Clima e geopolítica sinalizam alta nas cotações das commodities agrícolas

Após ciclo de margens pressionadas, perspectiva de menor oferta nos EUA e efeito do La Niña impulsionam reação do mercado internacional
Publicado em 31/08/2026 15:50

O mercado agrícola global apresenta sinais de transição em sua trajetória de preços. Após anos consecutivos de clima estável e safras volumosas que mantiveram as cotações sob pressão, a combinação de eventos climáticos adversos no Hemisfério Norte, a perspectiva de consolidação do fenômeno La Niña e instabilidades geopolíticas começam a alterar as projeções de oferta para o próximo ciclo.

Na safra norte-americana, relatórios recentes apontam redução no potencial produtivo, especialmente nas lavouras de milho. Esse movimento ganha sustentação com a proximidade de 2027, período em que o La Niña deve impactar a América do Sul e gerar apreensão sobre a produtividade regional.

Para Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, o setor produtivo vivencia os efeitos acumulados de um ciclo prolongado de baixas cotações, o que reduziu a rentabilidade dos produtores em escala global.

“O mercado vem de um período prolongado com preços depreciados, o que gerou uma crise de rentabilidade no setor tanto no Brasil quanto no exterior. Isso se reflete diretamente na redução de investimentos e no menor uso de tecnologia na área plantada. Estamos chegando a um ponto em que a possibilidade de escassez lá na frente já começa a movimentar as cotações para destravar a oferta”, analisa Castelli.

Além das variáveis meteorológicas, fatores macroeconômicos e geopolíticos adicionam volatilidade às negociações. O encarecimento do petróleo eleva custos logísticos e de frete marítimo, impactando o preço no destino final sem revertê-lo em ganho direto para a ponta produtora. No cenário doméstico, a oscilação cambial decorrente do cenário político-eleitoral insere margens de variação na conversão para o real.

Apesar da instabilidade, o consumo internacional permanece aquecido. Os patamares de preços registrados nos últimos meses estimularam o processamento e a compra contínua por parte de grandes países importadores, mantendo a demanda firme para commodities energéticas e alimentares.
Diante desse cenário de incertezas e de gradual recomposição de preços, a recomendação estratégica para os produtores é o monitoramento constante do mercado para o gerenciamento de risco.

“Podemos dizer que o mercado está no meio do caminho de uma recuperação global, caso essas previsões de menor oferta se confirmem. O produtor deve aproveitar os momentos de alta que garantam remuneração para construir sua média de preços aos poucos, fixando custos e mantendo a participação à medida que novas confirmações sobre o quadro de oferta e demanda forem surgindo”, conclui o diretor comercial da Agrobom.

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