"Mosca-branca é problema para tudo o que se planta depois da soja", afirma especialista
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A mosca-branca é uma das principais pragas da agricultura brasileira e representa um grande desafio para o produtor rural. No Brasil, ela afeta cerca de 40 culturas agrícolas. Segundo Eliane Dias Quintela, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, a soja é o principal cultivo responsável pela multiplicação da praga no campo, favorecendo sua migração a partir de plantas daninhas e a colonização dos primeiros plantios.
“A mosca-branca é um problema significativo para tudo o que é plantado depois da soja. É crucial controlar a praga nos primeiros plantios para evitar sua multiplicação”, orienta a pesquisadora.
Quintela explica ainda que eliminar as ninfas é ainda mais eficiente do que controlar apenas os adultos, pois o uso exclusivo de inseticidas voltados aos adultos não interrompe o ciclo da praga, já que as ninfas continuam gerando novos indivíduos.
“A praga se multiplica muito rapidamente. Uma única fêmea pode produzir até 240 milhões de novos indivíduos a 30 °C, tornando o manejo impossível se não houver controle adequado de ninfas e adultos”, alerta a especialista.
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Vazio sanitário: estratégia fundamental no manejo
Tudo o que é plantado após a soja e que serve de hospedeiro para a mosca-branca tende a sofrer com a praga. Por isso, em algumas culturas, como o feijão, o vazio sanitário é obrigatório, principalmente devido às viroses transmitidas pela mosca-branca.
“Produtores do Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e do Distrito Federal já discutem a ampliação desse vazio sanitário, evitando o plantio entre janeiro, fevereiro e março. Isso mostra o quanto essa praga é importante e os prejuízos que ela pode causar”, reforça Eliane.
De acordo com a especialista, o ponto-chave do manejo é controlar a mosca-branca nos primeiros plantios de soja, evitando sua multiplicação no campo. Quando a praga já está presente em áreas de soja em fase de florescimento ou enchimento de grãos, o manejo deve incluir o controle simultâneo de adultos e ninfas.
“Normalmente, o produtor controla apenas os adultos, porque são mais visíveis e os inseticidas são mais baratos. Mas, quando há adultos no campo, há ninfas também. Se o controle não atingir ambas as fases, o ciclo não é quebrado”, explica Quintela.
Altas populações tornam o controle inviável
Eliane cita casos no Mato Grosso e na Bahia em que são observados mais de 600 adultos por folha de algodão, cultura frequentemente plantada após a soja.
“Mesmo que um produto alcance 80% de eficiência, ainda restariam 120 adultos por folha. Considerando que uma única fêmea pode gerar milhões de descendentes, o manejo se torna inviável. E onde há muitos adultos, há muitas ninfas”, alerta.
Como tornar o controle da mosca-branca mais eficiente?
O controle conjunto de adultos, mas principalmente das ninfas, continua sendo a estratégia mais eficiente. Além do uso de inseticidas com efeito de choque, a pesquisadora recomenda a utilização de fungos entomopatogênicos, que garantem efeito residual prolongado.
O monitoramento constante da lavoura é essencial e deve incluir a observação da face inferior das folhas, onde as ninfas se concentram e são mais difíceis de identificar no início da infestação.
“A Embrapa desenvolveu um produto biológico à base do fungo Cordyceps javanica (Isaria), altamente virulento contra a mosca-branca. Ele produz grande quantidade de esporos no campo, garantindo controle residual, enquanto o inseticida oferece o efeito de choque”, conclui Eliane.
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Cácio Ribeiro de Paula Bela Vista de Goiás - GO
A edição do texto foi cirúrgica na afirmativa: "Vazio sanitário: estratégia fundamental no manejo"... Tem outra ferramenta com o mesmo grau de importância: CONVENCER, EM MASSA, OS PRODUTORES A ADOTAREM A PRATICA!