Manejo de abelhas no inverno exige cuidados com nutrição, temperatura e pragas

Publicado em 26/06/2026 15:38
O frio do inverno gaúcho demanda alguns cuidados específicos no manejo apícola

Com as temperaturas mais baixas, as abelhas saem menos das colmeias em busca de alimento, e a oferta de néctar e pólen diminui com a escassez de florações no período. A estação também exige atenção no monitoramento para o controle de pragas.

Em Passo do Sobrado, no Vale do Rio Pardo, Décio e Márcia Sehnen se dedicam à produção de abelhas rainhas, núcleos, enxames e mel. Com mais de 30 anos de experiência, o casal usa redutores de alvado elevados para manter a temperatura interna da colmeia, que deve ficar em torno de 35°C para possibilitar a saída das abelhas campeiras e a postura da rainha. A estrutura usada pelos apicultores possui 10 cm de altura, 2 cm de profundidade e espaço de 1 cm para a passagem do enxame.

Além do redutor de alvado, o casal aposta no uso de um poncho, uma cobertura plástica que ajuda a manter a temperatura dentro da caixa. O apicultor orienta para deixar apenas uma parte sem cobertura (aproximadamente 2 cm), e fazer o ajuste, se houver apenas uma parte do enxame na caixa, isolando os quadros conforme a quantidade de abelhas.

Outra estratégia adotada pelos produtores é o reforço nutricional quando há diminuição da reserva de mel e pólen na colmeia. Na alimentação energética, Décio e Márcia investem em açúcar seco e uma mistura líquida com água, açúcar, limão e extrato de própolis. Já a suplementação proteica é realizada com uma pasta caseira à base de levedura de cerveja, mel, óleo de girassol e outros ingredientes. O custo médio mensal com os dois suplementos é de R$ 3,50 por enxame.

Segundo o apicultor, a nutrição é fundamental para aumentar o tempo de vida do enxame. “Uma abelha jovem, uma larva má nutrida, vai viver cerca de 34, 35, 36 dias. Já uma larva bem nutrida, uma abelha jovem bem nutrida, vive 50, 60 dias”, comenta Décio.

O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Vilson Pitton, também acentua que a alimentação mais adequada favorece a postura da rainha. “Com o enxame maior, é possível manter a temperatura da colmeia. A maior população também é ideal para fazer a coleta de néctar e pólen no campo”, explica.

A quantidade de pasta proteica disponibilizada em cada caixa varia conforme o tamanho do enxame. Em média, os produtores ministram cerca de 125g a cada 15 dias para enxames pequenos. A pasta é coberta por um plástico e instalada acima dos quadros de postura; depois é coberta ainda pelo poncho, o que ajuda a proteger as abelhas e o alimento.

Além da nutrição e da temperatura, a Emater/RS-Ascar reforça a importância do monitoramento de pragas que afetam a produção. “É necessário observar e fazer o controle de algumas pragas nesse período, como a traça e a formiga, que na nossa região estão entre os principais problemas identificados nos apiários”, finaliza o extensionista Vilson Pitton.

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Por:
Tássia Becker Alexandre
Fonte:
Notícias Agrícolas

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