Caso Igarashi: Investigações acontecem em meio à discussões sobre uso e cobrança da água

Publicado em 17/11/2017 20:47
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As investigações sobre a invasão na Fazenda Igarashi em Correntina, na Bahia, continuam acontecendo, porém, ainda sem nenhuma conclusão. Segundo o advogado do grupo, Marco Aurélio Naste, em entrevista ao Notícias Agrícolas, o processo ainda está no início da fase de inquérito. "Essa é a lei e é mesmo um processo lento", diz. 

Ainda como explica Naste, há um reforço policial trabalhando no caso, para que as investigações ocorram com mais rapidez, de acordo com uma determinação da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Na empresa, o momento ainda é de avaliação dos prejuízos, os quais, já se sabe, chegam à casa dos R$ 50 milhões. "Até mesmo equipamentos de terceirizados foram depredados, comprometidos", explica o advogado. Dessa forma, as áreas irrigadas que já estavam semeadas terão, certamente, um potencial produtivo bem menor, já que a fazenda teve quase toda sua estrutura de irrigação destruída, sem possibilidade de recuperação ainda este ano e nem em 2018. 

"A empresa não vai parar de trabalhar por causa disso, mas vai atuar nas suas áreas de sequeiro. E a colheita das áreas irrigadas deverá perder até 50% de sua produtividade, isso se o clima ajudar", explica Naste. 

Destacao - Antes e depois - invasão fazenda em correntina - estação elétrica

Imagem mostra o antes e o depois da invasão na Fazenda Igarashi, em 2 de novembro

Em meio a essas investigações, discussões paralelas sobre o uso da água na região e na agricultura de uma forma geral continuam acontecendo e preocupando o setor. A ANA (Agência Nacional das Águas) trabalha em uma proposta que que visa corrigir os valores cobrados pelo uso da água de acordo com a inflação, ou seja, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). 

Uma nota da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) de 1º de novembro, porém, informa que a instituição conseguiu retirar o assunto da pauta da última reunião da agência, ocorrida em 31 de outubro. Uma nova reunião, no entanto, acontece em dezembro e as lideranças do agronegócio brasileiro já se movimentam para tentar barrar a medida. 

Como explica na nora o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias Filho, essa é uma "metodologia é inviável e economicamente incompatível com a atividade rural". O especialista explica que uma medida como essa poderia onorar o produtor rural em até 90% seu custo de produção. 

A seguir, veja a íntegra da nota do último dia 1º:

" CNA trabalha para evitar a indexação da cobrança pelo uso da água

Brasília (1º/11/2017) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) conseguiu retirar da pauta da reunião do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), na terça (31), o item que trata da indexação de preços da cobrança pelo uso da água.

A decisão beneficia produtores irrigantes e usuários de água, além de possibilitar que o assunto seja mais bem debatido e tenha embasamento jurídico a CNA espera que a proposta seja alterada em beneficio dos usuários. O tema pode voltar à pauta na próxima reunião do Conselho, em dezembro.   

A proposta da Agência Nacional de Águas (ANA) é que os valores cobrados pelo uso da água sejam corrigidos pela inflação, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Caso haja a indexação, um produtor rural de Paracatu, em Minas Gerais, que paga atualmente R$ 4.710,00 por ano, vai passar a pagar R$ 7.938,00 pelo uso da água. 

Para o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias Filho, essa metodologia é inviável e economicamente incompatível com a atividade rural. 

“A CNA trabalha para que a proposta seja rejeitada no Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Indexar o preço do uso da água ao IPCA pode onerar em até 90% o custo de produção da atividade agropecuária”, destaca Ananias. 

De acordo com o assessor técnico da CNA, Gustavo Goretti, a indexação é irregular e enfraquece o sistema de gerenciamento de recursos hídricos". 

Já há uma cobrança prevista para o uso da água da bacia do rio Paranaíba para os irrigantes dos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal pelo volume utilizado neste ano. 

Um aumento na indexação da água para o uso da água nesse caso poderia causar um impacto bastante severo na inflação, podendo aumentar - no caso da irrigação -, prejudicando não só produtores de grãos, mas também cadeias menores, como os hortifrutigranjeiros, por exemplo. 

As tais discussões esbarram ainda em uma outra situação: nos rios cheios e transbordando na região de Correntina, na Bahia. As fotos abaixo são do último dia 14 de novembro e mostram o rio Arrojado na estrada que liga os municípios de Correntina e Jaborandi. 

