Taxas de DIs fecham próximas da estabilidade sob influência de pesquisa eleitoral e temor fiscal
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 21 Out (Reuters) - As taxas dos DIs exibiram baixas durante boa parte da sessão, mas encerraram a quarta-feira próximas da estabilidade, refletindo as dúvidas sobre o resultado da eleição presidencial no próximo domingo e as preocupações do mercado em torno da área fiscal.
Com menor influência nesta quarta-feira sobre a renda fixa brasileira, os rendimentos dos Treasuries operavam próximos da estabilidade neste fim de tarde.
A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,775% no fim da tarde, praticamente estável ante o ajuste de 12,779% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,735%, com recuo de 2 pontos-base ante 12,756%.
Na terça-feira as taxas futuras cederam no Brasil refletindo certo otimismo dos investidores com as pesquisas eleitorais mais recentes, que mostraram Flávio à frente de Lula, ainda que em vários levantamentos os dois estejam em empate técnico.
Por trás do movimento está a leitura de que com Flávio no Planalto crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Nesta quarta-feira nova pesquisa da Quaest mostrou que Flávio segue numericamente à frente -- mas com uma margem menor, de apenas 1 ponto-percentual. De acordo com o levantamento, Flávio soma 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Brancos, nulos e pessoas que não vão votar somam 9% e os indecisos são 2%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, da semana passada, a vantagem de Flávio era de 2 pontos percentuais.
Ainda que a pesquisa tenha sugerido que a disputa está ainda mais acirrada, as taxas dos DIs seguiram em baixa até perto das 13h, quando passaram a ganhar força.
Profissionais ouvidos pela Reuters justificaram o movimento citando tanto o resultado da pesquisa em si quanto preocupações com o cenário fiscal.
Operador da mesa de renda fixa de um banco de investimentos destacou que na pesquisa da Quaest a rejeição de Flávio passou a superar a de Lula (52% contra 47%), o que assustou parte do mercado.
Já o head de renda fixa da Manchester Investimentos, Rafael Sueishi, citou preocupações do mercado com o ajuste fiscal a partir de 2027 -- algo que inspira cautela em relação a Lula, mas também em relação a Flávio.
“Somente hoje já tivemos anúncios do governo envolvendo transporte gratuito, medidas para as MEIs, e o candidato de oposição (Flávio) também está cada vez mais se distanciando de um discurso de austeridade fiscal”, ponderou Sueishi. “Esse cenário eleitoral limita a queima mais consistente de prêmios na curva”, acrescentou.
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada nesta quarta-feira pelo governo prevê o direcionamento de R$12 bilhões de emendas parlamentares em 2027 para custear o transporte municipal gratuito nos finais de semana. Também nesta quarta, Lula sancionou o projeto de lei que prevê o perdão de R$12,6 bilhões em dívidas de microempreendedores individuais.
Já Flávio prometeu na terça-feira restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) se vencer a eleição, afirmando que a medida valerá para as áreas de eventos, shows e turismo. O programa foi originalmente criado durante a pandemia de Covid-19 para socorrer o setor e teve elevado custo fiscal, se prolongando para além do período emergencial. Em diferentes ocasiões, Flávio prometeu não mexer em benefícios sociais -- algo que, na visão de alguns analistas, seria a solução para o ajuste fiscal.
Nesse cenário, após marcar a mínima de 12,655% (-10 pontos-base) às 9h55, antes da divulgação da pesquisa Quaest, às 14h27 a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a máxima de 12,820% (+6 pontos-base). Até o fim da sessão regular as taxas se reaproximaram da estabilidade.
No exterior, às 16h35 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento—mostrava estabilidade, a 5,119%.
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