Brasil ganha novo laboratório de reprodução equina no Rio Grande do Sul e projeta salto na genética e economia do setor

Publicado em 07/01/2026 07:30 e atualizado em 07/01/2026 14:10
O Rio Grande do Sul inaugurou um novo laboratório de reprodução equina, um avanço importante para o setor que movimenta bilhões de reais por ano e responde pela genética e saúde de um dos maiores rebanhos do mundo

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O que muda com o novo laboratório

Com uma técnica que representa um avanço em aproveitamento de material reprodutivo, eficiência e controle genético, entrou em operação em outubro, no Rio Grande do Sul, o primeiro laboratório de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI) para equinos do Sul do Brasil. Resultado da parceria do médico veterinário gaúcho Felipe Hartwig com a maior rede de embriões in vitro do mundo, a InVitro Equinos Sul atua na reprodução assistida de animais, com a possibilidade do uso de material genético escasso, inclusive de animais que já morreram.

“Já produzimos embriões aqui, que estão prontos para serem transferidos às receptoras, e dispomos de tecnologia para atender à crescente demanda do mercado. No ano passado, mais de dois mil embriões foram produzidos por ICSI, para clientes gaúchos, que precisaram enviar os óvulos para o estado de São Paulo”, revela Hartwig, especialista em fertilidade equina com mais de 15 anos de experiência. O laboratório, localizado em Pelotas, realiza todo o processo da técnica mais moderna e eficaz de produção de embriões disponível no mercado. 

Na prática, o uso de biotecnologias avançadas no novo laboratório representa um ganho direto para a equideocultura nacional. A aplicação dessas técnicas aumenta a eficiência reprodutiva, elevando as taxas de sucesso na produção de embriões e permitindo um melhor aproveitamento genético dos animais. Também contribui para a preservação de linhagens valiosas, ao viabilizar o uso de material genético de cavalos de alto valor zootécnico, inclusive de reprodutores já falecidos. Com genética de alta performance, o setor ganha competitividade, impulsiona a valorização comercial dos potros e amplia o potencial de exportação, atraindo investimentos internacionais. Além disso, os métodos modernos reduzem riscos aos animais, promovendo mais segurança nos procedimentos e melhorando a saúde reprodutiva e o bem-estar dos equinos.

Especialistas explicam o impacto

“A entrada em operação de laboratórios de reprodução assistida de alta complexidade fora do eixo tradicional representa um avanço estratégico para a cadeia reprodutiva equina no Brasil, especialmente do ponto de vista econômico e operacional”. Explica o coordenador técnico da IMV do Brasil, Luiz Eduardo Kneese. 

Kneese também explica que do ponto de vista logístico, a proximidade geográfica reduz o tempo entre coleta de oócitos, envio de material e processamento. Em técnicas como ICSI, (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide) em que a qualidade do oócito e do sêmen é determinante para o sucesso, a redução de transporte interestadual — muitas vezes envolvendo longas distâncias, múltiplos modais e riscos térmicos — pode impactar diretamente as taxas. Também reduz gargalos operacionais e diminui a dependência de janelas logísticas restritas. Na prática, isso permite melhor planejamento reprodutivo e melhor logística para os técnicos de campo e de laboratório.

O impacto na economia local e nacional

O laboratório não só atende criadores gaúchos, como também pode se tornar um polo de atração para proprietários de outras regiões do país. A cadeia produtiva atrelada ao setor - desde veterinários até fornecedores de genética, serviços de transporte e hospedagem - também pode se beneficiar economicamente.

Esse impacto econômico, ainda que menor que os grandes segmentos de pecuária de corte ou leite, representa cerca de 1,1 % do PIB do agronegócio brasileiro, que em 2024 foi estimado em R$ 2,72 trilhões, e reflete um nicho em crescimento, com aumento de oferta de serviços veterinários, leilões, esportes e turismo rural ligados aos equinos. Além disso, o Brasil abriu mercado para exportação de equinos vivos à União Europeia, segundo dados do Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA), uma das economias mais exigentes em termos sanitários e de qualidade animal, o que pode ampliar ainda mais esse potencial de exportação e atrair investimentos internacionais na cadeia produtiva.

Para o coordenador técnico da IMV do Brasil, Luiz Eduardo Kneese, a reprodução assistida, por meio da ICSI, permite contornar limitações naturais da fisiologia reprodutiva equina e ampliar o aproveitamento genético de animais de alto valor zootécnico.

“Em éguas atletas, a técnica possibilita a produção de embriões sem comprometer a carreira esportiva, dissociando desempenho e gestação. Em fêmeas com idade avançada ou histórico reprodutivo desfavorável, a produção in vitro viabiliza o uso genético de indivíduos que, em sistemas convencionais, seriam subutilizados ou descartados da reprodução. Para os garanhões, a ICSI reduz a dependência de grandes volumes de sêmen, permitindo o uso de material congelado antigo ou de animais com baixa qualidade de ejaculado. Isso tem impacto direto na preservação e uso de genética e na continuidade de linhagens estratégicas, especialmente em raças com alto valor zootécnico e econômico”.

Ferramentas complementares, como biópsia embrionária, sexagem e testes genéticos, adicionam uma camada de controle e previsibilidade ao processo, reduzindo riscos e prejuízos futuros. Esse conjunto de tecnologias favorece sistemas reprodutivos mais eficientes, sustentáveis e tecnicamente consistentes, alinhados às demandas atuais do mercado e da reprodução animal responsável.

Setor equino em números

A iniciativa foi anunciada por criadores e especialistas, com expectativa de fortalecer a produção de embriões e acelerar o uso de biotecnologias avançadas para equinos de alto valor genético.
O mercado equino brasileiro é um dos mais expressivos no mundo: o país possui cerca de 5,8 milhões de equinos, sendo o quarto maior rebanho global, atrás apenas de China, México e Estados Unidos. Dados do setor apontam que a cadeia movimenta aproximadamente R$30 bilhões por ano e emprega mais de 3 milhões de pessoas em atividades ligadas à criação, competições, lazer, serviços veterinários, comércio e indústria de produtos para cavalos. 
No Rio Grande do Sul, segundo especialistas no setor, o rebanho também é expressivo, com dezenas de milhares de animais distribuídos em fazendas e centros de treinamento, consolidando a importância da equideocultura para a economia regional. 
 

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Por:
Priscila Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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