Faesp critica suspensão de financiamento agrícola
A notícia da suspensão de novas contratações de financiamentos com subvenção federal nas linhas do Plano Safra (2024/25) a partir desta sexta (21) gerou protestos no setor agrícola. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a decisão demonstra total falta de compromisso do governo com milhões de produtores rurais que trabalham diariamente para garantir o sustento dos brasileiros e o superávit da balança comercial.
O anúncio foi feito através de ofício enviado às instituições financeiras (Ofício Circular SEI nº 282/2025/MF) e assinado pelo secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron de Oliveira. No documento, ele aponta o aumento de custos do governo, que ainda aguarda a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária no Congresso. Técnicos do governo já haviam alertado que o orçamento para o pagamento da equalização dos juros estava quase esgotado devido ao aumento da taxa Selic, que impacta os custos de captação dos bancos e aumenta a diferença que o Tesouro precisa cobrir entre a taxa paga pelos agricultores e o custo real do dinheiro, incluindo os spreads bancários.
“Lamento profundamente essa decisão e vejo como uma falta de compromisso do governo com o setor agropecuário. O governo perdeu o controle da política monetária e vai penalizar o setor produtivo. Os R$ 476 bilhões anunciados no Plano Safra 2024/2024, dos quais R$ 133,6 bilhões poderiam ser acessados em linhas com a equalização de juros, que garante taxas mais baixas, são importantes para dar musculatura principalmente aos pequenos e médios produtores, que são a maioria no Brasil”, frisou Meirelles.
Essa medida se aplica tanto para operações contratadas no Plano Safra atual, quanto para financiamentos dos anos anteriores. Durante a pandemia, algumas contratações de investimentos foram feitas com juros baixos, como a linha ABC (atualmente RenovAgro) com 4,5% e o Moderfrota com 7,5% no Plano Safra 2020/21. Com a Selic em 13,25% e previsões de ultrapassar 15%, o custo aumentou, forçando o governo a encerrar as contratações mais cedo.
O presidente da Faesp garantiu que irá trabalhar com as demais entidades representativas do setor para tentar reverter a situação, garantindo a segurança alimentar da população. “Não podemos deixar que o setor produtivo seja penalizado. Vamos lutar para reverter essa situação e garantir que os pequenos produtores não sejam inviabilizados”, concluiu Tirso Meirelles.
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