Boa Safra registra prejuízo no 4º tri em ambiente de menor margem no agro do Brasil
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SÃO PAULO, 24 Mar (Reuters) - A empresa produtora de sementes Boa Safra registrou prejuízo de R$8,4 milhões no quarto trimestre, devido aos maiores custos de grãos, despesas operacionais e financeiras, além da "deterioração" do preço médio de venda no período, informou a empresa na noite de terça-feira.
No relatório financeiro, o CEO e cofundador da Boa Safra, Marino Colpo, observou que os resultados no ano passado foram impactados por um ambiente de negócios de restrição de crédito e margens menores dos agricultores, o que limita a intenção de compra de sementes de alta tecnologia.
Em 2025, a Boa Safra teve lucro líquido de R$101,1 milhões, com uma redução de 37% em relação a 2024, refletindo um ano marcado por margens mais pressionadas, aumento do custo financeiro, do frete, além de despesas operacionais mais elevadas.
"Desde 2024, o agronegócio brasileiro atravessa um ambiente mais seletivo, marcado por preços de grãos em patamares mais baixos, maior concorrência, maior restrição de crédito e menores margens para os produtores. Essas condições influenciaram a necessidade de capital de giro e um ambiente mais restritivo para sementes high tech", disse Colpo.
Além do cenário geral do setor, algumas regiões de plantio de sementes registraram "desafios climáticos", com veranicos antes da colheita que resultaram no descarte de maior volume de sementes, visando a manutenção do padrão Boa Safra.
"Este fato reduziu o volume de sementes aptas à comercialização que impactou a alavancagem operacional da companhia e ajustes na estratégia comercial", explicou o CEO.
A empresa citou ainda aumento das despesas com pessoal decorrente do projeto de expansão e diversificação.
As sementes de soja seguem sendo o principal do negócio, mas a Boa Safra tem ampliado a composição das receitas por meio da comercialização de outras culturas, com aumento da participação de trigo, milho, sorgo e feijão.
Apesar dos desafios desde 2024, a companhia ressaltou ter encerrado 2025 com uma estrutura sólida, portfólio diversificado e presença nacional "conquistando" 10% de participação de mercado, "com um crescimento histórico de 34% em sementes de soja".
"Um marco que reforça nosso posicionamento competitivo frente às adversidades do setor", comentou Colpo.
2026
O CEO disse também que a Boa Safra vê desafios em 2026, mas também está preparada para "abraçar as novas oportunidades".
"A oferta de crédito deve permanecer seletiva, favorecendo companhias com estrutura financeira sólida, capacidade de entrega comprovada e credibilidade junto ao produtor e clientes, atributos que temos orgulho de ter e que reforçam nossa posição competitiva", disse o executivo.
Ele ponderou ainda que, do lado do produtor, permanece a questão de baixas margens, mas isso também deve levar à busca por soluções que garantam maior produtividade, ou seja, sementes de qualidade que são ofertadas pela companhia.
(Por Roberto Samora)
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