Na Reuters: Cargill teme crise alimentar com aumento do apetite da China e aposta em preços firmes dos grãos

Publicado em 04/11/2014 15:01 e atualizado em 06/11/2014 09:29 3031 exibições

Uma série de temores sobre segurança alimentar tem alimentado as necessidades da China por produtos de maior qualidade que possam sustentar o consumo do país de produtos ricos em proteína, segundo a posição de um executivo da multinacional Cargill informou à agência internacional de notícias Reuters. 

A nação asiática está endurecendo sua briga contra os "violadores da segurança alimentar" ao mesmo tempo em que enfrenta alguns incidentes, como o escândalo registrado em 2008, quando laticínios contaminadas com melamina industrial mataram ao menos seis crianças. 

São fatores como esses que têm estimulado o país, que é hoje o maior importador mundial de soja e um grande comprador de milho, a migrar da criação de suínos em granjas para plantas modernas e mecanizadas, as quais requerem volumes ainda maiores de compostos a base de grãos para compor a ração dos animais. 

"A população chinesa tem se tornado muito sensível à questão da segurança alimentar e com razão. Para as commodities que vão direto ao consumo humano ou por meio das carnes, nós não vemos nenhum sinal de desaceleração da demanda", disse o Vice-Chairman da Cargill, Paul Conway. 

Um crescimento da classe média no país, a qual busca por mais proteína animal e produtos mais "seguros" também é algo que faz com que a China venha registrando um consumo cada vez maior de commodities agrícolas e isso deve continuar mesmo que a economia apresente um ligeiro recuo em seu crescimento que, mesmo assim, deve ficar entre surpreendentes 6 a 7%. 

"Nós estamos confiantes de que, não só na China, mas nas regiões onde haja uma emergência mais forte e vibrante da classe média haverá uma uma demanda maior por produtos alimentares de maior qualidade e variedade", afirma Conway.

Além disso, explica ainda o executivo da Cargill, a mudança da China para a expansão econômica voltada para o consumo e menos para a infraestrutura nesse momento também vai exigir uma oferta maior de alimentos de qualidade. 

Crescimento Asiático - A Cargill, juntamente com a ADM - Archer Daniels Midland, a Bunge Ltd e a Louis Dreyfus, compõem o conglomerado de empresas que dominam o comércio global de grãos. Com um faturamento de US$ 134,9 bilhões no ano fiscal de 2014, a empresa espera que seus negócios com grãos dobrem nos próximos 7 a 8 anos com a Ásia crescendo duas vezes o ritmo de hoje, contando com o suporte do aumento do consumo na China, Índia e Indonésia. 

Atualmente, a Cargill, em seu projeto de avicultura, tem a capacidade de processar 65 milhões de frango por ano e gerar 176 mil toneladas de produtos a base de aves. Além disso, a companhia está construindo sua quarta planta processadora de soja na China. 

Preços - Sobre os preços dos grãos, Paul Conway acredita que estes não devem ficar muito abaixo do que vimos em outubro - quando soja e milho, principalmente, passaram por um movimento de reação bastante expressivo - e isso porque os produtores continuam segurando suas vendas. 

"Está claro que não veremos as baixas que deveriam chegar frente às enormes safras dessa temporada, principalmente nos Estados Unidos. Os produtores, especialmente os norte-americanos, têm uma grande habilidade em segurar sua oferta", disse.

Assim, em outubro, os preços da soja encerraram o mês com uma alta acumulada de mais de 14% e o milho de mais de 17%. Além disso, uma reflexo dessas vendas menores pode ser visto nos prêmios pagos pela soja no Golfo do México, que superam US$ 1,00 sobre os valores praticados em Chicago nas posições de mais curto prazo. No Brasil, os produtores também têm segurado suas vendas. O ritmo das operações antecipadas este ano está bem bem mais lento do que o registrado em temporadas anteriores. Segundo levantamento da Céleres Consultoria,  até o último dia 31, apenas 12% da soja a ser colhida em  2014/15 havia sido comercializada, contra 32% no mesmo período da temporada 2013/14.

Dessa forma, os prêmios praticados nos portos brasileiros também continuam operando em campo positivo. Em Paranaguá, por exemplo, os contratos janeiro e março/15 têm 78 centavos de dólar sobre o preço da CBOT e abril e maio/15 têm 48 cents, e a cotação do produto com entrega maio/15 supera os R$ 60,00 - com a ajuda da alta do dólar frente ao real - já há algumas semanas. Em outubro, a alta acumulada para a soja no terminal paranaense foi de quase 8%, enquanto no porto de Rio Grande o ganho mensal foi de 11,30%. 

Apesar de safras recordes nos Estados Unidos e nos demais países produtores e exportadores, a demanda por alimentos cresce muito rapidamente, o que mantém a indústria alimentar muito atenta à oferta depois da crise de 2008, explicou o executivo. "Essencialmente, estamos à apenas uma colheita nos separando de um grande problema. Nós não podemos relaxar porque o mundo precisa de mais comida e, claro, hoje em dia, ainda temos outros setores demandadores, como o de biocombustíveis", completou.  

Com informações da Reuters Internacional

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas + Reuters

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