Dólar fecha com variação modesta, aos R$5,2173, antes do primeiro turno eleitoral
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 2 Out (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira com variação modesta ante o real, influenciado por um lado pela queda da moeda norte-americana no exterior, após dados fracos do mercado de trabalho norte-americano, e por outro pela cautela que antecede o primeiro turno eleitoral no Brasil.
Investidores reagiram, na última sessão antes das eleições de domingo, à nova pesquisa do Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira, e ao cancelamento do debate presidencial da TV Globo.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,13%, a R$5,2173. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,65% e, no ano, queda de 4,95%.
Às 17h05, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- cedia 0,34% na B3, aos R$5,2425.
Pela manhã, os EUA informaram que foram criados 29 mil postos de trabalho no país em setembro, bem menos que os 90 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Já a taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%.
Logo após os números, o dólar perdeu força ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, e os rendimentos dos Treasuries despencaram, em meio à percepção de que o resultado do relatório payroll reforça a possibilidade de manutenção de juros pelo Federal Reserve neste mês.
Às 10h01, já após o payroll, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1999 (-0,46%).
Mas o cenário mudou no Brasil ainda pela manhã, com o dólar se reaproximando da estabilidade em meio à disputa pelo Planalto.
Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram que, além da falta de certeza sobre quem vencerá a disputa presidencial, o noticiário político da noite de quinta-feira foi desfavorável para o senador Flávio Bolsonaro (PL) -- o preferido da Faria Lima.
O Datafolha informou na véspera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 48% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 45% de Flávio.
Os dois seguem tecnicamente empatados, já que a margem de erro é de dois pontos percentuais, mas Lula aumentou sua vantagem numérica para 3 pontos. No levantamento anterior, o presidente tinha 47% e o senador somava 45%.
No cenário de primeiro turno, conforme o Datafolha, Lula tem 42% e Flávio soma 38%. Na terceira colocação está Augusto Cury (Avante), com 4%.
Flávio também desistiu na noite de quinta-feira de ir ao debate da TV Globo, que já não contaria com a presença de Lula. Na sequência, a própria emissora cancelou o debate. Enquanto Lula deu entrevista ao podcast Flow durante a noite, Flávio participou de uma live própria.
No mercado, Lula é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio -- como a vantagem numérica de Lula no Datafolha -- tendem a trazer um viés de alta para o dólar.
"Lula ganhou o debate sem participar. Foi péssima a estratégia do Flávio, que cancelou (a participação) pouco antes, e o Lula teve 1,5 milhão de audiência (ao vivo) no Flow", destacou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, para quem a resistência do dólar em cair ante o real está ligada aos últimos acontecimentos da campanha.
"É a disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização, superando 2022. Então o mercado, que não gosta de incerteza e indefinição, fica sensível", pontuou.
Na maior cotação do dia, às 12h08, o dólar à vista marcou R$5,2404 (+0,32%).
No restante da tarde, as cotações se movimentaram mais próximas da estabilidade, com os investidores à espera da votação no fim de semana.
No exterior, o dólar seguia em baixa ante boa parte das demais divisas. Às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,08%, a 101,900.
(Edição de Isabel Versiani)