Ibovespa recua com Vale entre pressões e tarifas no radar
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 16 Jul (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta quinta-feira, com as ações da Vale entre as maiores pressões negativas, enquanto agentes financeiros analisam potenciais impactos de novas tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos para determinados produtos brasileiros.
Por volta de 11h10, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,73%, a 174.734,55 pontos. O volume financeiro somava R$3,72 bilhões.
Os EUA anunciaram no final da noite de quarta-feira a imposição de tarifas de 25% sobre muitas importações do Brasil, ao mesmo tempo em que divulgaram uma lista de exceções mais ampla do que o esperado. As novas tarifas devem entrar em vigor em 22 de julho.
O Brasil iniciará imediatamente os procedimentos para invocar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade e revisará a questão no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmou o governo brasileiro em comunicado.
De acordo com economistas do JPMorgan, o atual cenário sugere que os impactos econômicos das tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados, embora uma escalada de medidas de retaliação entre os dois países possa ampliar esses custos.
"Já os efeitos políticos podem ser mais relevantes, especialmente no contexto das eleições previstas para outubro", acrescentaram em relatório a clientes nesta quinta-feira.
No exterior, o S&P 500 recuava 0,15%, pressionado por ações de empresas de chips, enquanto investidores analisavam também dados sobre a economia norte-americana.
No cenário geopolítico, o Irã pediu ao movimento houthi do Iêmen que esteja pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso os EUA ataquem a infraestrutura energética iraniana, informaram três fontes à Reuters, o que representa uma nova e grave ameaça ao abastecimento energético global.
DESTAQUES
• VALE ON recuava 1,62%, acompanhando tom mais negativo do setor no exterior, em sessão de estabilidade nos preços futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON perdia 1,53%, USIMINAS PNA registrava decréscimo de 0,12% e GERDAU PN mostrava declínio de 0,8%, mas CSN MINERAÇÃO ON avançava 2,86%.
• PETROBRAS PN subia 0,27%, em linha com o sinal dos preços do petróleo no exterior. No setor, BRAVA ON cedia 2,19%. A companhia divulgou no final da quarta-feira que a CVM autorizou a retomada da oferta pública (OPA) para aquisição do controle da companhia pela Ecopetrol, que havia sido suspensa. A liberação ocorreu em reunião da CVM no dia 14, quando a ação da Brava subiu 6,49%.
• ITAÚ UNIBANCO PN caía 1,3%, em dia majoritariamente negativo no setor, com BANCO DO BRASIL ON destoando e avançando 0,29%. O governo brasileiro publicou na noite de quarta-feira medida provisória sobre renegociação de dívidas rurais, confirmando que os juros cobrados serão de até 12%, com prazo de pagamento de até 10 anos.
• COPEL ON recuava 3,46%, após o conselho de administração aprovar uma atualização de parâmetros que orientam sua estrutura de capital e sua política de dividendos. O parâmetro para alavancagem financeira passou de 2,8 vezes dívida líquida/Ebitda para 2,9 vezes, enquanto a distribuição anual de proventos segue pautada pelo mínimo de 75% do lucro líquido.
• SUZANO ON era negociada em alta de 1,08%, tendo no radar a inclusão da celulose na lista de exceções de novas tarifas comerciais impostas pelos EUA a determinados produtos brasileiros. No setor, KLABIN UNIT registrava acréscimo de 0,46%.
• MOVIDA ON, que não está no Ibovespa, subia 0,8%, perdendo o fôlego após avançar mais de 6%. A companhia de aluguel de veículos, gestão de frotas e venda de seminovos divulgou prévia de resultados com lucro líquido de R$135,6 milhões no período de abril a junho, o maior verificado em um único trimestre em quatro anos e acima dos R$68 milhões registrados um ano antes.
• ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, valorizava-se 3,37%, após informar na noite de quarta-feira que recebeu uma oferta não vinculante da empresa de private equity IG4 Capital para um possível negócio de R$500 milhões, envolvendo a subscrição de debêntures conversíveis e a criação de um direito de usufruto sobre ações da empresa. Na véspera, os papéis fecharam com queda de mais de 7%.
(Por Paula Arend Laier, edição Alberto Alerigi Jr.)
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