Falta boa comunicação para Brasil mudar a imagem do Agro no exterior, diz Roberto Rodrigues

Desde o início do século 21, a preocupação - e provocação - lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU), era sobre a necessidade de uma produção de alimentos em maior escala para garantir a segurança alimentar da população mundial, mas mantendo a sustentabilidade ambiental. De acordo com o engenheiro agrônomo, agricultor e coordenador do Centro de Agronegócios da FGV, Roberto Rodrigues, o Brasil já é um produtor de alimentos e mantem a sustentabilidade, mas a ação de criminosos mancha a imagem do país no exterior. Para contornar isso, segundo ele, é preciso que haja uma forma de comunicação correta para apontar o caminho que o agro brasileiro vem trilhando.
Conforme a fala de Rodrigues durante o Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas, nesta terça-feira (29), a resposta para a equação que une a oferta, demanda, qualidade dos alimentos e sustentabilidade ambiental é a tecnologia.
"A ciência se debruçou sobre esse tema, mas a pandemia da Covid-19 aprofundou e agilizou a busca de respostas para esse tema, trouxe uma outra expectativa quanto a questão de segurança alimentar. As pessoas se deram conta de que é possível ficar sem comprar roupa, TV, carro, mas não sem comida", disse.
Segundo o especialista, Isso colocou o país em uma posição interessante, já que foi um dos únicos países no mundo que aumentou as exportações durante a pandemia.
Rodrigues conta que até a década de 1970 a agricultura e pecuária brasileira eram costeiras, por causa dos grandes centros consumidores e portos e não se olhava para o Cerrado. "A tecnologia gerada nos órgãos de pesquisa e universidades conseguiufazer a agricultura chegar ao Cerrado com três pilares: soja, capim braquiária e o zebu", afirmou.
Como exemplo de crescimento sustentável do agro brasileiro baseado na tecnologia, o especialista relembra que desde o plano Collor em 1990, até hoje, a área plantada de grãos no Brasil cresceu 74%, e a produtividadeavançou 342%.
"Hoje cultivamos 66 milhões de hectares com grãos, somando o que se faz 2 safras. Se fosse a mesma produtividade que tivesse no plano Collor, teria que ter mais 103 milhões de hectares para colher a safra desse ano. Ou seja, preservamos 103 milhões de hectares, e esse processo está feito, consolidado".
COMÉRCIO EXTERIOR
Mesmo com o crescimento no agronegócio baseado em tecnologia gerada em instituições de pesquisas e universidades, Rodrigues afirma que as ilegalidades cometidas por criminosos - não agricultores séroios - acabam manchando a imagem do país. "Há importadores que querem suspender as compras por causa destes crimes como grilaem, garimpo e desmatamento ilegais, queimadas. Precisamos de comunicação correta, reconhecer os erros e corrigí-los para contornar esse desafio", disse.
Como exemplo de expansão das exportações brasileiras, o especialista cita a China, que em 2000 representava 2,7% dos US$ 20 bilhões das vendas de produtos do agro do Brasil no mercado externo. Em 2019, as exportações agrícolas brasileiras passaram para a soma de US$ 90 bilhões, e a China representava então 32% do total.
"As exportações do Brasil cresceram quase cinco vezes, isso tendo pelo caminho crises financeiras. A china hoje é uma potência importante, mas não podemos depender de um só mercado. Temos outros países da Ásia, Oriente Médio, Mercosul, União Europeia, mas para ampliar e manter esses mercados implica em grandes negociações diplomáticas. Nós somos um país muito grande para escolher mercado, precisamos vender para o mundo inteiro, e para isso, precisa de uma boa diplomacia", afirmou.
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