Tecnologia ajuda pecuarista do RS a reduzir furtos de gado e automatizar monitoramento do rebanho
Para quem trabalha com pecuária, acompanhar o rebanho vai muito além de saber quantos animais estão no pasto. A identificação de movimentações e a conferência dos bovinos fazem parte da rotina de qualquer propriedade, mas podem se tornar um desafio ainda maior quando há risco de furtos.
Foi essa a realidade enfrentada pelo produtor rural e médico-veterinário Saulo Guanino da Silva, responsável pela Fazenda Camarim, em Cambará do Sul (RS). A propriedade chegou a ter cerca de 350 animais, dentro de um projeto de formação de um rebanho com 400 vacas de cria. No entanto, uma sequência de casos de abigeato reduziu o plantel para aproximadamente 100 animais.
Com os furtos, a conferência do gado passou a fazer parte de uma rotina constante. Saulo conta que precisava retornar frequentemente à propriedade para verificar os animais e tentar identificar possíveis movimentações suspeitas.
“Era desesperador o sentimento. Eu virava as costas e já estava pensando em voltar de novo, porque eles [os criminosos] sabiam a hora em que eu chegava, a hora que eu voltava, quando eu ia e quando eu vinha. Houve uma sequência de roubos”, relata o produtor.
Tecnologia passa a fazer parte do controle do rebanho
A mudança veio com a adoção do Instabov Autotag, tecnologia desenvolvida pela agtech Instabov em parceria com a Belgo Arames. O sistema utiliza brincos eletrônicos, antenas e um aplicativo integrado à inteligência artificial para automatizar o inventário e acompanhar a movimentação dos animais.
Segundo Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames, a proposta é permitir que o produtor tenha acesso a informações sobre o rebanho sem precisar estar fisicamente na propriedade a todo momento.
“Com a tecnologia, os animais passaram a ser acompanhados de forma mais automatizada, permitindo ao produtor ter informações sobre o rebanho sem depender da presença física na propriedade”, explica.
No caso da Fazenda Camarim, os primeiros resultados apareceram já nos primeiros dias de monitoramento. Segundo Saulo, os registros de furto de gado praticamente deixaram de ocorrer após a instalação do sistema.
“Depois da instalação e início do monitoramento, o brinco já reduziu em praticamente 100% os casos de furto de gado”, afirma.
Além do acompanhamento dos animais, a tecnologia busca ampliar o alcance do monitoramento em propriedades rurais, especialmente em áreas onde a conectividade convencional é limitada. De acordo com Nolasco, a integração com conectividade via satélite permite que o alcance de cada antena chegue a até 1.000 hectares, enquanto, em condições convencionais, seria de aproximadamente 15 hectares.
“A solução também foi desenvolvida para superar um dos desafios do monitoramento em grandes propriedades: a conectividade”, destaca o executivo.
Com o sistema, a proposta é reduzir a necessidade de deslocamentos constantes pela fazenda e, ao mesmo tempo, fornecer ao pecuarista informações para acompanhar o rebanho e tomar decisões com mais agilidade.
No caso de Saulo, a principal mudança foi justamente na rotina. O acompanhamento dos animais deixou de depender exclusivamente da presença física na propriedade, acrescentando uma ferramenta de monitoramento ao controle tradicional do rebanho.
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