Deral vê viés de baixa para safra de milho do Paraná por cigarrinha e clima
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Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) -A previsão da segunda safra de milho do Paraná em 2022/23 foi mantida nesta quinta-feira em 13,8 milhões de toneladas, segundo avaliação mensal do Departamento de Economia Rural (Deral), mas há um viés de baixa para a produtividade do Estado, que está começando a colheita.
Se confirmada a estimativa atual, a safra do segundo maior Estado produtor de milho do Brasil poderia crescer 4% na comparação com a temporada passada, apesar de uma redução de área de 12% em 22/23, conforme números do Deral.
O aumento na safra se daria, portanto, com um crescimento na produtividade média para 5.713 quilos por hectare, mas este número deve ser reavaliado.
"O viés é de uma produtividade menor que a atual, pois o impacto da cigarrinha e estiagem vai refletir em produtividade menor", disse o especialista em milho do Deral Edmar Gervásio, citando a seca, mas também uma das pragas que afetam as lavouras.
Segundo o especialista do órgão do governo do Paraná, quantificar a redução na produtividade ante o estimado neste momento é difícil. "Contudo, os relatos indicam que as perdas podem superar a 5% no cenário negativo. Contudo, neste momento, é meramente conjectura. É necessário que a colheita avance para ser possível confirmar", afirmou.
Ele lembrou que os maiores volumes da colheita começam a acontecer nas próximas semanas. "Neste momento a colheita do milho é nas regiões mais frias e tem muito pouca plantação."
TRIGO
Já a safra de trigo do Paraná foi estimada nesta quinta-feira em recorde de 4,56 milhões de toneladas, alta de 30% ante a temporada passada, segundo levantamento do Deral.
As previsão praticamente não foi alterada em relação ao mês anterior, disse o agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho, acrescentando que o departamento notou "algumas desistências (de plantio) de última hora no sul, enquanto no norte/oeste houve um incremento ainda maior sobre o milho safrinha" em áreas em que o trigo poderia ter sido plantado.
Godinho disse que o Paraná, um dos maiores produtores de trigo do Brasil ao lado do Rio Grande do Sul, ainda está plantando a safra, com 91% do plantio projetado concluído.
"As chuvas na semana retrasada e passada, seguidas de dias secos, criaram condições muito boas para o plantio na região mais tardia, no sul, onde estão as áreas remanescentes, por plantar", notou.
A colheita de trigo no Paraná vai de agosto a novembro, no caso das lavouras mais tardias.
RIO GRANDE DO SUL
Já o Rio Grande do Sul semeou 65% da área planejada para esta safra, estimada em 1,5 milhão de hectares, informou a Emater-RS nesta quinta-feira.
"As lavouras que foram semeadas no final de maio e na primeira quinzena de junho apresentam emergência altamente satisfatória e rápido desenvolvimento inicial", destacou o órgão de assistência técnica em nota.
A ocorrência de chuvas, intercaladas com períodos de tempo estável, tem influenciado o ritmo da semeadura. A implantação do trigo já se aproxima dos 90% na região noroeste, de 65% na região central, e no sul atinge 60%.
A safra de trigo no Rio Grande do Sul de 2023 está estimada em 4,55 milhões de toneladas em 2023, queda de 14% ante 2022, quando a produtividade foi elevada favorecida pelo clima, segundo uma primeira projeção da Emater.
(Edição de Letícia Fucuchima e Pedro Fonseca)
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