Guerra e volatilidade: Aprosoja Brasil pede cautela a produtor na compra de fertilizantes
A volatilidade recente nos mercados internacionais de energia, frete e insumos agrícolas reacendeu a preocupação com possíveis impactos sobre os preços dos fertilizantes importados, principalmente, de países do Oriente Médio. No entanto, o cenário atual não justifica uma corrida imediata para antecipar compras, especialmente por parte de produtores que não têm necessidade operacional ou financeira de travar custos agora.
De acordo com avaliação técnica feita pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), a cautela é importante porque os preços ainda não refletem um choque estrutural como o observado em conflitos anteriores, quando houve interrupção direta de oferta e explosão de custos.
A entidade percebe que a demanda global está moderada, o que reduz a pressão sobre os preços internacionais. Somado a isso, o câmbio tem atuado como amortecedor, diferente de outros momentos de crise em que o dólar disparou.
A incerteza sobre a duração e intensidade do conflito permanece alta, o que significa que o mercado pode tanto subir quanto corrigir. A entidade alerta que excesso de compras agora pode levar a ação de oportunistas e fazer os preços subirem mais.
Segundo a Aprosoja Brasil, antecipar as compras não faz sentido quando a decisão é movida apenas por medo ou pressão comercial e nas situações em que o produtor não tem clareza da área a ser plantada ou do plano nutricional. Na avaliação da entidade, a compra não é recomenda nos casos em que a antecipação compromete o fluxo de caixa ou aumenta a exposição ao crédito e quando não há risco imediato de ruptura logística para o tipo de fertilizante utilizado.
A antecipação pode ser considerada nos casos em que há necessidade real de garantir disponibilidade; quando a compra melhora a previsibilidade de margem; quando o produtor tem condições financeiras favoráveis e nos casos em que o risco de alta supera claramente o risco de correção.
“Portanto, não é o momento de antecipar compras de fertilizantes sem necessidade técnica ou financeira. A decisão deve ser racional, baseada em viabilidade, planejamento e análise de margem e não em pânico de mercado. Antecipar apenas quando fizer sentido para a realidade de cada propriedade é a melhor forma de proteger o negócio. Decisão por medo custa caro. Decisão técnica protege o negócio”, ressalta o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon.
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