Castanha-da-amazônia produzida por indígenas recebe pagamento por serviços ambientais

Publicado em 28/07/2026 11:13
Pesquisa e comunidade atuam juntas no desenvolvimento e na articulação de soluções tecnológicas para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia

A castanha-da-amazônia produzida por povos indígenas da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia (RO), foi comercializada na safra 2025/2026 com pagamento por serviços ambientais (PSA). Pela primeira vez, a produção recebeu remuneração adicional pelo papel das comunidades na conservação da floresta, na proteção da biodiversidade e na manutenção dos ecossistemas. 

O resultado é fruto da parceria entre a empresa Castanhas Ouro Verde Importação e Exportação Ltda. e a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb), construída no âmbito do projeto “Novas soluções tecnológicas e ferramentas para agregação de valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia (NewCast)”, coordenado pela Embrapa. 

Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP) e coordenadora do NewCast, Patrícia da Costa, o projeto atua no desenvolvimento e na articulação de soluções tecnológicas para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. “A experiência demonstra que a integração entre tecnologia, organização social e mecanismos de valorização econômica é essencial para fortalecer as organizações locais e reconhecer os serviços ambientais prestados pelas comunidades que conservam a floresta", destaca.

A União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) também apoiou as negociações junto à empresa Castanhas Ouro Verde, contribuindo para fortalecer o diálogo comercial e a representação da cooperativa indígena no processo de comercialização.

Boas práticas agregam qualidade e reduzem perdas

A adoção da tecnologia de Boas Práticas para a produção de castanha-da-amazônia, recomendada pela Embrapa contribuiu para a qualidade do produto comercializado. Ela orienta os produtores quanto a cuidados desde a coleta até o transporte, lavagem, seleção, pré-secagem e armazenamento das castanhas, contribuindo para reduzir perdas e evitar contaminações.

Segundo o extrativista indígena Dalton Tupari, a aplicação das boas práticas foi decisiva para a valorização da produção e a negociação com a empresa compradora. “Essas recomendações nos ajudam ao longo de todo o processo, desde a coleta até a entrega do produto. É um diferencial a mais porque agrega qualidade à castanha, que já tem como vantagem o fato de estar associada à conservação da floresta”, afirma Dalton.

Nesta safra, por meio da Coopirb, foram comercializadas cerca de sete toneladas de castanha-da-amazônia, com pagamento adicional relacionado ao PSA. Para Tupari, o retorno econômico reforça a importância do trabalho realizado pelas comunidades indígenas. “É uma valorização do nosso trabalho. Nós coletamos, preservamos a natureza e recebemos um valor diferenciado por isso. Isso mostra que conservar a floresta também gera renda para as famílias”, enfatiza.

Tecnologia, mercado e conservação

Para a pesquisadora da Embrapa Rondônia (RO) Lúcia Wadt, o resultado demonstra a importância da integração entre pesquisa, conhecimento tradicional, organização social e mercado. “Desde 2015, a Embrapa vem apoiando os povos Tupari e Aruá da Terra Indígena Rio Branco com a tecnologia de Boas Práticas para a produção da castanha-da-amazônia, especialmente por meio de projetos que fazem parte do Pacto das Águas e mais recentemente, do NewCast. Na safra 2025/2026, colhemos os frutos desse trabalho, com a valorização do produto pela qualidade e pelo serviço ambiental prestado pelas comunidades”, frisa.

O contrato entre a Castanhas Ouro Verde e a Coopirb envolve comunidades indígenas de diferentes etnias em uma área de cerca de 236 mil hectares. Além do valor comercial da castanha, o acordo prevê pagamento adicional de 20% destinado à organização indígena, como reconhecimento pelos serviços ambientais prestados pelas comunidades.

Os recursos são geridos coletivamente e podem ser aplicados em ações comunitárias, como infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhoria das condições de produção. O modelo contribui para que parte do valor gerado pela cadeia produtiva permaneça nos territórios e beneficie diretamente as famílias extrativistas.

Cooperativismo fortalece acesso a mercados

A experiência reforça o papel estratégico das cooperativas na organização da produção e na ampliação do acesso a mercados. No caso da Coopirb, a atuação coletiva permite reunir a produção das comunidades, padronizar procedimentos, fortalecer a gestão comercial e ampliar a capacidade de negociação.

A iniciativa também evidencia a importância de compradores comprometidos com práticas sustentáveis e com a valorização da origem dos produtos florestais. Ao reconhecer a qualidade da castanha produzida com boas práticas e remunerar os serviços ambientais associados à conservação da floresta, a empresa Castanhas Ouro Verde contribui para consolidar um modelo de comercialização que integra atividade econômica, inclusão produtiva e conservação ambiental.

NewCast fortalece a cadeia da castanha-da-amazônia

O projeto NewCast atua no desenvolvimento e na articulação de soluções tecnológicas, organizacionais e comerciais para agregar valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. A experiência na Terra Indígena Rio Branco demonstra que a combinação entre tecnologia, organização social, cooperativismo, mercado estruturado e pagamento por serviços ambientais pode ampliar a renda das comunidades, reduzir perdas, melhorar a qualidade do produto e valorizar os territórios indígenas da Amazônia.

Com validade para a safra 2025/2026, o acordo entre a empresa Castanhas Ouro Verde e a Coopirb representa um avanço concreto na construção de modelos de negócios sustentáveis para produtos da sociobiodiversidade. Mais do que comercializar castanha, a iniciativa reconhece o papel dos povos indígenas na conservação da floresta e mostra que produzir com qualidade e preservar a Amazônia podem caminhar juntos.

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Fonte:
Embrapa Meio Ambiente

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