Posição da Aprosoja Brasil sobre prejuízos decorrentes da MP do PIS/Cofins (MP 1.227/2024)
O Governo Federal publicou no dia 4 de junho de 2024 a Medida Provisória nº 1.227/2024 (MP 1227), que foi denominada pelo Poder Executivo de “MP do Equilíbrio Fiscal”. O objetivo é compensar a arrecadação em razão da manutenção da desoneração da folha de salários, cujo impacto para os cofres públicos gira em torno de R$ 26,3 bilhões. Nas justificativas apresentadas pelo Governo Federal, a medida veio para corrigir distorções do sistema tributário nacional sem aumentar impostos.
Contudo, o setor rural e a agroindústria de forma ampla receberam o teor da MP 1227 com grande espanto e revolta, especialmente porque traz novas restrições aos contribuintes, atingindo em cheio não só os produtores, mas todo o agronegócio brasileiro, causando insegurança jurídica e gerando imprevisibilidade no mercado.
Em uma análise inicial, a indústria da cadeia produtiva da soja, que processa e exporta grãos, farelo e óleo, apontou que créditos da ordem de R$ 6,5 bilhões deixariam de ser recebidos. Como o mercado não exporta impostos, o produtor rural perderá esta renda nos contratos de aquisição. A consequência direta calculada será de 4% a 5% no preço da saca de soja vendida, prejudicando profundamente os produtores de soja e milho.
A Aprosoja Brasil e qualquer outra entidade séria prima pela implementação de ações em busca do equilíbrio fiscal. Contudo, o que vemos é a falta de um ajuste nos gastos do Governo. Pelo contrário, os gastos da máquina pública estão sempre aumentando. E agora, surgem ações que se assemelham às retenciones argentinas, país que destruiu a sua cadeia agropecuária nas últimas décadas e gerou instabilidade no câmbio e inflação descontrolada como consequência deste tipo de política distorcida.
A médio e longo prazos, a MP desestimula a produção, reduz o processamento e as exportações, prejudicando toda a economia. Dólares das exportações deixam de entrar e o causam descontrole cambial. A inflação também aumenta com o esfriamento da atividade econômica do país, já que o setor é a base da economia brasileira.
E com todas as violações constitucionais trazidas pela MP 1227, apontadas por tributaristas respeitados de diversas entidades do agronegócio, em especial por violar a imunidade das exportações, sendo o Brasil um dos maiores países agroexportadores do mundo, sua grande vocação econômica, e pelos prejuízos para a nação, o Governo Federal deveria retirar a MP imediatamente (já estamos vivendo as suas consequências). Se assim não o fizer, que o Congresso Nacional, com os representantes do povo brasileiro, devolva a MP ou vote a sua rejeição urgentemente.
0 comentário
VI Encontro Tecnológico da ETASA debate o papel da inteligência artificial no Agro 4.0
De Olho no Material Escolar e Cocred premiam vencedores de “desafio” que uniu vivência no agro e educação financeira
Chuva chegou, mas produtor precisa ter cautela antes de iniciar plantio da soja
Minério de ferro sobe após queda nos estoques, mas fecha semana com perda
Elevada umidade retarda plantio de soja no RS; Emater eleva previsão de produtividade para o trigo
Produtores e entidades debatem melhorias no controle de javalis em Mato Grosso