Na FOLHA: Lula deu diretoria a Paulo Roberto após pressão de aliados, diz Youssef

Publicado em 09/10/2014 17:49 771 exibições
por MARIO CESAR CARVALHO, FLÁVIO FERREIRA, e ALEXANDRE ARAGÃO, da FOLHA DE SÃO PAULO

Em depoimento prestado à Justiça Federal na quarta-feira (8), o doleiro Alberto Youssef afirmou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi empossado no cargo, em 2004, após o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ceder à pressão de "agentes políticos" ligados ao esquema.

Questionado por seu advogado de defesa se sabia por que um diretor que antecedeu Paulo Roberto na área de Abastecimento havia sido retirado do cargo, Youssef disse: "Para que Paulo Roberto Costa assumisse a cadeira de diretor da Diretoria de Abastecimento esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias".

"Na época o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve que ceder e realmente empossar o Paulo Roberto Costa", completou o doleiro.

Entre março e maio de 2004 a pauta do Congresso ficou trancada por causa de Medidas Provisórias —que, pela Constituição, têm que ser votadas após 45 dias de tramitação. Paulo Roberto foi confirmado como diretor de Abastecimento da Petrobras em 14 de maio daquele ano, no lugar de Rogério Manso, nome ligado a peemedebistas e tucanos do Rio de Janeiro.

Ainda durante o depoimento, o operador do esquema disse que havia reuniões entre ele, Paulo Roberto Costa, representantes de empreiteiras e "agentes políticos" —Youssef não citou nomes. Essas reuniões, segundo ele, eram registradas em atas.

"Nós participávamos de reuniões, no caso ou em hotéis no Rio ou em hotéis em São Paulo, ou na própria casa —vamos falar— do agente político, que primeiramente comandava esse assunto através da área de Abastecimento", disse.

"Nessas reuniões eram feitas atas de discussão de cada ponto que estava sendo discutido ali naquele dia."

Os assuntos tratados nessas reuniões eram valores de contratos e combinação de resultados em licitações, sempre de acordo com o depoimento do doleiro.

"[As reuniões aconteciam] para se discutir exatamente questão de valores, questão de quem ia participar do certame, esse tipo de situação. E outros problemas que também se encontravam nas obras que pediam para ser solucionados, esse tipo de assunto. Isso era feito uma ata."

Costa e Youssef fizeram acordo de delação premiada e prestaram depoimento à Justiça Federal nesta semana. Deflagrada em março pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato descobriu uma ação que movimentou estimados R$ 10 bilhões. Segundo a PF, uma "organização criminosa" atuava dentro da empresa.

No depoimento, Youssef disse também que o esquema de corrupção tinha agentes públicos "mais elevados" que Costa. Tanto Costa como Youssef disseram que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, intermediava os recursos desviados de obras da estatal para o PT. Outras siglas beneficiadas no esquema seriam o PP e o PMDB. 

Alberto Youssef diz que corrupção na Petrobras atingiu alto escalão político

O doleiro Alberto Youssef afirmou à Justiça Federal que o esquema de corrupção na Petrobras tinha agentes públicos "mais elevados" que o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa.

Acusado de ser o operador de esquema que fraudou contratos da Petrobras, Youssef fez acordo de delação premiada e prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (8).

"Não sou o mentor nem o chefe desse esquema. Sou apenas uma engrenagem desse assunto que ocorria na Petrobras. Tinha gente muito mais elevada acima disso, inclusive acima de Paulo Roberto Costa, no caso agentes públicos", afirmou Youssef. O advogado do doleiro, Antonio Figueiredo Basto, disse que seu cliente seguia ordens dos políticos que indicavam os diretores da Petrobras.

Deflagrada em março pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato descobriu um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras que envolveu Costa, doleiros e fornecedores da estatal. Segundo a PF, uma "organização criminosa" atuava dentro da empresa. O esquema teria movimentado R$ 10 bilhões.

