Putin diz que Rússia começará a apreender embarcações europeias caso seus navios sejam alvo de ações

Publicado em 12/08/2026 13:30 e atualizado em 12/08/2026 14:57

Logotipo Reuters

 

Por Andrew Osborn e Felix Light

MOSCOU, 12 Ago (Reuters) - O presidente Vladimir Putin afirmou nesta quarta-feira que a Rússia responderá da mesma forma caso os países europeus comecem a apreender navios mercantes russos, e o comandante da Frota do Pacífico da Rússia disse que suas forças estão prontas para “inspecionar e deter” embarcações estrangeiras provenientes do que ele chamou de “Estados hostis”.

As declarações, feitas por Putin enquanto supervisionava exercícios da Marinha no Extremo Oriente da Rússia, ocorrem no momento em que a União Europeia tenta intensificar a pressão sobre a chamada “frota-sombra” da Rússia, ampliando as sanções contra centenas de embarcações e detendo alguns navios e suas tripulações para inspeção. Alguns governos europeus afirmaram que estão estudando medidas mais rigorosas de fiscalização marítima contra navios suspeitos de burlar as sanções.

“Podemos ver que as autoridades de certos países, violando o direito marítimo internacional, estão tentando restringir a circulação das embarcações de nossos operadores econômicos..., e chegaram recentemente ao ponto de considerar a possibilidade de apreender nossas embarcações e vender os bens que nos saquearem”, disse Putin.

“Naturalmente, isso nada mais é do que pirataria e roubo. E se isso começar a ser colocado em prática, seremos forçados a responder da mesma forma. E não necessariamente nas águas onde estão planejadas as incursões contra nossos navios e embarcações, mas onde quer que nós mesmos consideremos necessário e apropriado.”

Viktor Liina, comandante da Frota do Pacífico da Rússia, disse a Putin que o que ele descreveu como países hostis, como o Reino Unido e a França, também transportavam mercadorias em embarcações que arvoravam bandeiras de conveniência, o que — se usássemos a própria linguagem da UE e do Reino Unido — também poderia ser descrito como uma “frota-sombra”.

“Os Estados ocidentais estão utilizando ativamente embarcações que arvoram bandeiras de países terceiros para transportar cargas em benefício próprio. Em essência, isso constitui sua frota-sombra”, disse Liina a Putin.

“Temos capacidade para inspecionar e deter navios pertencentes a Estados hostis e à sua frota-sombra; a coordenação entre órgãos está em andamento e estamos prontos para lidar com essas tarefas.”

Ele afirmou que sua frota havia realizado uma análise detalhada do tráfego marítimo na região da Ásia-Pacífico e conhecia as rotas, a carga e a propriedade das embarcações ligadas a nações hostis.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também se pronunciou, acusando a UE, em um comunicado, de utilizar sua força naval no Mediterrâneo — denominada operação EUNAVFOR MED Irini e originalmente lançada para fazer cumprir um embargo de armas da ONU contra a Líbia — para realizar inspeções ilegais em embarcações estrangeiras.

O comunicado citou uma operação de revista liderada pela Itália que abordou, neste mês, um petroleiro da chamada “frota-sombra” da Rússia — a segunda operação desse tipo em menos de duas semanas, à medida que a Europa intensifica a fiscalização de embarcações suspeitas de ajudar Moscou a contornar as sanções ao petróleo.

“A operação Irini está sendo efetivamente utilizada pela União Europeia para intimidar empresas de navegação comercial e impedir a liberdade de navegação. Há um claro abuso das normas jurídicas internacionais vigentes e uma interpretação extensiva de seus poderes”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

“Ao recorrer a tais ações, a União Europeia está... trazendo grandes perigos sobre si mesma”, acrescentou.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Fonte:
Reuters

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário