"Choque" da guerra contra Irã está reduzindo perspectivas de muitas economias, diz FMI
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Por Andrea Shalal
WASHINGTON, 30 Mar (Reuters) - A guerra no Oriente Médio tem causado sérios transtornos às economias dos países da linha de frente e está obscurecendo as perspectivas de muitas economias que acabaram de começar a se recuperar de crises anteriores, alertou o Fundo Monetário Internacional nesta segunda-feira.
Em um blog publicado pelos principais economistas do credor global, o FMI disse que a guerra iniciada pelos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro estava causando um choque global, mas assimétrico, e levando a condições financeiras mais rígidas.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e os danos à infraestrutura regional causaram a maior interrupção do mercado global de petróleo da história, uma vez que 25% a 30% do petróleo global e 20% do gás natural liquefeito normalmente passam pela estreita via navegável, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
Nesta segunda-feira, os preços do petróleo registravam um aumento mensal recorde.
O impacto da guerra dependerá de sua duração, da extensão de sua propagação e dos danos causados à infraestrutura e às cadeias de suprimentos, disse o FMI, pedindo aos países que calibrem cuidadosamente todas as medidas para administrar o choque.
O FMI também estava apoiando os países membros com orientação política e assistência financeira, quando necessário e em coordenação com a comunidade internacional, disse o fundo.
A declaração do FMI foi feita no momento em que os líderes financeiros das potências econômicas do G7 disseram que estavam prontos para tomar "todas as medidas necessárias" para proteger a estabilidade do mercado de energia e limitar as repercussões econômicas mais amplas da recente volatilidade.
Os 32 membros da Agência Internacional de Energia concordaram, anteriormente, em liberar um recorde de 400 milhões de barris de petróleo dos estoques estratégicos para combater um aumento nos preços globais do petróleo.
PAÍSES MAIS POBRES CORREM RISCO DE INSEGURANÇA ALIMENTAR
Segundo o blog do FMI, os países de baixa renda correm um risco especial de insegurança alimentar, devido ao aumento dos preços dos alimentos e dos fertilizantes, e podem precisar de mais apoio externo em um momento em que muitas economias avançadas estão reduzindo sua assistência internacional.
"Embora a guerra possa moldar a economia global de diferentes maneiras, todos os caminhos levam a preços mais altos e a um crescimento mais lento", escreveram os economistas.
Eles observaram que os grandes importadores de energia da Ásia e da Europa estavam sofrendo o impacto do aumento dos preços dos combustíveis e dos insumos, enquanto os países da África e da Ásia estavam tendo dificuldades para acessar os suprimentos de que precisavam, mesmo a preços inflacionados.
Um conflito prolongado e a incerteza e o risco geopolítico associados poderiam manter a energia cara e pressionar os países que dependem de importações; as tensões poderiam se prolongar e a inflação poderia ser difícil de ser controlada, disseram eles.
O FMI disse que divulgará uma avaliação mais completa em sua Perspectiva Econômica Global, a ser publicada em 14 de abril, durante as reuniões deste semestre do FMI e do Banco Mundial em Washington.
Se os preços elevados da energia e dos alimentos persistirem, eles impulsionarão a inflação em todo o mundo, escreveram os autores, observando que, historicamente, os picos sustentados dos preços do petróleo tendem a elevar a inflação e reduzir o crescimento.
A guerra também poderia alimentar as expectativas de que a inflação permanecerá mais alta por mais tempo, o que poderia se traduzir em salários e preços mais altos, dificultando a contenção do choque sem uma desaceleração mais acentuada, disseram eles.
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