Cepea: ritmo do mercado de algodão em pluma foi bastante lento nas primeiras semanas de abril

Publicado em 06/05/2020 16:49 82 exibições

O ritmo do mercado de algodão em pluma foi bastante lento nas primeiras semanas de abril, uma vez que grande parte dos agentes esteve afastada das negociações, como reflexo do menor consumo em meio à pandemia do coronavírus. Já a partir da terceira semana do mês, foi verificada certa melhora na liquidez, com vendedores mais ativos e interesse, ainda que pontual, de compras por parte de comerciantes e industriais.

Assim, na segunda quinzena de abril, o Cepea captou ligeira recuperação no número de negócios efetivados. No balanço do mês, no entanto, a oferta superou a demanda, compradores pressionaram os valores e vendedores cederam. Assim, mesmo sendo período de entressafra, o Indicador do algodão em pluma CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, caiu 6,29% no acumulado de abril, fechando a R$ 2,6628/lp no dia 30 – sendo esta a queda mensal mais expressiva desde julho/19, quando foi de 7,7%.

A média mensal foi de R$ 2,7706/lp, 5,06% menor que a de março/20 e 10,83% abaixo da de abril/19, em termos reais (valores atualizados pelo IGP-DI de março/20). No geral, parte dos comerciantes precisou de poucos volumes da pluma para encerrar as entregas de contratos de abril, e algumas das indústrias ativas – mesmo que com baixa produção – repuseram seus estoques. Vale ressaltar que, frente às incertezas do mercado, a captação de novos contratos a termo destinados a indústrias domésticas esteve praticamente parada.

Estiveram ativas no spot as indústrias que produzem itens hospitalares – o que representa apenas uma pequena parcela do mercado. Pontualmente, agentes das indústrias repensaram sobre o setor, com indicações, inclusive, de mudança em parte das linhas de produção para atender essa atual demanda, como fabricação de máscaras de tecidos. Vale lembrar também que, com os cancelamentos de pedidos e prorrogações de prazos de vencimentos e entregas, em decorrência do escoamento enfraquecido dos produtos têxteis em geral, o fluxo de caixa das empresas também esteve menor. Portanto, além de manter funcionários em home office, algumas empresas optaram por férias coletivas e/ou individuais, até redução de carga horária.

MERCADO INTERNACIONAL – Na segunda quinzena de abril, os preços internacionais subiram, ao mesmo tempo em que o dólar também se valorizou. Neste cenário, as negociações para exportação voltaram a ganhar ritmo no período. De 31 de março a 30 de abril, a paridade de exportação na condição FAS (Free Alongside Ship), porto de Paranaguá (PR), subiu 11,86%, impulsionada pelo aumento de 6,44% no Índice Cotlook A (referente à pluma posta no Extremo Oriente) e pela valorização de 4,83% do dólar frente ao Real.

Ainda assim, a média mensal da paridade foi de R$ 2,9330/lp, apenas 1,46% maior que a de março. Na comparação mensal, o dólar se valorizou 8,86% frente ao Real e, na anual, 36,9%. No mesmo período, a média do Índice Cotlook A caiu 7,2% frente à de março/20 e 27,5% se comparada à de abril/19. Após a forte queda em março, os quatro primeiros contratos na Bolsa de Nova York (ICE Futures) subiram com força em abril.

Essa recuperação está atrelada ao fortalecimento do petróleo, ao otimismo do mercado financeiro, ao recuo do dólar frente às principais moedas e à expectativa de maior demanda da China. Assim, entre 31 de março e 30 de abril, o vencimento Mai/20 se valorizou 13,55%, fechando a US$ 0,5806/lp no dia 30, enquanto Jul/20 subiu 12,63%, a US$ 0,5733/lp. O contrato Out/20 avançou 10,36% (US$ 0,5872/lp) e Dez/20, 10,32% (US$ 0,5892/lp).

