Milei anuncia novas baixas nas retenciones, Sociedade Rural Argentina diz que não é suficiente
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O governo da Javier Milei voltou a informar reduções nas chamadas retenciones, ou as famigeradas taxas de exportação argentinas, nesta sexta-feira (22). O objetivo, mais uma vez, é o de reaquecer o mercado e gerar novas oportunidades para o setor. A baixa, todavia, será gradual e a soja deverá contar com tarifas menores somente a partir de janeiro de 2027.
De acordo com informações apuradas pelo Grupo Labhoro, a sequência será esta:
•Trigo e Cevada: As taxas de exportação serão reduzidas de 7,5% para 5,5% a partir de junho de 2026.
•Soja: A partir de janeiro de 2027, as taxas começarão a ser reduzidas gradualmente, com cortes mensais entre 0,25 e 0,5 ponto percentual até 2028.
•Milho e Sorgo: As taxas serão reduzidas de 9,5% para 8,5% (informação adicional encontrada na pesquisa).
"Essa iniciativa visa melhorar a competitividade do agronegócio argentino, impulsionar as exportações e atrair investimentos", informou o time de análises da Labhoro.
Ainda de acordo com os especialistas da consultoria, para o produtor brasileiro o alerta é sobre a competitividade, embora hoje o Brasil tenha uma vantagem importante quando se trata de potencial produtivo. "É crucial que o agronegócio brasileiro esteja atento e se prepare para este novo cenário, buscando eficiência e novas estratégias para manter sua posição", orientam.
O anúncio foi feito por Milei em uma cerimônia na Bolsa de Cereales de Buenos Aires em comemoração ao seu 172º aniversário. O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, também esteve presente, além de outras autoridades do agronegócio do país. E em seu discurso, o presidente afirmou que "é imperdoável o que fizeram durante tantos anos", referindo-se à cobrança das retenciones pelos governos anteriores.
"Vamos continuar reduzindo os impostos sobre exportações, vamos continuar reduzindo o tamanho dos gastos públicos para que possamos devolver aos argentinos que cumprem a lei o dinheiro que lhes é de direito. O Estado deve encolher, o mercado deve expandir , para que tenhamos mais liberdade e, portanto, mais prosperidade. O sofrimento do país dependendo da agricultura acabou", disse.
O presidente acrescentou ainda que o agronegócio foi, durante décadas, o maior provedor do governo argentino, sofrendo não só com as tarifas de exportação, mas também com o mercado cambial desorganizado, a inflação desenfreada e tetos de preço impostos à produção.
PRODUTORES QUEREM RETENCIONES ZERO
O relato do jornal Clarín, um dos mais tradicionais da Argentina, traz que "presidente saiu sorrindo, satisfeito por ter dado um passo adiante em relação às suas promessas eleitorais , e quando cruzou o caminho do secretário da Agricultura, Sergio Iraeta, pediu-lhe desculpas compreensivamente".
Ainda assim, porém, o campo argentino tem uma demanda bastante clara: o fim da taxação. "Nosso objetivo é que os impostos de exportação sejam zero", afirmou o presidente da SRA (Sociedade Rural Argentina), Nicolás Pino, um dos mais influentes líderes do setor no país. “Não estávamos à espera. Sempre mostramos os resultados e o governo é muito receptivo, mas não esperávamos por isso ”, disse ele nesta manhã ao La Nacion.
Assim como no Brasil, na Argentina, os produtores rurais enfrentam um momento de custos de produção muito elevados, combustíveis em contínua alta e mercados ainda muito inseguros. Dado este cenário, Pino afirma que as reduções graduais "não são suficientes".
"Dizemos ao governo que outras coisas precisam ser feitas, porque, caso contrário, não será suficiente. Há uma grave falta de infraestrutura, e a precariedade da infraestrutura contribui para o alto custo de vida na Argentina. Hoje, algumas linhas de crédito estão começando a ser oferecidas, ainda que timidamente", disse o presidente da SRA.
Pino, por outro lado, ponderou sobre a importância que o campo tem tido na gestão de Milei. "Este é um governo com pessoas que entendem de agricultura. Não acreditamos que as medidas gerarão especulação. A sociedade tem uma relação muito melhor com a agricultura hoje; ela sempre foi vista como algo positivo pelos argentinos. Se havia algum problema, eram os líderes. Hoje, não encontramos tanta agressividade".
Ainda nesta sexta, o ministro Caputo celebrou em suas redes sociais a colheita recorde que a Argentina registrou na safra 2025/26 de 163,2 milhões de toneladas, 21,25% maior do que a anterior.
LA COSECHA REGISTRÓ UN RECORD HISTÓRICO EN LA CAMPAÑA 2025/2026🇦🇷🇦🇷🇦🇷
✅ Según datos de la Secretaría de Agricultura, Ganadería y Pesca, la producción de los 6 principales cultivos a nivel nacional en la campaña 2025/2026 alcanzó un máximo histórico de 163,2 millones de…
— totocaputo (@LuisCaputoAR) May 22, 2026
A CIARA (Cámara de la Industria Aceitera Argentina), como a Abiove no Brasil, em uma nota também comemorou, com ressalvas, as baixas das retenciones sinalizadas nesta sexta-feira.
"Saudamos a decisão de continuar reduzindo os impostos de exportação sobre trigo e cevada, e especialmente as reduções sobre a soja". Porém, a instituição afirmou ainda que seguirá atenta para "para encontrar a forma mais adequada" de implementar o plano sem gerar efeitos negativos na comercialização".
Com informações do La Nacional e do Clarin
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