Capacidade de armazenagem cresce no Brasil, mas avanço segue abaixo do ritmo da produção de grãos

Publicado em 24/06/2026 11:22
Capacidade estática cresce para 210,5 milhões de toneladas, mas expansão segue abaixo do ritmo da produção e mantém desafios logísticos em períodos de pico de demanda

A capacidade estática de armazenagem do Brasil atingiu 210,5 milhões de toneladas no início de 2026, volume 3,6% superior ao registrado um ano antes, segundo levantamento do IBGE, compilado pela DATAGRO. Os maiores incrementos ocorreram em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Apesar da expansão, a infraestrutura disponível equivale a 58,6% da safra brasileira de grãos de 2025, estimada em 359,4 milhões de toneladas, percentual inferior aos 64,7% observados no ano anterior. Ainda que o país não necessite armazenar toda sua produção simultaneamente (já que as principais safras de soja e milho são colhidas em períodos distintos do ano), a relação entre capacidade e produção segue pressionada pelo avanço mais acelerado da oferta de grãos.

De acordo com a DATAGRO, o crescimento da armazenagem não tem acompanhado a evolução da produção agrícola. Nos últimos dez anos, a capacidade estática avançou a uma taxa média anual de 4,0%, enquanto a produção nacional de grãos cresceu 6,5% ao ano. Esse descompasso aumenta a exposição do setor a períodos de pressão logística e comercial, elevando o risco de soluções emergenciais de armazenamento e reduzindo a capacidade dos produtores de reter volumes à espera de melhores condições de mercado.

A situação é mais sensível em regiões como Matopiba, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, onde a produção esperada de grãos somada aos estoques remanescentes supera a capacidade disponível de armazenagem. Embora o Mato Grosso tenha ampliado sua infraestrutura nos últimos anos e apresente uma condição relativamente mais confortável, novos investimentos em armazenagem e um ritmo consistente de comercialização seguirão sendo fundamentais para reduzir a vulnerabilidade da cadeia de grãos no país.

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Por:
Guilherme Araújo
Fonte:
Notícias Agrícolas

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