PREÇO EXPORTAÇÃO – As negociações para embarque ao mercado externo no curto prazo (até julho de 2020) tiveram média de US$ 0,5578/lp em abril, 15,03% abaixo da registrada no mês anterior (US$ 0,6564/lp), referente à pluma da safra 2018/19. Para exportação envolvendo a temporada 2019/20, a média das informações captadas pelo Cepea para embarque no segundo semestre de 2020 foi de US$ 0,6022/lp, baixa de 11,68% frente à de março/20 (US$ 0,6819/lp).

Em relação à safra 2020/21, a média dos últimos seis meses de 2021 foi de US$ 0,5840/lp em abril, recuo de 18,27% frente à do mês anterior (US$ 0,7146/lp). ICAC – Segundo informações divulgadas no dia 1º de maio pelo Comitê Consultivo Internacional do Algodão, com a economia global paralisada e as cadeias de suprimentos quebradas, estima-se que o consumo de algodão deve cair 12%, indo para 22,9 milhões de toneladas na temporada 2019/20, pressionando o comércio mundial para 8,26 milhões. Quanto à safra 2020/21, ainda segundo o Icac, com a Índia ainda liderando, a área mundial semeada está projetada em 33 milhões de hectares, queda de 4% frente à anterior. A produção também deve recuar 4%, totalizando 25 milhões de toneladas.

Os preços estimados registraram queda em maio – a projeção do Icac mais atualizada do Índice Cotlook A para o final da temporada 2019/20 está em US$ 0,714/lp e, para o final da 2020/21, em US$ 0,5690/lp. USDA – Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgados no dia 9 de abril indicaram que a produção mundial da temporada 2019/20 pode ficar em 26,5 milhões de toneladas, 2,6% acima do volume anterior. Já o Brasil, que tinha sua projeção estável de uma safra para outra, teve reajuste positivo de 1,6%, para 2,874 milhões de toneladas na safra 2019/20.

Quanto ao consumo global, pressionado pelo impacto do rápido avanço do covid-19, registrou quedas de 6,4% frente à projeção de março/20 e de 8,1% se comparado ao da temporada 2018/19, indo para 24,08 milhões de toneladas – o menor em seis safras. Nesse cenário, o estoque mundial foi elevado para 19,87 milhões de toneladas, aumentos de 9,4% frente ao mês passado e de 13,7% acima do da safra 2018/19.

A comercialização mundial, por sua vez, caiu mais de 6,5% frente aos dados de março/20. As importações devem totalizar 8,86 milhões de toneladas (queda de 4,2% frente à temporada anterior) e as exportações, 8,85 milhões de toneladas (recuo de 1,2%). Ainda de acordo com o USDA, as alterações no comportamento e nas regulamentações diante da covid-19 estão impactando expressivamente todo o setor, da fazenda até os varejistas. Dessa forma, a queda no consumo global de vestuário deve limitar a recuperação global e impactar no PIB.

Para o Departamento, os varejistas estão tendo respostas rápidas com as quedas nos gastos dos consumidores, reduzindo e cancelando pedidos de têxteis e vestuário em todo o mundo.

CAROÇO DE ALGODÃO – Com poucos agentes ativos, a comercialização de caroço de algodão esteve em ritmo lento em abril. No entanto, na Bahia, a liquidez esteve expressivamente maior frente às demais regiões, uma vez que parte dos vendedores cedeu nos preços pedidos, possibilitando novos fechamentos para entrega rápida. Segundo informações captadas pelo Cepea, o preço médio do caroço no mercado spot em abril foi de R$ 643,53/t em Barreiras (BA), baixa de 10,4% frente ao do mês anterior. Já em Campo Novo do Parecis (MT), o preço subiu 11,6% (R$ 589,32/t), em Lucas do Rio Verde (MT), 5% (R$ 593,99/t) e, em Primavera do Leste (MT), 9,8% (R$ 665,00/t).

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Cepea

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