  Reprodução  
O doleiro Alberto Youssef mostra equipamento que ele diz ter achado dentro da cela, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba (PR)
Youssef mostra equipamento que ele diz ter achado dentro da cela, na carceragem da PF, em Curitiba

DINHEIRO PARA CONSTRUTORAS

Indagado pelo juiz sobre quais empresas teriam participado do esquema na Petrobras, Youssef listou os nomes das companhias: Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão, Odebrecht, UTC, Jaraguá Equipamentos, Engesa, UTC e Tomé Engenharia. Em outros trechos do testemunho citou as empresas Andrade Gutierrez e Mendes Júnior, entre outras.

Ele afirmou ainda que Costa dividia os valores relativos aos contratos para repassar ao PT e ao PMDB.

"Na verdade Paulo Roberto fatiava um pouco essa questão de recebimentos de obras, porque ele também tinha que atender ao PMDB e às vezes alguém do PT", disse o doleiro.

Folha revelou no dia 2 de outubro que o ex-diretor da Petrobras disse no acordo de delação premiada que recebeu US$ 23 milhões (o equivalente hoje a R$ 57 milhões) da Odebrecht em contas secretas na Suíça.

A empreiteira tem o terceiro maior contrato na obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, de R$ 1,48 bilhão, em valores de 2010. A Odebrechetnega com veemência que tenha feito qualquer pagamento a Costa. Segundo a empreiteira, todos os contratos com a Petrobras foram conquistados por meio de licitações.

JOÃO VACCARI NETO

Em depoimento à Justiça, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse nesta quarta-feira (8) que desvios de obras da Petrobras irrigaram as campanhas de três partidos nas eleições de 2010, de acordo com o advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto, que defende o doleiro e acompanhou a audiência nesta quarta, em Curitiba.

Segundo a Folha apurou, o executivo se referia ao PT, ao PMDB e ao PP. O dinheiro do suborno, de acordo com o ex-diretor da estatal, correspondia a 3% dos valores líquidos dos contratos. Esse percentual era dividido entre o próprio Costa e partidos políticos, segundo advogados que acompanharam o interrogatório.

Em seu depoimento, Youssef disse que representou o PP na realização dos acertos financeiros relativos à Petrobras depois que o deputado federal José Janene ficou doente. "Eu passei a representar o partido", afirmou. O doleiro e Paulo Roberto Costa disseram que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, intermediava os recursos desviados de obras da estatal para o partido.

  Sérgio Lima-4.mai.2010/Folhapress  
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, durante audiência no Senado, em maio de 2010
O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, durante audiência no Senado, em maio de 2010

No depoimento de Paulo Roberto, o juiz questionou quem eram os distribuidores da propina em "outras agremiações políticas", além do PP. O ex-diretor da estatal disse que "dentro do PT a ligação que o diretor do PT tinha, de Serviços, era o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari Neto. A ligação era diretamente com ele". O diretor de serviços, na época, era Renato Duque, que deixou a empresa em 2012 depois de oito anos comandando a área.

Paulo Roberto Costa disse ainda que, de 1% pago nos contratos das obras da área que ele comandava, 20% eram repartidos entre ele e o então presidente do PP, José Janene e, depois de sua morte, com Yousseff. Desses 20%, Paulo Roberto recebia 70% e os demais a Janene ou Yousseff.

Costa disse que recebia o pagamento em dinheiro vivo e relatou já ter recebido em casa, em um shopping, ou em seu escritório, depois que deixou a Petrobras. Perguntado se isso ocorria em outras subsidiárias, Costa afirmou que "a Transpetro tem alguns casos de repasses para políticos".

O ex-diretor da Petrobras afirmou ainda ter recebido R$ 500 mil das mãos do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, na casa dele, entre 2009 e 2010. Segundo o delator, o pagamento foi referente a licitação de navios pela Transpetro para a área de abastecimento.

O doleiro afirmou que "tinha uma outra pessoa que operava a área de serviços, que se eu não me engano era o Sr. João Vaccari". Youssef disse ainda que as empresas que faziam contratos com as áreas de abastecimento e de serviços da Petrobras tinham que pagar propina de 1% sobre dos valor do contratos.

