Abrapa apresenta Carta Aberta aos Presidenciáveis com as prioridades da cotonicultura para 2027–2030

Documento reúne propostas para 2027–2030 em áreas como segurança jurídica, política agrícola, logística, abertura comercial e valorização das fibras naturais
Publicado em 21/09/2026 12:10

Em meio ao debate eleitoral sobre os rumos do Brasil a partir de 2027, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresenta aos candidatos à Presidência da República uma agenda com as principais prioridades da cotonicultura brasileira para os próximos quatro anos.

Intitulada “Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos”, a iniciativa parte de uma mensagem central: as decisões do próximo governo serão determinantes para que o Brasil preserve sua competitividade e amplie o espaço conquistado no mercado internacional.

O documento defende que a cadeia produtiva do algodão seja reconhecida como um ativo estratégico para o desenvolvimento do país e que sua competitividade seja tratada como uma política de Estado, articulando produção, indústria, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

Os desafios que orientam a Carta também estarão presentes nas discussões do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que será realizado de 24 a 26 de setembro, em Belo Horizonte (MG). Ao longo dos três dias, produtores, especialistas e representantes da cadeia estarão reunidos para debater temas estratégicos para o presente e o futuro da cotonicultura, conectando competitividade, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento do setor.

Representatividade

A Abrapa reúne 11 associações estaduais e representa produtores responsáveis por 99% da área plantada e 99% da produção nacional de algodão, além de 100% das exportações brasileiras da fibra. A Carta conta com a participação das associações estaduais, reforçando a representatividade das prioridades apresentadas pela cotonicultura brasileira para o ciclo 2027–2030.

Construído com a participação das estaduais, o documento consolida uma visão do setor sobre temas considerados estratégicos para os próximos quatro anos e busca contribuir para o debate sobre as prioridades do país. Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a posição alcançada pelo algodão brasileiro aumenta também a responsabilidade do país de construir condições para manter sua competitividade.

“O Brasil conquistou uma posição de protagonismo no algodão mundial, mas liderança não é permanente. Precisamos olhar para os próximos quatro anos e construir um ambiente que dê ao produtor segurança para investir, produzir e competir. Esta Agenda é uma contribuição da cotonicultura para esse debate e, principalmente, para o futuro do país”, afirma Piccoli

O que a cotonicultura espera do próximo governo

A Agenda 2027–2030 reúne propostas em oito frentes consideradas estratégicas: fertilizantes; bioinsumos; segurança jurídica e estabilidade regulatória; reforma tributária; abertura comercial; infraestrutura e logística; modernização da política agrícola; e políticas públicas para o fortalecimento das fibras naturais.

Entre as preocupações está a dependência brasileira de fertilizantes importados, apontada no documento como uma vulnerabilidade diante de oscilações cambiais, tensões geopolíticas e eventuais restrições nas cadeias globais de suprimento. A Abrapa também defende a conclusão da regulamentação da Lei nº 15.070/2024, que estabeleceu o marco regulatório dos bioinsumos.

Na infraestrutura, a entidade chama atenção para gargalos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, armazenagem e energia. Já na política agrícola, propõe o fortalecimento dos instrumentos de crédito e gestão de riscos, ampliação do seguro agropecuário e maior acesso ao mercado de capitais e a novas fontes de financiamento.

A abertura de mercados também aparece entre as prioridades. A Abrapa defende acelerar negociações comerciais, fortalecer a atuação diplomática e sanitária e enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias, buscando diversificar os destinos do algodão brasileiro e reduzir a concentração das exportações.

Para o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a Agenda busca antecipar ao próximo governo os pontos que serão determinantes para a capacidade de crescimento da cotonicultura brasileira.

“O Brasil construiu uma cotonicultura altamente tecnológica, sustentável e competitiva. Agora, precisamos garantir condições para continuar avançando. Infraestrutura, segurança jurídica, política agrícola, abertura de mercados e inovação não são pautas isoladas. São fatores que, juntos, determinam a nossa capacidade de produzir, investir e competir no mercado mundial nos próximos anos”, afirma Portocarrero.

Fibras naturais entram na agenda do próximo governo

Outro eixo do documento é a defesa de uma política nacional de valorização das fibras naturais. A Abrapa propõe estímulos à inovação e à indústria têxtil nacional, compras públicas sustentáveis, desenvolvimento de materiais de base biológica e ações de conscientização sobre os benefícios das fibras naturais.

A proposta reforça uma pauta que já vem sendo defendida pela Abrapa: ampliar a valorização das fibras naturais por meio de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. A entidade defende políticas públicas que estimulem novas aplicações e aprimorem características de desempenho e usabilidade dessas fibras, ampliando sua presença na indústria têxtil, inclusive em combinações com outras matérias-primas. A iniciativa também busca fomentar pesquisas sobre os possíveis impactos das fibras sintéticas e dos microplásticos à saúde e ao meio ambiente, contribuindo para escolhas e políticas públicas baseadas em conhecimento científico.

A valorização das fibras naturais deverá permanecer na agenda institucional da Abrapa na próxima legislatura, tanto no Congresso Nacional quanto junto ao Governo Federal e aos ministérios relacionados ao tema. A proposta é ampliar o diálogo sobre pesquisa, inovação, saúde, sustentabilidade e desenvolvimento industrial, criando condições para que fibras como o algodão ganhem novas aplicações e maior participação na indústria têxtil brasileira.

Agenda de Estado

Mais do que reunir demandas setoriais, o documento propõe que a cotonicultura seja reconhecida como um ativo estratégico para o desenvolvimento brasileiro, conectando competitividade, inovação, industrialização, sustentabilidade e inserção internacional.

“Queremos estabelecer um diálogo com quem pretende governar o Brasil sobre o país que queremos construir nos próximos anos. O algodão conecta produção, indústria, geração de empregos, exportações, inovação e sustentabilidade. Criar condições para que essa cadeia continue avançando significa também ampliar a capacidade do Brasil de gerar desenvolvimento e agregar valor ao que produz”, reforça o presidente da Abrapa Gustavo Piccoli.

Confira na íntegra: Carta aos Presienciáveis.

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