Rio Arrojado, na estrada que liga Correntina - Jaborandi/BA

Rio Arrojado, na estrada que liga Correntina - Jaborandi/BA

Rio Arrojado, na estrada que liga Correntina - Jaborandi/BA

Rio Arrojado, na estrada que liga Correntina - Jaborandi/BA

Rio Arrojado, na estrada que liga Correntina - Jaborandi/BA

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

3 comentários

  • H Furuya tokyo - 00

    Israel foi país coberto pelo deserto por milhares de anos, quando ocupado somente por palestinos..., mas após chegada dos judeus, hoje é um oásis, e se transformou no maior negocio de agronegócios do mundo em deserto..., com certeza qualquer parte do Brasil é melhor que o deserto de Israel... Muitos em Correntina (Oeste da Bahia), criticam o agronegócio e esse foi um dos motivo de invasao, notadamente o uso de açudes construído para armazenamento de água em época de chuva com maior disponibilidade de água, (técnica também usada em Israel também)..
    Se não fosse o armanezamento, simplesmente água iria para o mar -- tornando necessário usar água diretamente do rio para irrigação em época de escassez. Açude é como fosse balde para captar água de chuva de telhado. E, pela lógica, o Oeste da Bahia, e outras regiões do Cerrado, deveriam ter mais açudes, inclusive incentivando a criação de camarão e peixes para gerar mais emprego e abastecer o mercado local com mais alimento.
    Como diz na química, nada se cria, tudo se transforma.., portanto, a água utilizada do rio para a irrigacao está contribuindo para permanecer mais tempo no local (frisando, água esta que simplesmente iria para o mar), seja na formação de nuvens com evaporação de água irrigada (que aumenta probabilidade de chuva no local), seja pela infiltração de agua não ultilizado para crescimento de cultura, atingindo lençol freático que, em parte, volta para rio ou vai ser consumido para pessoas que tem poço..
    Talvez alguma pessoas não teriam água no poço se nao fosse a irrigação. É falso mito dizer que lavoura de irrigação consome a água, apenas menos de 2% deixa o local na forma de alimento, que sua vez volta para natureza em algum lugar de mundo (lei de lavoisier)....
    A bomba de água de fazenda está servindo também de bomba para aqueles que não possui bombeamento, ou, localizado distante do rio, aumenta a probabilidade de chuva, ao se ter mais água no poços...
    Água retirada do rio (98%) , simplesmente não desaparece, apenas é distribuida na natureza, para retornar mais tarde, após tarefa importante de produzir mais alimento para sociedade.
    A natureza sempre foi honesta, diferente do governo, com seus com imposto que, muitas vezes, simplesmente desaparece para sempre....

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  • tarcizio Grandi PASSO FUNDO - RS

    Esperamos que as autoridades competentes tomem as devidas providências para que estes atos não se repitam. À justiça cabe o enqadramento desses marginais

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    https://www.youtube.com/watch?v=4PSfUgHy7dI&feature=youtu.be

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    • RODRIGO POLO PIRESBALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC

      George Wanderley, o doutor honoris causa, afirma que os ribeirinhos tem o direito à legitima defesa para corrigir uma injustiça. Segundo essa visão, o Estado, em conluio com grupos empresariais, se uniram para injustiçar uma parte da população de Correntina..., e fora dessa alternativa há apenas uma: os técnicos do grupo Igaraschi erraram os cálculos de vazão e esse erro foi chancelado pelos técnicos do governo. Descarto essa segunda opção pois para gente tão inteligente, que quer governar o mundo, não seria dificil encontrar e demonstrar esses erros metodológicos ou matemáticos. Resta, portanto, a primeira opção, qual seja a de punir os corruptores e corruptos. Isso, essa narrativa, tornaria a "ação" legitima e justa. Afirma também que existem sistemas de produção mais harmônicos com a natureza, e que evidentemente são antagônicos ao sistema adotado pelo grupo Igaraschi. Esse sistema que ele defende, serviria e favoreceria um número maior de pessoas fazendo com que a "distribuição" da renda fosse mais igualitária. Eu pergunto, é função do Estado distribuir renda e tornar a sociedade mais igualitária? Para facilitar a resposta parto da premissa de que a lei tem a função de impedir a injustiça. Não é por acaso grande injustiça tirar de quem tem, de quem construiu, para favorecer quem nada fez? De onde sairá o dinheiro para capacitar essas pessoas? Quem capacitará? Vossa irmã, através de um conselho de notáveis, sob a supervisão de doutores honoris causa? De onde sairá o dinheiro para que essas pessoas comprem aquilo que é essencial para produzir de maneira viável economicamente? E ainda assim, quem garantirá o sucesso da empreitada? Se toda essa quimera inventada por vocês der errado, quem é que vai pagar por isso?

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