Venezuela exporta ureia ao Brasil, mas tem pouca relevância no mercado global

Publicado em 06/01/2026 11:48

As recentes tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Venezuela reacenderam a atenção do mercado internacional para possíveis impactos sobre a cadeia global de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, informa a StoneX, empresa global de serviços financeiros. No entanto, a Venezuela tem participação limitada no comércio global de ureia, o que reduz o potencial de efeitos estruturais sobre preços e oferta mundial.

De acordo com o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, é comum que grandes produtores de petróleo também tenham relevância na produção de fertilizantes nitrogenados, já que o gás natural — insumo essencial para a fabricação de nitrogenados — está ligado à exploração do petróleo. “Rússia, Argélia, Irã e Catar são exemplos dessa correlação. No caso da Venezuela, apesar de ser uma grande produtora de petróleo, sua presença no mercado global de ureia é bastante modesta”, explica.

Em 2024, a Venezuela ocupou a 18ª posição entre os maiores exportadores globais de ureia, com pouco mais de 560 mil toneladas embarcadas, o equivalente a cerca de 1% das exportações mundiais. Para efeito de comparação, a Rússia respondeu por aproximadamente 18% do comércio global do produto no mesmo período.

Fornecimento ao Brasil existe, mas não é determinante

Embora tenha baixa relevância global, a Venezuela aparece como fornecedora de ureia para o Brasil. Em 2024, cerca de 6% da ureia importada pelo país teve origem venezuelana. Entre janeiro e novembro de 2025, essa participação recuou levemente, ficando abaixo de 5%.

Os principais parceiros comerciais do Brasil nas importações de ureia em 2025 seguem sendo Nigéria (23%), Rússia (16%) e Catar (15%), o que reforça a diversificação das origens e reduz a dependência de um único fornecedor.

“Até o momento, não há indícios de impactos diretos sobre a capacidade produtiva ou exportadora de fertilizantes da Venezuela”, realça Pernías. “O que o mercado observa, por ora, são pressões pontuais nos custos logísticos, com relatos de fretes marítimos mais elevados em função do aumento das incertezas na região”, conclui.

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Fonte:
StoneX

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