Secretaria de Agricultura mostra impactos da pandemia em dez produtos agropecuários paulista

Publicado em 27/04/2020 11:38 280 exibições
Análises são de 16 pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), fez uma análise dos impactos da Covid-19 no agronegócio paulista. A análise contou com a participação de 16 pesquisadores do IEA, que mostram o impacto da pandemia no setor de citros, cana-de-açúcar, amendoim, algodão, soja, trigo, café, feijão, leite e derivados e carne bovina.

"Por meio do acompanhamento das principais cadeias produtivas do Estado, o Instituto de Economia Agrícola (IEA) analisou importantes aspectos das exportações, do consumo e do comportamento do mercado, resultando em informações que contribuem na tomada de decisões dos diversos agentes envolvidos, mas que também nos ajudam a compreender os reflexos e as possíveis mudanças que a pandemia pode trazer ao setor no futuro", afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento Gustavo Junqueira.

Segundo os especialistas, o novo coronavírus traz reflexos nas exportações brasileiras, com o deslocamento das exportações para regiões de maior crescimento de renda, como a venda de milho e açúcar para o Oriente Médio em detrimento de países com maior crescimento populacional, alterações nos acordos internacionais e rescisões contratuais, além da necessidade de garantia do abastecimento doméstico.

Para os pesquisadores, a pandemia faz com que a sanidade animal e vegetal ganhe vulto, exigindo mais controle, monitoramento e fiscalização, pois é um tema cada vez mais exigido pela demanda externa e interna. O rastreamento e a certificação dos produtos agropecuários devem ser intensificados, assim como o uso de tecnologias digitais no campo. "O cenário que se estabeleceu nos últimos meses fez com que setores do agro que ainda não haviam se inserido na era digital iniciassem a transformação que será bastante notada no final da pandemia. O agronegócio paulista não estará no mesmo patamar no final da crise e incrementos de inovação serão notados em todos os segmentos", avalia Priscilla Rocha Silva Fagundes, diretora-geral do IEA.

Confira abaixo a análise do IEA para dez produtos agropecuários produzidos em São Paulo.

Citros para a indústria: São Paulo é o maior produtor e exportador de citros do mundo. Os pesquisadores percebem tendência na demanda internacional por sucos cítricos, principalmente, por esses produtos serem ricos em vitamina C. Há uma tendência de normalização do mercado chinês, porém, há problemas no mercado europeu na área de liberação das cargas nos portos e uma perspectiva de aumento de preços em Nova York, devido à alta do dólar. No mercado interno há aumento do consumo de NFC, o que traz oportunidades para pequenas extratoras e aumento de venda para o consumidor. Os estoques de passagem estão altos no mercado interno e há previsão de menor safra em 2020, o que tenderia a equilibrar os preços pagos a caixa de 40,8 kg da fruta.

Cana-de-açúcar: principal produto do agronegócio paulista, o cenário mundial, segundo os pesquisadores do IEA, influencia o mercado da cana-de-açúcar, devido à alta no valor do dólar, a queda dos preços do petróleo e açúcar em Nova York e a diminuição na demanda por combustível, devido à redução no deslocamento. A maior porcentagem do mix de produção deve ser destinado a produção de açúcar. O país é um dos maiores produtores e exportadores de açúcar. No período de melhor preço do açúcar parte das unidades industriais herdaram sua produção garantindo um melhor preço para seu produto.

Amendoim: Segundo os especialistas, o cenário mundial é de queda na produção e importação aquecida para o amendoim em grão. No cenário nacional, São Paulo responde por mais de 90% da produção e a safra de 2019/2020 foi 28,5% superior à safra passada. O risco para o setor está na redução das exportações, especialmente para os países europeus, e do consumo interno, puxada pelo adiamento das festividades juninas, reprogramação da indústria e a perspectiva da comercialização. A manutenção dos estoques e a queda nos preços comprometeriam a capacidade de investimento e a dinâmica econômica de regiões como Marília, Tupã, Presidente Prudente, Jaboticabal, Ribeirão Preto e Barretos. Há, porém, oportunidades, como a ocupação de novos espaços no mercado externo e a contribuição com políticas de garantia alimentar às populações vulneráveis e de abastecimento.

Algodão: O agravamento da pandemia do novo coronavírus se dá justamente no momento da colheita do algodão no Estado, que tem produção de 38,5 mil toneladas de algodão em caroço e 15 mil toneladas de algodão em pluma. Cerca de 70% da produçã

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Fonte:
Sec. de Agricultura de SP

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