Ibovespa fecha quase estável com suporte de petrolíferas
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 2 Abr (Reuters) - O Ibovespa fechou quase estável nesta quinta-feira, com o desempenho das ações de petrolíferas, notadamente Petrobras, amortecendo a pressão negativa desencadeada por preocupações com uma escalada no conflito no Oriente Médio.
Notícias sobre discussões envolvendo a abertura do Estreito de Ormuz, que transporta cerca de um quinto do consumo de petróleo do mundo, também ajudaram na melhora dos mercados, após o presidente dos Estados Unidos dizer que as operações militares contra o Irã serão intensificadas nas próximas semanas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,05%, 188.052,02 pontos, após ajustes, depois de marcar uma mínima de 185.213,54 pontos (-1,46%). No melhor momento da sessão, chegou a 189.250,57 pontos (+0,69%). Na semana, acumulou alta de 3,58%.
O volume financeiro no pregão desta quinta-feira somou R$24,64 bilhões, abaixo do volume médio diário do ano, de R$35,58 bilhões, com agentes financeiros também considerando o feriado na sexta-feira.
"Vamos atingi-los com muita força nas próximas duas ou três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, que é o lugar deles", afirmou Donald Trump, na noite de quarta-feira, referindo-se ao Irã e minando expectativas de um fim rápido na guerra que começou em 28 de fevereiro.
Trump também disse que os EUA não precisam do Estreito de Ormuz - que está praticamente fechado desde o começo do conflito - e desafiou os aliados que dependem do petróleo na região a trabalharem para reabri-lo, o que adicionou preocupações sobre a abertura da via.
A notícia de que o Irã está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz, no final da manhã desta quinta-feira, trouxe algum alento, assim como a revelação pelo Reino Unido de que cerca de 40 países também estão discutindo uma ação conjunta para reabrir o Ormuz.
O barril do petróleo Brent reduziu razoavelmente a alta, mas depois retomou o fôlego, fechando com avanço de 7,78%, a US$109,03. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, afastou-se das mínimas e fechou com acréscimo de 0,11%.
Na visão do sócio-fundador da Ciano Investimentos Lucas Sigu, a bolsa brasileira experimentou uma acomodação após desempenho mais forte nas últimas sessões, mas o fato de ter encerrado distante da mínima mostra que há uma "alta reprimida" no pregão brasileiro, que segue como destino de estrangeiros.
Dados da B3 mostram que março fechou com um saldo positivo de capital externo de quase R$11,7 bilhões, ampliando a entrada líquida no ano para cerca de R$53,4 bilhões.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN avançou 1,65% e PETROBRAS ON subiu 2,25%, sustentadas pelo salto do preço do petróleo no exterior, embora a ausência de sinais sobre reajustes de preços de combustíveis pela estatal tenha evitado um movimento mais robusto. No setor, PRIO ON valorizou-se 5,68%, tendo ainda no radar dados de produção do primeiro trimestre, enquanto PETRORECONCAVO ON avançou 0,74% e BRAVA ENERGIA ON subiu 3,28%.
- ITAÚ UNIBANCO PN fechou em queda de 1,21%, contaminada pela aversão a risco, embora distante do pior momento, quando caiu mais de 3%. BRADESCO PN recuou 1,52% e BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,02%, mas SANTANDER BRASIL UNIT subiu 0,1%. BTG PACTUAL UNIT caiu 0,57%. Analistas do Itaú BBA reiteraram nesta quinta-feira "outperform" para o BTG, sugerindo aumento de posição nos papéis, bem como elevaram o preço-alvo das units.
- VALE ON subiu 0,66%, revertendo as perdas registradas no começo do pregão, quando foi contaminada pelo viés negativo do exterior, além da queda dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian recuou 1,29%. Também no radar, analistas do Bank of America elevaram a recomendação dos papéis para compra e o preço-alvo para R$100.
- CYRELA ON recuou 3,51%, entre os destaques negativos, embora tenha se afastado da mínima, quando perdeu quase 6,6%. Analistas do JPMorgan cortaram a recomendação das ações para "neutra" e reduziram o preço-alvo de R$37,50 para R$35,50. O índice do setor imobiliário, que além de construtoras e incorporadoras também inclui papéis de empresas de shopping centers, fechou com declínio de 1,65%.
- RD SAÚDE ON fechou em baixa de 3,95%, no segundo pregão seguido de queda. Na véspera, após o fechamento do mercado, a rede de varejo farmacêutico anunciou que seu conselho de administração aprovou R$150,4 milhões em juros sobre capital próprio, que terá como base a posição acionária de 3 de abril. O pagamento será efetuado em dezembro deste ano.
- HAPVIDA ON avançou 1,34%, em pregão marcado pela repercussão da carta da gestora Squadra à companhia com pedido de adoção do processo de voto múltiplo na eleição dos membros do conselho de administração em assembleia de acionistas no dia 30 de abril. A Hapvida disse que poderá a assembleia "poderá ser realizada com a adoção de tal processo". Na carta, a Squadra, que tem um participação de 6,98% do capital votante, ainda cobra uma reformulação do conselho de administração, simplificação do negócio e desinvestimentos.
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(Por Paula Arend Laier; edição de Igor Sodré)
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