Onda de calor na Índia mata pelo menos 33 pessoas, incluindo funcionários eleitorais
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Por Jatindra Dash
BHUBANESWAR, Índia (Reuters) - Pelo menos 33 pessoas, incluindo funcionários eleitorais em serviço, morreram de suspeita de insolação nos estados indianos de Bihar, Uttar Pradesh e Odisha nesta sexta-feira, e a onda de calor na região deve continuar até sábado, disseram autoridades.
A Índia vem passando por um verão extremamente quente e uma parte da capital, Délhi, registrou a temperatura mais alta do país -- 52,9º Celsius --, nesta semana, embora isso possa ser revisto pelo departamento meteorológico, que verifica os sensores da estação meteorológica que registrou a leitura.
Mesmo com a previsão de as temperaturas no noroeste e no centro da Índia caírem nos próximos dias, a onda de calor predominante no leste da Índia deve seguir por dois dias, disse o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), que declara onda de calor quando a temperatura é entre 4,5°C e 6,4°C mais alta que o normal.
Quatorze pessoas morreram em Bihar na quinta-feira, segundo autoridades, incluindo 10 pessoas envolvidas na organização das eleições nacionais de sete fases que estão em andamento. Funcionários eleitorais geralmente precisam ficar de plantão o dia todo, muitas vezes ao ar livre.
Partes de Bihar estão vão votar na rodada final das eleições no sábado.
No Estado de Uttar Pradesh, o mais populoso da Índia, pelo menos nove funcionários eleitorais, incluindo seguranças, morreram nesta sexta-feira de acordo com autoridades do governo.
"Eles tinham febre alta quando foram trazidos. Também pode ter sido devido à insolação. No momento, estamos tratando pelo menos 23 pessoas trazidas do serviço eleitoral", disse a jornalistas R B Kamal, diretor da faculdade de medicina onde os funcionários estão sendo tratados.
A maior eleição do mundo e sua exaustiva campanha foram atingidas por temperaturas recordes. A última fase da votação está programada para ser realizada no sábado e os votos serão contados na terça-feira.
Dez mortes também foram registradas no hospital do governo na região de Rourkela, em Odisha, na quinta-feira, disseram autoridades à Reuters, o que levou o governo de Odisha a desaconselhar atividades ao ar livre entre 11h e 15h, quando as temperaturas atingem o pico.
Três pessoas morreram de suspeita de insolação no Estado de Jharkhand, vizinho a Bihar, informou a mídia local.
Em Délhi, onde as altas temperaturas têm feito com que pássaros e macacos selvagens desmaiem ou adoeçam, o zoológico conta com piscinas e aspersores para aliviar seus 1.200 ocupantes.
"Mudamos para uma dieta de gerenciamento de verão, que inclui uma dieta mais líquida, bem como todas as frutas e legumes da estação, que contêm mais água", disse Sanjeet Kumar, diretor do zoológico, à agência de notícias ANI.
Délhi, onde a temperatura era de 45,4º C na tarde desta sexta-feira, registrou sua primeira morte relacionada ao calor nesta semana e passa por uma aguda escassez de água.
Bilhões de pessoas em toda a Ásia enfrentam o aumento das temperaturas -- tendência que, segundo cientistas, foi agravada pela mudança climática causada pelo homem.
Vizinho da Índia, o Paquistão também registrou um aumento nos incêndios florestais com a elevação das temperaturas, que chegaram a 52,2ºC na semana passada.
A Índia é o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, mas estabeleceu a meta de tornar-se um emissor líquido zero até 2070.
Enquanto o calor afeta parte do país, os estados de Manipur e Assam, no nordeste, foram atingidos por fortes chuvas após o ciclone Remal, com várias áreas inundadas nesta sexta-feira.
As chuvas de monções também atingiram a costa do Estado de Kerala, no extremo sul do país, na quinta-feira, dois dias antes do esperado.
(Reportagem adicional de Tora Agarwala em Guwahati)
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