Endividadas, cooperativas do PR vendem ativos

Publicado em 02/03/2010 09:38 e atualizado em 02/03/2010 10:35 1774 exibições
Dívidas estão levando algumas cooperativas do Paraná a vender ou arrendar ativos entre si. Em menos de um ano ocorreram três negociações no Estado. A última foi na semana passada, quando a Integrada comprou, por R$ 20 milhões, três unidades de recebimento da Corol, que nos últimos meses trabalha para renegociar R$ 360 milhões em débitos. Em meados de 2009, a C.Vale, segunda maior em faturamento no Estado, arrendou toda a estrutura da Coopermibra, que fica em Campo Mourão, sede da maior cooperativa do Estado, a Coamo. O contrato é de 10 anos e existe a opção de compra ou prorrogação após esse prazo.

A Coamo foi a primeira a fazer negócios na área, ao alugar no ano passado toda a estrutura da Coagel, que enfrentava dificuldades financeiras. No mês passado, arrendou também três unidades da Cooagri, de Dourados (MS), que foi liquidada por insolvência.

A transação que envolve a Corol e a Integrada vai ser financiada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e os recursos serão usados como capital de giro. Além de vender três de seus 34 entrepostos - em Andirá, Bandeirantes e Cornélio Procópio -, a cooperativa continua em busca de um parceiro para sua usina de açúcar e álcool, que tem capacidade para processar 1,6 milhão de toneladas de cana e está avaliada em cerca de R$ 300 milhões.

"Estamos alongando as dívidas e parte será quitada com a negociação da usina", disse o presidente da Corol, Eliseu de Paula, que contratou a consultoria da Deloitte para ajudá-lo em uma reestruturação. A Corol tem sede em Rolândia, norte do Paraná. Tem 7,8 mil associados e suas receitas somaram R$ 750 milhões no ano passado.

Paula disse que, além da crise financeira, outros problemas atingiram a cooperativa, como quebra de safras por estiagem, geada e excesso de chuvas. Ele previu que o faturamento de 2010 deve cair, mas evitou fazer comparações com as outras operações realizadas entre cooperativas. "A Corol não está à venda. Demos um passinho para trás para depois dar outros passos para a frente", afirmou.

A Coopermibra optou por uma solução diferente. Alfredo Lang, presidente da C.Vale, afirmou que arrendou as 19 unidades de recebimento de grãos da cooperativa e está recadastrando os produtores atendidos por elas. Se todos migrarem, o número de cooperados da C.Vale vai aumentar 50%: a cooperativa tem 10,6 mil associados e a Coopermibra, 5,4 mil. "A crise atrapalhou a Coopermibra e ela teve dificuldade de crédito, como aconteceu com empresas sólidas", disse Lang. Ele acrescentou que a C.Vale não teve problemas porque tomou medidas preventivas.

Lang explicou que o passivo ficou com a Coopermibra e a C.Vale alugou as instalações com o compromisso de gerar renda para o pagamento das dívidas, por isso, vai pagar também metade do resultado líquido. O fato é que a operação levou a C.Vale para Campo Mourão, município onde está a sede da Coamo. "O lugar já era ocupado por uma cooperativa. Só houve uma troca", disse. "Não invadimos área de ninguém." A C.Vale, que é de Palotina, região oeste, atua também em Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Paraguai. Faturou R$ 2,062 bilhões em 2009, sendo 25% na área avícola. "O arrendamento foi um bom negócio para as duas".

O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, disse que a negociação da C.Vale com a Coopermibra o pegou de surpresa. "Temos de conviver. Não tem mais volta", afirmou. Em abril, a Coamo, que faturou R$ 4,67 bilhões em 2009, arrendou as unidades da Coagel, de Goierê, que tinha 2,3 mil cooperados e enfrentava dificuldades desde 1996.

Os executivos ouvidos pelo Valor não tratam as negociações recentes como sinal de consolidação das cooperativas do Paraná. Consultada, a Organização das Cooperativas do Estado (Ocepar) preferiu não comentar o assunto. O BRDE informou que liberou R$ 8,5 milhões para a Corol na semana passada e que, em fevereiro, já havia liberado R$ 10 milhões. Segundo o banco, outro aporte deverá ser feito no curto prazo.
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Fonte:
Valor Econômico

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