Algodão recua em NY; incertezas elevam cautela para o mercado brasileiro
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Os preços do algodão fecharam em baixa nesta quinta-feira (22) na Bolsa de Nova York. O contrato dezembro/26 recuou 1,04 cent (-1,27%), encerrando a sessão a 80,79 cents/lb. O março/27 perdeu 0,72 cent (-0,85%), para 84,48 cents/lb. Já o maio/27 caiu 0,69 cent (-0,79%), fechando a 86,15 cents/lb, enquanto o julho/27 recuou 0,65 cent (-0,75%), a 86,61 cents/lb.
Pery Passotti Pedro, analista do setor, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta quinta-feira, apontou três questões que trazem incertezas para o mercado de algodão. A primeira é a redução do PIB mundial, que já começa a ser sentida pelas fábricas dos países que compram a fibra brasileira, com sinais de recuo na demanda. A segunda envolve o posicionamento dos Estados Unidos em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia, que também afeta o mercado de petróleo. Por último, o analista destacou a proposta de subsídios à cadeia do algodão norte-americano, que busca ampliar a competitividade da fibra dos Estados Unidos no mercado internacional. O projeto conta com apoio de democratas e republicanos, mas seus efeitos ainda são incertos e precisarão ser acompanhados.
Em relação à produção, Pery espera que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revise para cima a estimativa brasileira, destacando a ótima produtividade do país, que, segundo ele, supera até mesmo a da Austrália, onde cerca de 85% da produção é irrigada.
A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) revisou para cima as estimativas para a safra colhida neste ano e também elevou a projeção para a temporada 2026/27. Segundo comunicado divulgado na quarta-feira (21), a revisão considera a possibilidade de uma janela favorável ao plantio no país, que ocupa posição de destaque nas exportações mundiais da fibra.
Por outro lado, o analista avalia que o USDA pode estar superestimando a produção norte-americana. Segundo ele, o órgão costuma começar a temporada com uma estimativa de produtividade mais elevada e fazer ajustes ao longo dos meses, conforme os resultados da safra vão sendo conhecidos. “Ele está relutante para abaixar de 3 milhões de toneladas, mas não vou me surpreender se esse número vier para baixo de 3 milhões de toneladas neste ano”, afirmou Pery.
Sobre os preços, o analista lembrou que, na saída da pandemia, o algodão chegou a superar US$ 1 por libra-peso, e muitos produtores ficaram com esse valor como referência. No entanto, esse patamar foi alcançado apenas três vezes nos últimos anos. Para Pery, cotações acima de US$ 1/lb são excepcionais, enquanto valores acima de 80 cents/lb já representam um preço de razoável a bom, considerando o histórico do mercado. Por isso, mesmo que esse nível não seja motivo de comemoração para todos os produtores, é importante ficar atento às oportunidades de travar preços e se proteger de possíveis quedas.
Nesse sentido, Pery lembrou que a alta registrada em agosto pelo contrato dezembro/26 foi totalmente devolvida em setembro e que ele temia que o movimento de baixa continuasse em outubro. Agora, porém, parece ter se formado um suporte na região de 80 cents/lb. Ainda assim, diante das incertezas que apontou, o mercado segue sujeito à volatilidade.
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