morada de todo o mal. Mas não tem repertório para enfrentar Marina Silva. A cada vez que Dilma Rousseff ataca o PSDB e FHC, o que faz é reforçar a discurso de Marina Silva. É de tal sorte estúpido que, nos dias atuais, o PT se dedique a atacar Aécio e o PSDB que me pergunto se essa gente continua com seus meridianos ajustados.

Os idiotas da objetividade do PT podem achar que enfrentar uma Marina no segundo turno pode ser melhor do que enfrentar um Aécio porque, afinal, ela terá menos estrutura e menos aliados. É só manifestação de ignorância. Deveriam se lembrar da fala de Walker, do filme “Queimada”, de Gillo Pontecorvo: fogo não atravessa o mar, mas ideias, sim. Marina encarna uma abstração, um valor, não uma proposta objetiva de mudança. E isso quer dizer que seu poder de contaminação é muito maior.

Mas os petistas são reféns de suas ideias fixas, de suas taras. Se não mudarem o rumo da prosa, Dilma, reitero, pode começar a fazer as malas. O mais impressionante: o PT não perderá, nesse caso, a eleição para as propostas objetivas do PSDB, mas para as ideias etéreas de Marina, que atravessam mares. Ainda que não tenham a menor importância.

O Datafolha é ruim para Aécio? É. Mas quem está no poder é o PT. Nesse caso, é pior! E o partido está fazendo tudo errado! 

Por Reinaldo Azevedo

O pior cenário

Os 15% conferidos a Aécio Neves pelo Datafolha de agora há pouco configura o pior cenário projetado hoje pela cúpula da campanha de Aécio Neves.

Por Lauro Jardim

Sem dinheiro

Ameaça de paralisação

Ameaça de paralisação

A construção da usina hidrelétrica de Santo Antonio, uma das maiores obras do PAC em curso corre o risco de parar a partir da semana que vem.  O motivo é dinheiro. Ou a falta de dinheiro.

Na semana passada, o consórcio construtor da usina recebeu uma carta da Santo Antonio S.A., a empresa concessionária, cujos controladores são Eletrobras, Furnas, Cemig, entre outros, avisando que não tem mais dinheiro para pagar  as faturas de agosto.

Assim, os construtores já definiram que, a partir da semana que vem começam a demitir os trabalhadores e paralisar a obra. Das 44 turbinas previstas para Santo Antonio, 32 já foram concluídas.

Por Lauro Jardim

O novo Ibope

Enviando os representantes

Uma pesquisa atrás da outra

Depois de deixar tucanos e petistas preocupados ao mostrar aumento da vantagem de Marina Silva sobre Aécio Neves no primeiro turno e Dilma Rousseff no segundo, o Ibope registrou sua próxima pesquisa presidencial.

Além das questões costumeiras sobre preferências eleitorais, o instituto de pesquisa vai perguntar aos 2506 eleitores entrevistados sobre sua religião, costumes na internet e se são beneficiados por algum programa social.

O Ibope, que recebeu 213 010 reais da Globo pelo levantamento, sai a campo hoje e termina a coleta de dados na quarta-feira, quando a emissora vai divulgar o resultado no Jornal Nacional. Ou seja, a pesquisa vai pegar parte do impacto do debate do SBT, que irá ao ar no final da tarde de segunda-feira.

Por Lauro Jardim

A Globo prestaria um grande serviço à democracia — e faria justiça aos candidatos — se realizasse uma nova rodada de entrevista com os presidenciáveis. Vejam por quê

(Foto: Globo/João Cotta)

William Bonner e Patrícia Poeta: em uma eventual e desejável segunda rodada, Dilma deveria ir aos estúdios da Globo, e não os dois se deslocarem até o Alvorada (Foto: Rede Globo/João Cotta)

Já comentei em programa da TVEJA, mas gostaria de registrar também aqui, por escrito: a Rede Globo de Televisão prestaria um excelente serviço à democracia se fizesse nova rodada de entrevistas de 15 minutos com os principais candidatos à Presidência ao longo do Jornal Nacional, conduzidas por William Bonner e Patrícia Poeta.

As razões são várias.

1. O horário eleitoral é insuficiente. O horário eleitoral gratuito oferece, sim, espaço (desigual, por força dos tamanhos das bancadas partidárias) aos presidenciáveis, mas se trata de propaganda — e não de discussão. Além do mais, embora se estenda por 40 dias, em duas sessões de 50 minutos diários, fora as inserções curtinhas ao longo da programação de emissoras de TV e rádio, ele precisa ser dividido com candidatos a governos estaduais, ao Senado, à Camara dos Deputados e às Assembleias Legislativas.

