Seca "sem precedentes" na Argentina atinge agricultores e economia
![]()
Por Lucila Sigal e Eliana Raszewski
BUENOS AIRES (Reuters) - Uma seca histórica que atinge as safras da Argentina está aprofundando a crise econômica do gigante exportador de grãos, arrasando os agricultores na região dos Pampas, aumentando os temores de inadimplência e colocando em risco as metas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O país, que é o maior exportador mundial de soja processada e terceiro maior em milho, está passando pela pior seca em mais de 60 anos, o que levou a repetidos cortes acentuados nas previsões de colheita de soja e milho.
As projeções foram revisadas novamente para baixo na quinta-feira pela bolsa de grãos de Buenos Aires, depois que a bolsa de Rosário reduziu sua perspectiva de produção de soja para 27 milhões de toneladas, a menor desde a virada do século.
"Estamos enfrentando um evento climático sem precedentes", disse Julio Calzada, chefe de pesquisa econômica da Bolsa de Rosário, à Reuters, acrescentando que os agricultores enfrentam perdas de 14 bilhões de dólares e 50 milhões de toneladas a menos na produção de grãos de soja, milho e trigo.
"É inédito que as três safras fracassem. Estamos todos esperando que chova", acrescentou.
A seca é um duro golpe para a Argentina. Ela ocorre em um momento em que o país se prepara para eleições gerais em outubro, está lutando contra uma inflação de 99% e enfrenta uma dficuldade com pagamentos de dívidas locais e internacionais aos detentores de títulos e ao FMI.
Com os grãos sendo o principal produto de exportação do país, os planos para reconstruir as esgotadas reservas em divisas estão estagnados, levando a negociações com o FMI para afrouxar as metas de acúmulo de reservas para o ano. Os analistas também cortaram as perspectivas do PIB.
As bolsas de grãos alertaram que as previsões de soja e milho podem cair ainda mais se não chover. A previsão para a soja da Bolsa de Rosário já está no menor nível desde a temporada 1999/2000 e a expectativa de rendimento é a pior desde 1996/97.
"Do que esperávamos (no início da campanha) até a situação de hoje, não sei se vamos produzir metade disso", disse Miguel Calvo, produtor de soja na província central de Córdoba.
(Reportagem adicional de Maximilian Heath; escrito por Valentine Hilaire)
0 comentário
Roberto Rodrigues avalia que a falta de recursos para o seguro rural deixa o Plano Safra incompleto
Na mira da União Europeia, falta de gestão sobre as emissões de carbono pode limitar exportações brasileiras
Podcast NA #114 - Cadeia produtiva do feijão vive uma das maiores transformações da história
Membro do BCE faz alerta sobre inflação subjacente apesar da queda do petróleo
Crescimento do setor de serviços dos EUA desacelera em junho; emprego se recupera
Setor que movimenta mais de 25% do PIB brasileiro vira porta de entrada para profissionais do mercado financeiro; evento gratuito em Curitiba mostra como