Produtores de Vale Real transformam cultivo de flores em fonte de renda e orgulho no campo
A chegada da primavera transforma as paisagens do Rio Grande do Sul, trazendo mais cores, flores e biodiversidade. Com temperaturas amenas e maior incidência de luz solar, a estação favorece o desenvolvimento das plantas, contribuindo para a atração de polinizadores e para a melhoria da qualidade ambiental em áreas urbanas e rurais.
Conforme o Levantamento Expedito da Floricultura da Emater/RS-Ascar (2024), o Estado conta com 554 produtores de flores. As regiões com maior concentração de agricultores são Lajeado, com 155 produtores, e Porto Alegre, com 135. A Emater/RS-Ascar também atende a produtores em diversas regiões, com destaque para as de Soledade, Santa Rosa, Santa Maria e Porto Alegre.
O cultivo de flores e plantas ornamentais é uma atividade que demanda cuidado, conhecimento e atenção às condições do clima. Entre estufas coloridas, trabalho intenso e muita dedicação, o cultivo de flores para corte se tornou a principal atividade da propriedade de Deise Fernanda Thomas e Geovane Steinmetz, em Vale Real. O que começou há sete anos como uma alternativa para complementar a renda da família, hoje se consolidou como um negócio estruturado, responsável pelo sustento do casal e exemplo de perseverança no meio rural.
Quando iniciaram a produção, nenhum dos dois trabalhava exclusivamente na propriedade. Geovane era caminhoneiro e Deise trabalhava em um supermercado. A ideia inicial era fazer das flores apenas uma fonte de renda extra, aproveitando a experiência dos pais de Deise, que já trabalhavam no setor. O que era apenas uma ocupação de fim de semana se transformou, gradualmente, na atividade principal da família.
Com 18 estufas em produção, a propriedade cultiva principalmente crisântemos e colhe entre 200 e 400 pacotes de flores por semana. O plantio é realizado a cada 15 dias, garantindo produção escalonada durante praticamente todo o ano. Para estimular o florescimento, as plantas recebem manejo específico de iluminação e escurecimento controlado, conforme a época do ano.
Para enfrentar as altas temperaturas do verão, que podem ultrapassar os 50°C dentro das estufas, a família investiu em sistemas de irrigação, climatização e sombreamento. A propriedade conta ainda com energia solar fotovoltaica, utilizada para reduzir os custos com irrigação e armazenamento das flores em câmara fria.
“Uma coisa que também chama a atenção no caso dessa família é a questão da produção para o autoconsumo. Embora vejamos majoritariamente o cultivo de flores, eles também produzem verduras, frutas, criam gado e aves de corte, além de manter um açude com peixes. É uma propriedade pequena, mas praticamente autossustentável”, destaca o extensionista rural Nadir Wolosyn.
Além da tecnologia aplicada à produção, o casal adota a rotação de culturas para melhorar a qualidade do solo. Para Deise, o crescimento da atividade representa a realização de um sonho construído ao longo dos anos, com trabalho, persistência e superação.
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