Tarifa EUA: SindiTabaco acredita em saída diplomática
O setor brasileiro do tabaco acompanha com preocupação a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 50% sobre as importações do produto a partir de 1º de agosto. A medida, anunciada como parte de um pacote de retaliações comerciais, pode comprometer a competitividade do tabaco brasileiro no mercado norte-americano, atualmente o terceiro maior destino em volume e valor.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC/ComexStat), entre janeiro e junho de 2025, o Brasil exportou 19 mil toneladas de tabaco aos Estados Unidos, gerando US$ 129 milhões em receita. No acumulado de 2024, foram 39,8 mil toneladas e US$ 255 milhões em vendas externas para o país. Isso representa cerca de 9% das exportações totais brasileiras do setor, que alcançam, em média, 500 mil toneladas por ano para mais de 100 países.
Para Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), o momento exige responsabilidade e equilíbrio. “A taxação cria uma situação bastante complexa, mas acreditamos no diálogo e em uma saída diplomática, porque ninguém está ganhando com isso — nem os Estados Unidos, nem o Brasil”, afirma.
Segundo ele, no início de 2025, o tabaco brasileiro pagava uma tarifa média de US$ 0,375 por quilo para entrar nos EUA. Esse valor foi acrescido em 10% em abril, no primeiro anúncio feito pelo presidente Donald Trump. Agora, com o adicional de 50%, a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano fica ameaçada.
“Se mantida, possivelmente, o Brasil não será mais competitivo para o mercado norte-americano. Agora, se olharmos por outra ótica, há uma demanda mundial muito grande de tabaco, e é muito provável que o produto seja remanejado para outros destinos”, ressalta Thesing.
Apesar da preocupação, o setor mantém uma visão cautelosa. Pesquisa da Deloitte divulgada recentemente projeta um crescimento nas exportações brasileiras de tabaco em 2025, com aumento entre 10,1% e 15% tanto em volume quanto em valor. Para Thesing, esse cenário reforça a confiança de que o impacto da tarifa, caso não seja revertida, poderá ser absorvido pela diversificação dos mercados de destino.
“De todo modo, o setor está atento, mobilizado e confiante de que a diplomacia buscará uma solução antes da entrada em vigor da tarifa, prevista para o dia 1º de agosto”, finaliza.
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