O juiz Sergio Moro, responsável pelo processo do caso, indagou se o valor de 1% dos contratos da área de serviços passava por Paulo Roberto Costa e o Youssef respondeu: "Não, isso era para outro partido".

O doleiro citou ainda que o lobista Fernando Soares fazia essa intermediação para o PMDB e que ele próprio cuidava dos recursos que ia para o PT. "Tinha Fernando Soares que operava com Paulo Roberto Costa para o PMDB."

OUTRO LADO

Vaccari Neto disse que "todas as doações recebidas pelo PT são realizadas na forma da lei e as prestações de contas do partido são apresentadas regularmente às autoridades competentes". Ele confirmou, também, que nunca tratou de doações, nem de qualquer outro assunto relativo ao partido, com Paulo Roberto da Costa, e que "empresas estatais, como é o caso da Petrobras, são proibidas por lei de realizar doações para partidos".

A secretaria de Finanças do PT afirmou que o depoimento de Paulo Roberto Costa está "carregado de afirmações distorcidas e mentirosas". O partido também ressalta que Vaccari Neto "nunca tratou sobre contribuições financeiras do partido, ou de qualquer outro assunto, com Paulo Roberto Costa".

"Reiteramos que as contribuições financeiras recebidas pelo PT são transparentes e realizadas sempre de acordo com a legislação em vigor. Diante de tantas acusações infundadas, o secretário de Finanças vai processar civil e criminalmente aqueles que têm investido contra sua honra e reputação", disse a nota da sigla.

Em nota, o PT afirmou que repudia com veemência e indignação as "declarações caluniosas" de Paulo Roberto Costa e que lamenta "que estejam sendo valorizadas as palavras do investigado, em detrimento de qualquer indício ou evidência comprovada".

"O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras. Todas as doações para o Partido dos Trabalhadores seguem as normas legais e são registradas na Justiça Eleitoral. A Direção Nacional do PT estranha a repetição de vazamentos de depoimentos no Judiciário, tanto mais quando se trata de acusações sem provas."

O partido também ressaltou que, por intermédio de seus advogados, analisa a adoção de medidas judiciais cabíveis.

A Petrobras disse que vem acompanhando as investigações e colaborando efetivamente com os trabalhos das autoridades públicas. A estatal também disse que "está sendo oficialmente reconhecida por tais autoridades como vítima nesse processo de apuração".

PAULO ROBERTO COSTA

Costa saiu da prisão no última quarta-feira (1º), como parte do acordo em que decidiu que contaria o que sabe sobre corrupção na Petrobras em troca de uma pena menor —a perspectiva de seus advogados era que ele fosse condenado a 50 anos de prisão.

O executivo foi preso em 20 de março pela PF. O ex-diretor também citou, em outro depoimento, segundo a revista "Veja", os nomes de 12 parlamentaresque recebiam propina do esquema, entre os quais o do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Todos negam com veemência que tivessem recebido recursos.

Na VEJA: Em depoimento à Justiça, Costa desvenda engrenagem do petrolão

Justiça do Paraná liberou a íntegra do depoimento do ex-diretor da Petrobras. Nele, o delator do petrolão aponta as empresas, partidos e operadores do esquema. Só não revela os nomes de políticos com foro privilegiado, como determina a lei

Rodrigo Rangel e Hugo Marques, de Brasília
CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014 (Ueslei Marcelino/Reuters)

(atualizado às 15h03)

Esquema operava em todo o governo – Paulo Roberto Costa disse à Justiça que o esquema de loteamento político está espalhado por todos os órgãos de governo. Por isso, as empreiteiras nunca se recusaram a pagar propina.  “Essas empresas tinham interesses em outros ministérios capitaneados por partidos. E, como falei, essas empresas são as mesmas que participam de várias outras obras, quer sejam ferrovias, rodovias, aeroportos, portos, usinas hidrelétricas, etc. etc.. saneamento básico, Minha Casa Minha Vida... Ou seja, todos os programas, nos ministérios, têm políticos de partidos. Se você cria um problema de um lado, pode-se criar problema do outro. No meu tempo lá, eu não lembro de nenhuma empresa ter deixado de pagar. Houve alguns atrasos das empresas do cartel, mas deixar de pagar nunca deixaram.”

