Exportações de etanol despencam 68% em março, enquanto açúcar VHP avança, aponta Secex
As exportações brasileiras de etanol registraram forte queda em março de 2026, enquanto os embarques de açúcar VHP avançaram no período, segundo dados divulgados pela Secex. O desempenho do setor sucroenergético ocorreu em meio à retração geral das exportações do agronegócio brasileiro, que somaram US$ 15,4 bilhões no mês, recuo de 0,7% frente ao mesmo período de 2025.
Os embarques de etanol totalizaram 74 mil toneladas em março, volume 68% menor na comparação anual. Apesar da forte retração nas exportações, o preço médio do biocombustível avançou 7% no período, alcançando US$ 595 por metro cúbico.
Já as exportações de açúcar VHP somaram 1,6 milhão de toneladas, alta de 2% frente a março de 2025. Em contrapartida, o preço médio do produto caiu 24% na comparação anual, para US$ 354 por tonelada.
No açúcar refinado, os embarques atingiram 254 mil toneladas, queda de 19% em relação ao mesmo mês do ano passado. O preço médio também recuou, ficando em US$ 421 por tonelada, desvalorização de 18% na mesma base de comparação.
Complexo soja mantém ritmo de exportação
No complexo soja, os embarques avançaram com o progresso da colheita brasileira. Em março, foram exportadas 14,5 milhões de toneladas do grão, gerando receita de US$ 5,9 bilhões. Apesar do elevado volume, o resultado ficou 1% abaixo do registrado em março de 2025.
O preço médio da soja foi de US$ 408 por tonelada, alta de 5,3% na comparação anual. Já o farelo de soja registrou crescimento de 4% nos embarques, totalizando 1,9 milhão de toneladas, enquanto o preço médio avançou 0,8%, para US$ 347 por tonelada.
No óleo de soja, as exportações somaram 180 mil toneladas, queda de 7,8% frente a março do ano passado. Mesmo com a retração no volume, os preços apresentaram o terceiro mês consecutivo de alta, avançando 13% na comparação anual, para US$ 1.165 por tonelada.
Algodão amplia embarques
As exportações brasileiras de algodão em pluma atingiram 348 mil toneladas em março, avanço de 45% na comparação anual. Apesar do crescimento expressivo no volume, os preços recuaram pelo sexto mês consecutivo, com média de US$ 1.532 por tonelada, queda de 9,4% frente a março de 2025.
Carne bovina tem alta nas exportações
Os embarques de carne bovina aumentaram 8,7% em março, totalizando 234 mil toneladas. A China permaneceu como principal destino, respondendo por 102 mil toneladas, o equivalente a 44% do total exportado.
O preço médio da proteína avançou pelo quinto mês consecutivo, alcançando US$ 5.815 por tonelada, alta de 19% frente a março de 2025 e de 3% em relação a fevereiro deste ano.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o cenário geopolítico também pressionou os custos logísticos do setor. O frete marítimo de contêineres refrigerados destinados ao Oriente Médio mais que dobrou, saltando de cerca de US$ 2,8 mil para até US$ 7 mil por contêiner.
O aumento reflete as restrições temporárias em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, além de interrupções e redirecionamentos de cargas, fatores que ampliam os custos e os riscos para os exportadores brasileiros.
Exportações de frango crescem apesar de dificuldades no Oriente Médio
As exportações brasileiras de carne de frango somaram 431 mil toneladas em março, crescimento de 6% na comparação anual. O preço médio de exportação ficou em US$ 1.888 por tonelada, estável em relação a março de 2025, mas com queda de 2,7% frente a fevereiro de 2026.
Os embarques para o Oriente Médio recuaram 19% ante fevereiro, refletindo os impactos operacionais provocados pelo conflito na região do Golfo Pérsico e pelas restrições em rotas marítimas estratégicas. Ainda assim, mais de 100 mil toneladas foram destinadas aos países da região.
Por outro lado, mercados asiáticos compensaram parte da desaceleração nas vendas ao Oriente Médio. A China retomou o ritmo das compras após os impactos da influenza aviária em 2025, enquanto Japão, União Europeia e África do Sul ampliaram as importações da proteína brasileira.
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