Os candidatos à “suprema magistratura do país”, como se diz com solenidade, acabam dispondo de pouco tempo para expor com um mínimo de coerência e um mínimo de detalhes, o que pretendem fazer.

2. Os debates pela TV são engessados demais. É evidente que os debates entre candidatos são interesantes e úteis.

Mas, como sabemos, todos eles, de todas as emissoras, são engessados demais, a começar por absurdas e ridículas exigências da legislação eleitoral que permitem — na verdade, impõem — que candidatos sérios, ou representativos de grandes correntes de opinião, e jornalistas entrevistadores precisem dedicar atenção a picaretas donos de pequenas legendas que não têm preocupação sequer de fingir algum preparo para as discussões e cujo único objetivo é aparecer na TV para, posteriormente, pleitearem cargos mais acessíveis, como o de deputado federal.

O engessamento é agravado pela montanha de regras sobre minutos, réplicas, tréplicas e direito de resposta.

No ideal nunca chegaremos: um debate televisado livre, com um mínimo de mediação, entre os candidatos realmente representativos, em que um pergunta ao outro e em que todos discutam entre si.

3. Os debates pela TV são realizados tarde demais, e não atingem a audiência que poderiam. Trabalhador acorda cedo, e – para ficar num só exemplo — a esquentada e reveladora parte final do recente debate da Band se deu bem depois da meia-noite, quando a grande maioria do público que pega no batente duro já havia se recolhido.

4. As “sabatinas” de jornais e portais de internet têm pouca audiência. Tal como no caso dos debate, é claro que são interessantes e úteis as chamadas “sabatinas” que portais da internet, associados a jornais e a emissoras de menor audiência, vêm realizando com os presidenciáveis, entrevistados por jornalistas das três partes. Nada, contudo, que se compare à colossal audiência da Rede Globo em pleno pico propiciado pelo Jornal Nacional.

5. As entrevistas à imprensa escrita atingem público qualificado, mas limitado. Nem preciso me estender neste ponto, não é mesmo?

E, amigas e amigos do blog, A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL É IMPORTANTE DEMAIS PARA TÃO POUCA INFORMAÇÃO QUE O PÚBLICO RECEBE SOBRE OS CANDIDATOS, SEU PERFIL E SEUS PLANOS.

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é entrevistada pelo Jornal Nacional no Palácio da Alvorada (Foto: Reprodução/Rede Globo)

Bonner e Patrícia entrevistam Dilma na biblioteca do Alvorada: este privilégio injustificável não deveria se repetir em uma segunda rodada de entrevistas pelo “Jornal Nacional” (Foto: Reprodução/Rede Globo)

Assim sendo, entrevistas na emissora de maior penetração no Brasil e em seu horário de máxima audiência têm uma importância inestimável. Precisamos, ainda, levar em conta que a Globo acabou não praticando total isonomia no trato com os cinco candidatos que entrevistou.

Não estou em absoluto entre aqueles jornalistas que só sabem jogar pedra na Globo. Considero que a emissora presta um enorme serviço à cultura do país e que cada vez se esforça mais para apresentar um jornalismo isento e de qualidade, com as limitações que sua colossal audiência acabam inexoravelmente impondo.

O fato, porém, é que não houve trato igual aos cinco candidatos entrevistados. Aécio Neves (PSDB), o primeiro a participar, por sorteio, comportou-se como bom escoteiro, deixou-se interromper pela metralha de perguntas incômodas ou respondeu curto e direto para que não se perdesse tempo.

Embora mais lento nas respostas, a entrevista seguinte, com Eduardo Campos (PSB) esteve em plano semelhante. A Dilma Rousseff (PT), porém, concedeu-se o benefício inteiramente descabido entrevistá-la a domicílio, no Palácio do Alvorada. Por que não no estúdio, como os demais? Afinal, no debate da Band, a presidente deslocou-se até os estúdios da emissora, no bairro do Morumbi, em São Paulo, como qualquer mortal.

Não houve nada excepcional na vez do Pastor Everaldo mas, com Marina Silva, por mais que se esforçassem os dois apresentadores viram-se engolidos pela retórica da candidata, que, mesmo fustigada com perguntas sobre as interrogações que cercam a propriedade do jato em que morreu Campos, acabou falando quase à vontade sobre sua trajetória e evitando perguntas durante a maior parte do tempo.

Até por uma questão de justiça, portanto, a Globo poderia e DEVERIA dar essa contribuição ao processo eleitoral e à democracia, realizando uma segunda rodada de entrevistas, com todos no estúdio — e, se possível, com pelo menos 20 minutos de duração.

(por Ricardo Setti)

Tags:
Fonte:
Blog Ricardo Setti, de veja.com

0 comentário