Tesoureiro do PT administrava a propina – Costa deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano. “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do PMDB, da Diretoria Internacional (comandada por Nestor Cerveró), o nome que fazia essa articulação toda chama Fernando Soares.”

Candidato ao governo do RJ pediu dinheiro a Costa - A pedido do Ministério Público, Paulo Roberto deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. Ele diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano.  O nome do candidato não foi citado.

“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (...) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro.”

Tentáculos na Transpetro - O ex-diretor  afirma que o esquema também funcionava em pelo menos uma das subsidiárias da Petrobras, a Transpetro, cujo presidente, Sergio Machado, é indicado do PMDB. Paulo Roberto diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500.000 reais, a título de propina pela contratação de navios – ele diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. Sergio Machado preside a Transpetro até hoje. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (...) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (...) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (...) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro.”  

PT liderava rateio da propina - Costa também afirmou que a maior parte da propina cobrada na Diretoria de Abastecimento era dividida entre o PP e o PT. Ela afirma que dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a Diretoria de Abastecimento, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O ex-diretor revelou que a parcela que cabia ao caixa petista era administrada pela Diretoria de Serviços, encarregada de organizar as principais licitações da Petrobras, e comandada por Renato Duque, indicado do PT, que tinha como padrinho o mensaleiro José Dirceu.

“Dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender o PT através da diretoria de serviço. Outras diretorias, como Gás e Energia e como Exploração e Produção, também eram (do) PT. Então se tinha PT na Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. O comentário que pautava lá dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT. O que rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB. Então tinha recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”

Cartel de empreiteiras - O ex-diretor informou ainda que  a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços.  Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal. 

Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas. As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização", afirmou.

“Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa  está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente", prosseguiu. “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”

Esquema financiou 'várias' campanhas em 2010 - Segundo Paulo Roberto, as “empresas do cartel” tinham pleno conhecimento de que a propina servia para abastecer políticos e campanhas eleitorais. O ex-diretor da Petrobras afirmou que, nas eleições de 2010, o esquema financiou “várias” campanhas. Por impedimento legal,  o ex-diretor não pode revelar quais.

A propina do PP - Indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento, Paulo Roberto ficou milionário. Em apenas uma de suas contas no exterior foram encontrados 26 milhões de dólares.  Ele e o doleiro Alberto Youssef ficavam com um pedaço da cota de propina destina ao partido. “Do 1% que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais um pouco menos, 60% iam para o partido, 20% era para despesas, nota fiscal, envio, etc., e os 20% restantes eram repassados 70% pra mim e 30% para Janene ou Alberto Youssef (...) Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou no shopping, ou no escritório depois que eu abri a companhia minha de consultoria (...) Normalmente (quem entregava era) ou Alberto Youssef ou Janene.”

O alto escalão das empreiteiras e a delação de PRC

ricardo pessoa

Pessôa: mencionado por Costa

Além de Marcos Farias e Rogério Araújo, dupla de executivos da Odebrecht (leia mais aqui), um time do alto escalão das maiores empreiteiras do Brasil tem motivos de sobra para perder o sono com a delação premiada de Paulo Roberto Costa.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras entregou ao juiz federal Sérgio Moro vários nomes. Os nomes já foram revelados. Eis os cargos que ocupam:

*Gerson Almada, um dos donos da Engevix;

*Ricardo Pessôa, dono da UTC Engenharia;

* Léo Pinheiro,  presidente da OAS.

Também foram mencionados por Costa Paulo Dalmazzo, presidente de óleo e gás da Andrade Gutierrez em 2010, Eduardo Leite, vice-presidente comercial da Camargo Corrêa, Erton Medeiros Fonseca, presidente de engenharia industrial da Galvão Engenharia há quatro anos, além de Ildefonso Colares Filho, diretor da Queiróz Galvão em 2010, e Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal.

Por Lauro Jardim

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Fonte:
Folha de S. Paulo + VEJA

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