América Latina impulsiona expansão global dos bioinsumos ante desafios estruturais

Publicado em 19/03/2026 11:16

O mercado global de bioinsumos vive um momento de forte expansão, com a América Latina consolidando-se como principal vetor de crescimento — ainda que marcada por uma estrutura fragmentada e desafios relevantes de adoção. Esse foi o principal ‘insight’ da apresentação de Ignacio Moyano, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da DunhamTrimmer, durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, realizado nos dias 17 e 18 de março pela ANPII Bio.

Pela primeira vez aberto ao público, o evento reuniu representantes da indústria, especialistas e agentes da cadeia para discutir tendências, dados inéditos e projeções do setor, em um momento particularmente estratégico para o Brasil, diante dos desdobramentos regulatórios da Lei dos Bioinsumos (nº 15.070).

Durante sua apresentação, Moyano destacou o ritmo acelerado de crescimento do setor. Segundo dados da DunhamTrimmer, o mercado global de bioinsumos já movimenta mais de US$ 15 bilhões e deve alcançar cerca de US$ 25 bilhões até 2030, com uma taxa média de expansão próxima de 10% ao ano. “O mercado global de bioinsumos está em uma fase de forte crescimento e transição para maior maturidade”, afirmou.

O biocontrole lidera esse avanço, representando atualmente 55% do mercado, seguido pelos bioestimulantes (28%) e biofertilizantes (17%). Em termos de culturas, grãos e cereais concentram 31% do uso, refletindo a crescente integração dessas soluções em sistemas agrícolas de larga escala.

Brasil como protagonista regional

A América Latina, segundo Moyano, é hoje o principal motor dessa expansão global — com o Brasil ocupando papel central. “O Brasil é hoje o principal mercado de bioinsumos da América Latina e um dos mais dinâmicos do mundo”, destacou. O país representa cerca de 7% do mercado global e aproximadamente 50% do mercado latino-americano.

Para o executivo, fatores estruturais explicam esse protagonismo: a escala da agricultura brasileira, a adoção em culturas extensivas e um ambiente regulatório considerado favorável. Esses elementos posicionam o país como referência internacional no desenvolvimento e aplicação de tecnologias biológicas.

Crescimento impulsionado por exigências e eficiência

Moyano ressaltou que o avanço dos bioinsumos está diretamente ligado a mudanças estruturais na agricultura global. Entre os principais impulsionadores estão as exigências regulatórias relacionadas a resíduos, a busca por maior eficiência no uso de nutrientes e a integração dos biológicos ao manejo agronômico.

“O mercado de bioinsumos está crescendo a um ritmo muito mais acelerado do que o dos insumos químicos tradicionais”, afirmou. Segundo ele, essa expansão é particularmente evidente em culturas como soja, milho e trigo, onde os biológicos vêm sendo incorporados de forma complementar aos insumos convencionais.

Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta obstáculos importantes. Um dos principais é a falta de informação e capacitação no campo. Dados apresentados durante o evento, com base em levantamento da FAO com 3,4 mil produtores, indicam que 57% apontam esse fator como limitante para a adoção.

Para Moyano, superar esse desafio exige mais do que oferta de produtos. “A adoção depende de informação, capacitação e resultados consistentes”, reforçou. Ele destacou que, para a indústria, isso implica ampliar validações locais, fortalecer o suporte técnico e intensificar a interação agronômica com os produtores.

Desafio é capturar valor

No campo tecnológico, o executivo apontou o avanço das soluções microbianas e biotecnológicas como principal tendência do setor. Essas inovações utilizam microrganismos para melhorar a nutrição das plantas, controlar pragas e aumentar a resiliência frente ao estresse climático.

No entanto, o maior desafio, segundo Moyano, não está na demanda — que segue crescente —, mas na capacidade das empresas de capturar valor. “Isso implica demonstrar resultados agronômicos consistentes no campo, gerar confiança no produtor e se diferenciar por meio de serviço técnico, dados e suporte agronômico, além do produto em si”, concluiu.

Com crescimento acelerado, protagonismo latino-americano e avanços tecnológicos relevantes, o mercado de bioinsumos avança rumo à maturidade. Ainda assim, sua consolidação dependerá da capacidade do setor em transformar inovação em valor percebido no campo.
 

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Fonte:
ANPII Bio

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